domingo, fevereiro 26, 2006

Quatro “leis” da escrita jornalística

Lei da proximidade geográfica
O leitor concede tanto mais interesse a uma informação quanto mais essa informação diz respeito a algo que se passa na proximidade do leitor. Este princípio também é conhecido pela lei do morto por quilómetro: um morto no local de vida do leitor interessa-lhe mais do que cem mortos a 10 000 kms.
Quando um jornalista de um jornal nacional ou regional tem que escrever sobre um acontecimento longínquo, tenta sempre fazê-lo sob o prisma das realidadesvividas pelo leitor: repercussões para o país ou região, testemunho de uma pessoa do país ou da região presente no local do acontecimento relatado, etc.

Lei da proximidade cronológica
O leitor interessa-se prioritariamente pelo futuro próximo e pelo presente, depois vêm por ordem o passado próximo, o futuro longinquo e o passado longínquo. O jornalista começa portanto o seu artigo pelas consequências do acontecimento relatado, ou pela constatação da situação presente, para em seguida evocar as suas causas ou origens.

Lei da proximidade psico-afectiva
Tudo o que toca a sensibilidade do leitor, auditor ou espectador ajuda a faze passar a informação. a vida, a morte, o amor, o ódio, o sucesso, o insucesso, e... o dinheiro. Os aspectos humanos são por isso terreno de eleição para os jornalistas. O concreto é sempre preferível ao abstracto, o particular ao geral.

Lei das proximidades específicas
Estas visam um público específico. Uma revista dirigida aos adolescentes privilegiará os seus centros de interesse: banda desenhada, jogos vídeo, cinema, amor, sexualidade, vida na escola, etc.
Estes públicos específicos podem depois ser objecto de distinções mais finas: as raparigas adolescentes têm seguramente centros de interesse diferentes dos rapazes.

Adaptado de Philippe Bachmann, Communiquer avec la presse écrite et audiovisuelle, Paris, Centre de Formation et Perfectionnement des Journalistes, 1994.