domingo, junho 18, 2006

E-mail de um leitor

referente a crónica de hoje, dia 19-06-2006 no DN

"Caro Sr. Provedor,
Tomo a liberdade de enviar o seguinte texto, que julgo recheado de questões
pertinentes:

http://esplanar.blogspot.com/2006/06/promessa-no-cumprida.html

«Promessa Não Cumprida
Tinha prometido não voltar ao assunto. Mas esta não se pode calar. Há coisas
que cumpre dizer. Quando meses atrás levantei a lebre dos jornalistas
(do *Diário
de Notícias*) a escreverem sobre os livros de uns e de outros e no jornal
onde uns e outros trabalham, muita gente cerrou fileiras. Porque exagerava,
porque as coisas não eram bem assim. Hoje, manuseava eu o suplemento de
sexta-feira do *Diário de Notícias*, deparo-me com duas páginas (22-23)
assinadas por João Céu e Silva sobre *Retrovisor - Biografia Musical de
Sérgio Godinho*. O autor do livro? Nuno Galopim. Sabem quem é? Nada mais
nada menos que o editor máximo do suplemento, aquele sobre quem recai a
responsabilidade de escolher as obras e os autores que merecem atenção,
divulgação e avaliação crítica. Talvez não me tenha explicado bem. É melhor
dizê-lo duas vezes, para terem a certeza: Nuno Galopim, o director do *6ª*,
considera normal e decente que os jornalistas que estão sob as suas
orientações lhe promovam os livros. Mais. Depois de deliberar favoravelmente
a publicação desse amável texto sobre o seu próprio livro, Galopim, no auge
da sua modéstia, decide também publicar no «seu suplemento» um excerto do
segundo capítulo do livro (o seu, claro). Se queriam uma demonstração
matemática da promiscuidade, da falta de profissionalismo e da esperteza
lorpa, ela aí está. E que dizer do benemérito João Céu e Silva, de braço
dado com o seu editor? Que se prestou, lamento, ao triste papel de grumete
de luvas brancas.
Continuo a folhear o suplemento e logo na página seguinte, a 24, um texto
assinado pelo próprio Nuno Galopim, zurzindo inapelavelmente em duas obras
sobre António Variações: *Muda de Vida*, antologia da obra escrita de
Variações; e *Entre Braga e Nova Iorque*, de Manuela Gonzaga. Trata-se, para
Galopim, de «duas oportunidades perdidas, uma (a biografia) enfermando de
evidente falta de bom trabalho de edição e com liberdades estilísticas de
gosto duvidoso, a outra pouco povoada de "extras" capazes de contextualizar
aquela escrita no seu tempo». Dito de outro modo, o livro de Manuela Gonzaga
«acaba medíocre», a antologia «denuncia uma falta de conhecimento do objecto
em mãos». Ou seja, primeiro temos um Galopim genial escritor de biografias
de músicos, promovendo-se à custa do jornal onde trabalha, depois um Galopim
juiz implacável. Que moral é que tem Galopim para julgar os outros quando
ele próprio se revela incapaz de ser juiz de si próprio?
Se tudo isto não é a suprema expressão de que o bacilo oportunista não é uma
aberração ocasional, antes está sempre a acontecer, vou ali e já venho.
João Pedro»
--
com os melhores cumprimentos,
Gabriel Silva"