quinta-feira, novembro 30, 2006

IMAGEM DO PASSADO

“A LIBERDADE CONDUZINDO O POVO”

EUGÈNE DELACROIX

pintura a óleo sobre tela, 260 X 325 cm, 1830


Sobre Eugène Delacroix

Ferdinand Victor Eugène Delacroix nasceu em Charenton-Saint Maurice, França, a 26 de Abril de 1798. Segundo o poeta e seu grande admirador Baudelaire, ele foi «O último dos grandes artistas do Renascimento e o primeiro moderno» (Neret, 1999).
Com 17 anos Delacroix tornou-se pupilo de Pierre-Narcisse Guérin, sendo introduzido na linha neo-clássica de Jacques-Louis David. Escolheria porém como seu o estilo mais faustoso dos grandes mestres Miguel Ângelo e Rubens, com influências ainda de Veronese, Géricault e John Constable.
Apontado como um dos mais importantes pintores do Romantismo, a sua técnica caracterizava-se pela justaposição de tons da mesma cor, acompanhada pelo uso de cores contrastantes (não só entre o claro e o escuro, mas também entre as cores complementares) e pequenas pinceladas, criando desta forma um efeito vibrante de dinamismo e uma luminosidade intensa que lhe eram característicos.
A importância das obras que produziu é reconhecida pela sua designação como uma das influências da escola Impressionista. Particularmente a sua teoria da cor seria uma grande influência para a libertação dos pintores do objecto, que se verificaria no século XX (Krauße, 1995). Ele considerava que a cor tinha sobretudo um significado emocional, e reconhecia-lhe por isso mesmo um valor intrínseco.
Com mais de 800 quadros pintados e mais de 6000 desenhos feitos, Delacroix faleceu em Paris em 13 de Agosto de 1863.


Sobre “A Liberdade Conduzindo o Povo”

Provavelmente a mais marcante das obras de Eugène Delacroix, “A Liberdade Conduzindo o Povo” foi pintada para comemorar e representar a Revolução Francesa de Julho de 1830, que derrubou a Monarquia e colocou o poder nas mãos do povo.
É uma pintura a óleo sobre tela, de proporções consideráveis (260 X 325 centímetros), datada do ano do acontecimento que reproduz. Faz actualmente parte da colecção do Museu do Louvre, em Paris.
Delacroix, que não chegou a ter um envolvimento físico na revolta, mostrou porém de que lado estavam os seus sentimentos, ao representar-se no quadro (é ele o homem de cartola), cumprindo assim o que anunciara em carta ao seu irmão: se não podia lutar, queria pintar pela França.
Mas a característica mais distinta desta pintura é a representação da Liberdade, que Delacroix escolheu como líder do povo à falta de um líder real e histórico, na figura de uma mulher, e não de uma forma abstracta.
Certos autores consideram ser “A Liberdade Conduzindo o Povo” o primeiro trabalho eminentemente político da pintura moderna (Jacobus, 1986). O seu poder enquanto tal é bem atestado pelo facto de, depois de ter sido adquirido por Louis-Philippe no Salão de Paris de 1831, ter sido escondido dos olhos do público por se recear que pudesse incitar ao levantamento popular.


O conceito de analogia

A analogia é um conceito chave da imagem, podendo ser definida como a relação entre esta e a realidade que visa representar.
Por deformação que advém da sobre-exposição a imagens com relações fortemente directas com a realidade, o observador tende a associar a analogia a um tipo idealizante.
Foi como contraponto a esta visão que Ernst Gombrich (L’art et l’illusion) definiu como convencional toda e qualquer representação, mesmo a mais analógica, enunciando ainda existirem convenções mais naturais do que outras. Segundo este autor (Mirror and map, 1974), a analogia tem um aspecto de espelho, porque reflecte uma realidade visual, ou certos elementos da mesma, bem como um aspecto mapa, pois imita a natureza através da utilização de esquemas que contribuem para uma convencionalidade a ser atingida. Para mais, considera-se que há sempre mapa no espelho.
De acordo com este duplo aspecto da analogia houve abordagens teóricas que se aproximaram mais de um ou de outro.
A interpretação da analogia como espelho levou ao conceito de mimese, o ideal da analogia absoluta. André Bazin (Ontologie de l’image photographique, 1945) defendeu que a arte havia vivido num conflito entre as necessidades de ilusão e expressão — situando no século XVI e na perspectiva o «pecado original da pintura ocidental» — até ser “libertada” da segunda pela invenção da fotografia, essencialmente objectiva e por isso mais verosímil do que a pintura. A fotografia dará assim origem a uma analogia perfeita, que será a expressão do real.
Privilegiando a analogia enquanto mapa, surgiram teóricos que colocaram a analogia dentro de um processo de referência (Goodman, 1968,1976), como elemento associado à denotação e exemplificação. Nesta perspectiva ideológica, não se pode copiar o mundo na perfeição, pois nem sequer se sabe como ele é, e só a própria visão implica em si a interpretação. Assim, tem-se como certo que a analogia nunca é perfeita e que copiar é fabricar.
As abordagens de Bazin e Goodman, ainda que antagónicas, permitem porém alguma sintetização (Aumont, 1993): a analogia possui realidade empírica (constata-se perceptivamente), foi historicamente produzida de forma artificial (o que permitiu chegar a um certo tipo de semelhança) e é utilizada para fins de ordem simbólica.
As imagens analógicas são, pois, sempre uma construção, que se joga entre dois termos: imitação da semelhança natural e produção de signos socialmente comunicáveis. Segundo a importância de um ou de outro podem estabelecer-se graus de analogia.
Esta ideia foi defendida por Metz ao apontar que uma analogia muitas vezes serve para difundir uma imagem sem nada de analógico (como acontece por exemplo na imagem publicitária ou narrativa) e que é codificada, logo culturalmente determinada.


O conceito de analogia em “A Liberdade Conduzindo o Povo”

Em “A Liberdade Conduzindo o Povo” o grau de analogia está simultaneamente próximo do pólo da semelhança natural e do pólo da produção de signos, muito devido à sua vertente simbólica, que é aliás uma das características do Romantismo, corrente de que o quadro em questão é um dos expoentes.
Desde logo, a representação da população que segue a Liberdade pode ser interpretada como espelho, é grande a verosimilhança com os verdadeiros intérpretes da Revolução, embora se saiba que aquela não é uma imagem pura dos mesmos.
Por outro lado, a multidão, nas suas roupas sujas e gastas, as poses heróicas, as faces eivadas de determinação, num todo marcado pelo tom épico, é analogicamente significativa também como mapa, conjunto de emblemas do povo que fez a Revolução, que é em si uma abstracção.
Em contraste com a atitude triunfal dos revolucionários, temos a decadência e ruína dos soldados mortos, a seus pés. E se a um nível a analogia funciona porquanto a imagem é verosímil com a realidade, igualmente aqui a referência analógica se faz enquanto simbologia: a derrota do Exército e muito particularmente da Monarquia.
Quanto ao auto-retrato de Eugène Delacroix, se é o reflexo (leia-se espelho) do artista, é no entanto muito mais uma carta para se ver naquela imagem todos os que acreditaram na revolta sem nela estarem presentes, como o próprio pintor. É assim, também, eminentemente um símbolo.
Mas esta vertente figurativa é particularmente importante no elemento de força da pintura: a Liberdade. Se em obras anteriores, como as do classicista David, esta era uma figura abstracta, aqui é uma mulher sensual e fulgurante, que empunha numa mão uma espingarda e na outra a bandeira tricolor. A referência analógica é a um tempo feita de forma directa: a Liberdade representada numa mulher, como espelho.
Mas existe uma componente alegórica, que faz com que a analogia se estabeleça preferencialmente através da construção de esquemas mentais, que permitem que se use algo que é familiar para explicar, e representar, algo que não o é. Assim, atinge-se uma universalidade na leitura da mulher não enquanto tal, mas como representação do conceito de Liberdade.
Todos estes elementos concorrem portanto para a identificação da cena como uma representação da Revolução Francesa, comportando por isso mesmo uma forte relação analógica, da imagem com a realidade.


Bibliografia

AUMONT, Jacques, A Imagem, Campinas, Papirus Editora, 1993
JACOBUS, Lee A., Humanites: The Evolution of Values, McGraw-Hill, 1986
KRAUßE, Anna-Carola, História da Pintura: do Renascimento aos Nossos Dias, Köneman, 1995
NERET, Gilles, Eugène Delacroix 1798-1863: The Prince of Romanticism, Köln, Taschen, 1999


Internet

http://www.artchive.com
http://www.mcs.csuhayward.edu/~malek/illusions/tempscv.html
http://www.oir.ucf.edu

terça-feira, novembro 28, 2006

LER CINEMA Convite á escrita

"De Janeiro a Junho de 2006, o projecto LER CINEMA encorpou a programação da Videoteca Municipal de Lisboa. Depois de uma primeira edição em 2004, o projecto foi retomado mantendo os seus objectivos primordiais: divulgar grandes obras do cinema e do vídeo, dar a conhecer o arquivo fílmico da Videoteca e espicaçar o estudo, o questionamento e discussão em volta da imagem. Para além destes objectivos genéricos, este recomeço significou uma reflexão acerca da própria denominação do ciclo, “ler cinema”. Os filmes foram exibidos com uma lógica de programação centrada em leituras de cinema, sendo a própria programação encarada como leitura. Como uma espécie de montagem em que os filmes surgiram como unidade básica, como frases de um texto enorme que no limite abarcaria o cinema todo.

Para introduzir mais claramente este conceito, foi seguido de perto O Nosso Caso, série realizada por Regina Guimarães e Saguenail, que usa, (des)monta, estuda, relaciona planos e sequências, apresentando uma proposta de leitura do cinema feito no final do séc.XX em Portugal. São seis paragens, com seis reflexões, seis montagens que problematizam alguns pré-conceitos do cinema português, desmontando-os.

Durante uma semana por mês, de Janeiro a Junho de 2006, foi visto um dos episódios da série, e os filmes cujos planos eram montados e remisturados. No final de cada semana do programa, a Regina e o Saguenail encontravam-se na Videoteca com alguns outros convidados para debater as ideias concretas apresentadas em cada episódio (desde a paisagem, o 25 de Abril, a recorrência dos espaços fechados, o uso da palavra poética).

Estas conversas vão ser editadas para o próximo ano, e, de modo a complementar e enriquecer o livro que daí nascerá, a Videoteca convida todos os interessados a apresentarem as suas leituras à volta do cinema português. Os textos deverão incidir sobre uma relação (que pode ser entre filmes, entre planos, etc) dentro do corpus de filmes analisados pela série O Nosso Caso. O texto não deverá ter mais que 4 páginas. Dos textos recebidos apenas 6 serão escolhidos e editados. Todos os participantes serão contactados.

Para mais informações, ou para aceder à lista de filmes que servirá de base para este trabalho, é favor escrever para: ines.pires.dias@cm-lisboa.pt. Os filmes (incluindo os episódios do O Nosso Caso) estão disponíveis para visionamento na sede da Videoteca (Largo do Calvário, nº2)."

recebido da Apordoc

terça-feira, novembro 21, 2006

Carta do leitor do DN, Antonio Cavaco do Vale

Exmº Senhor Provedor

Muito agradecido por ter prestado atenção à questão que apresentei ,passo a descrever alguns dos erros que constato embora não seja exaustivo pois só referirei aqueles que tenho a certeza que estão errados.
1- dia 2 de Novembro de 2006,pág. 19, Índices Internacionais
Var. VS ano ant%,os valores indicados são sempre iguais, compare por ex. com 30/10/06.
2-ìndices Sectoriais- Dow Jones Stoxx Europa
30/10/06 Pág. 17, Telecomunicações a variação do ano é de 9,83%
31/10/06 Pág. 20, Telecomunicações a variação do dia foi de -0,27% logo a variação acumulada do ano deveria ser inferior a 9,83% e está indicada 11,63%
3- Fundos de investimento-Nacional
costumo seguir as cotações dos fundos:
-Montepio Geral- MG Euro Telcos
-Bic PPR(o nome foi alterado para BES PPR há vários meses)
as cotações apresentadas nunca coincidem com as datas a que presumivelmente se referem
que será a que está na parte superior do lado direito do quadro com a apresentação dos fundos.
4-Evolução dos fundos de investimento-rentabilidade anualizada a 12 meses
dias 26/10,30/10,31/10 e 02/11, os valores são sempre iguais.

Parece-me suficientemente esclarecedor os exemplos apresentados.
A conclusão que retiro é que a informação(financeira) do DN nogeral não será de confiança.

Melhores cumprimentos
Antonio Cavaco do Vale

sexta-feira, novembro 17, 2006

Seminário Internacional"Educação em Imagens" - 10 a 12 de Dezembro de 2006

Mansagem/circular a todos os participantes no Seminário Internacional
"Educação em Imagens" - 10 a 12 de Dezembro de 2006
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Olá a todos/as.
A pedido da organização do seminário faço circular o endereço do blogue
http://cadernodeimagens.blogspot.com criado com o seguinte propósito:
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"Para além de divulgar o Seminário Internacional Educação em Imagens
este blog pretende ser uma iniciativa paralela a esse evento que
reunirá, nos próximos dias 10, 11 e 12 de Dezembro no ISCTE (organização
do CEAS e aporDOC), especialistas nacionais e internacionais de várias
áreas disciplinares. O Seminário propõe-se fazer uma reflexão sobre a
Educação e a Aprendizagem nas sociedades contemporâneas centrada em
cinco tópicos fundamentais - Imagens, Lugares, Criações, Trajectórias e
Resistências - e será acompanhado de uma mostra de filmes. O Seminário
pretende reflectir sobre as dimensões mais problemáticas da educação e
dos processos de aprendizagem (dentro e fora da escola) nas sociedades
contemporâneas.

Como extensão deste evento gostaríamos de desafiar os/as leitores/as a
enviarem, para publicação neste espaço, imagens que remetam para as
temáticas que serão abordadas ao longo do encontro. Pretendem-se imagens
que sejam mais do que meras representações ou ilustrações; pretendemos
imagens que façam reflectir e imaginar o que é e o que podem ser os
processos educativos e os processos de aprendizagem nas sociedades
contemporâneas.
As imagens (acompanhadas de legenda e/ou curto comentário) deverão ser
enviadas para o seguinte endereço:
cadernodeimagens@gmail.com"
----------------------

Até breve,
Isabel Cardana
(secretariado)


+-----------------------------------------------
|Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS)
|Ed. ISCTE, Av. Forças Armadas
|1600-083 Lisboa
|PORTUGAL
|Tel: +351 21 790 39 17
|Fax: +351 21 790 39 40
|E-mail: ceas@ceas.iscte.pt
|Url: www.ceas.iscte.pt

quarta-feira, novembro 15, 2006

FALAR DE IMAGENS III

The Theater of the Street, the Subject of the PhotographBy PHILIP GEFTER

Published: March 19, 2006

IN 1999 Philip-Lorca diCorcia set up his camera on a tripod in Times Square, attached strobe lights to scaffolding across the street and, in the time-honored tradition of street photography, took a random series of pictures of strangers passing under his lights. The project continued for two years, culminating in an exhibition of photographs called "Heads" at Pace/MacGill Gallery in Chelsea. "Mr. diCorcia's pictures remind us, among other things, that we are each our own little universe of secrets, and vulnerable," Michael Kimmelman wrote, reviewing the show in The New York Times. "Good art makes you see the world differently, at least for a while, and after seeing Mr. diCorcia's new 'Heads,' for the next few hours you won't pass another person on the street in the same absent way." But not everyone was impressed.

When Erno Nussenzweig, an Orthodox Jew and retired diamond merchant from Union City, N.J., saw his picture last year in the exhibition catalog, he called his lawyer. And then he sued Mr. diCorcia and Pace for exhibiting and publishing the portrait without permission and profiting from it financially. The suit sought an injunction to halt sales and publication of the photograph, as well as $500,000 in compensatory damages and $1.5 million in punitive damages.

The suit was dismissed last month by a New York State Supreme Court judge who said that the photographer's right to artistic expression trumped the subject's privacy rights. But to many artists, the fact that the case went so far is significant.

The practice of street photography has a long tradition in the United States, with documentary and artistic strains, in big cities and small towns. Photographers usually must obtain permission to photograph on private property — including restaurants and hotel lobbies — but the freedom to photograph in public has long been taken for granted. And it has had a profound impact on the history of the medium. Without it, Lee Friedlander would not have roamed the streets of New York photographing strangers, and Walker Evans would never have produced his series of subway portraits in the 1940's.

Remarkably, this was the first case to directly challenge that right. Had it succeeded, "Subway Passenger, New York City," 1941, along with a vast number of other famous images taken on the sly, might no longer be able to be published or sold.

In his lawsuit, Mr. Nussenzweig argued that use of the photograph interfered with his constitutional right to practice his religion, which prohibits the use of graven images.

New York state right-to-privacy laws prohibit the unauthorized use of a person's likeness for commercial purposes, that is, for advertising or purposes of trade. But they do not apply if the likeness is considered art. So Mr. diCorcia's lawyer, Lawrence Barth, of Munger, Tolles & Olson in Los Angeles, focused on the context in which the photograph appeared. "What was at issue in this case was a type of use that hadn't been tested against First Amendment principles before — exhibition in a gallery; sale of limited edition prints; and publication in an artist's monograph," he said in an e-mail message. "We tried to sensitize the court to the broad sweep of important and now famous expression that would be chilled over the past century under the rule urged by Nussenzweig." Among others, he mentioned Alfred Eisenstaedt's famous image of a sailor kissing a nurse in Times Square on V-J Day in 1945, when Allied forces announced the surrender of Japan.

Several previous cases were also cited in Mr. diCorcia's defense. In Hoepker v. Kruger (2002), a woman who had been photographed by Thomas Hoepker, a German photographer, sued Barbara Kruger for using the picture in a piece called "It's a Small World ... Unless You Have to Clean It." A New York federal court judge ruled in Ms. Kruger's favor, holding that, under state law and the First Amendment, the woman's image was not used for purposes of trade, but rather in a work of art.

Also cited was a 1982 ruling in which the New York Court of Appeals sided with The New York Times in a suit brought by Clarence Arrington, whose photograph, taken without his knowledge while he was walking in the Wall Street area, appeared on the cover of The New York Times Magazine in 1978 to illustrate an article titled "The Black Middle Class: Making It." Mr. Arrington said the picture was published without his consent to represent a story he didn't agree with. The New York Court of Appeals held that The Times's First Amendment rights trumped Mr. Arrington's privacy rights.


In an affidavit submitted to the court on Mr. diCorcia's behalf, Peter Galassi, chief curator of photography at the Museum of Modern Art, said Mr. diCorcia's "Heads" fit into a tradition of street photography well defined by artists ranging from Alfred Stieglitz and Henri Cartier-Bresson to Robert Frank and Garry Winogrand. "If the law were to forbid artists to exhibit and sell photographs made in public places without the consent of all who might appear in those photographs," Mr. Galassi wrote, "then artistic expression in the field of photography would suffer drastically. If such a ban were projected retroactively, it would rob the public of one of the most valuable traditions of our cultural inheritance."

Neale M. Albert, of Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison, who represented Pace/MacGill, said the case surprised him: "I have always believed that the so-called street photographers do not need releases for art purposes. In over 30 years of representing photographers, this is the first time a person has raised a complaint against one of my clients by reason of such a photograph."

State Supreme Court Justice Judith J. Gische rejected Mr. Nussenzweig's claim that his privacy had been violated, ruling on First Amendment grounds that the possibility of such a photograph is simply the price every person must be prepared to pay for a society in which information and opinion freely flow. And she wrote in her decision that the photograph was indeed a work of art. "Defendant diCorcia has demonstrated his general reputation as a photographic artist in the international artistic community," she wrote.

But she indirectly suggested that other cases might be more challenging. "Even while recognizing art as exempted from the reach of New York's privacy laws, the problem of sorting out what may or may not legally be art remains a difficult one," she wrote. As for the religious claims, she said: "Clearly, plaintiff finds the use of the photograph bearing his likeness deeply and spiritually offensive. While sensitive to plaintiff's distress, it is not redressable in the courts of civil law."

Mr. diCorcia, whose book of photographs "Storybook Life" was published in 2004, said that in setting up his camera in Times Square in 1999: "I never really questioned the legality of what I was doing. I had been told by numerous editors I had worked for that it was legal. There is no way the images could have been made with the knowledge and cooperation of the subjects. The mutual exclusivity that conflict or tension, is part of what gives the work whatever quality it has."

Mr. Nussenzweig is appealing. Last month his lawyer Jay Goldberg told The New York Law Journal that his client "has lost control over his own image."

"It's a terrible invasion to me," Mr. Goldberg said. "The last thing a person has is his own dignity."

Photography professionals are watching — and claiming equally high moral stakes. Should the case proceed, said Howard Greenberg, of Howard Greenberg Gallery in New York, "it would be a terrible thing, a travesty to those of us who have been educated and illuminated by great street photography of the past and, hopefully, the future, too."


(texto sugerido por Pedro Ornelas para o debate do Falar de Imagens)

terça-feira, novembro 14, 2006

*PROGRAMA DO COLÓQUIO “CULTURA E COMUNICAÇÃO SOCIAL”*

*PROGRAMA DO COLÓQUIO “CULTURA E COMUNICAÇÃO SOCIAL”*


*Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra*

*21 e 22 de Novembro de 2006*

*Dia 21 (3.ª feira)*:

- 10h00: Sessão de Abertura.

- 10h30: _Conferência de abertura_, “As responsabilidades culturais do
serviço público de comunicação social”: Augusto Santos Silva (Ministro
dos Assuntos Parlamentares).

- Debate.

- Intervalo para almoço

- 15h00: _Mesa-Redonda sobre “A cultura vista do lado dos agentes da
comunicação social”_: Ana Sousa Dias (RTP), Carlos Vaz Marques (TSF),
Torcato Sepúlveda (“Diário de Notícias”) e Lídia Pereira (Diário “As
Beiras”). Moderação: Isabel Ferin Cunha (Instituto de Estudos
Jornalísticos).

- Debate.

- 18h00 (na Reitoria da UC – Sala do Exame Privado): Inauguração de
exposição de foto-jornalismo, centrada na cobertura de eventos culturais
em Coimbra, entre 2003 e 2006. Autor: Sérgio Azenha.

- 21h30 (Biblioteca Joanina): recital de canto e piano, com Paula Morna
Dória e Francisco Monteiro (repertório de música de Mozart).

*Dia 22 (4.ª feira)*:

- 10h00: _Mesa-Redonda sobre “A intervenção dos agentes culturais na
comunicação social”_: Francisco José Viegas (Casa Fernando Pessoa), José
Carlos Vasconcelos (JL, Visão), José Manuel Paquete de Oliveira
(Provedor do Telespectador) e João Luís Campos (“Diário de Coimbra”).
Moderação: Isabel Vargues (Instituto de Estudos Jornalísticos).

- Debate.

- Intervalo para almoço.

- 15h00:_ Conferência de encerramento_: “A comunicação da cultura e a
cultura da comunicação”, por Manuel Maria Carrilho.

- Debate.

- Encerramento.

* Organização: Reitoria da Universidade de Coimbra e Instituto de
Estudos Jornalísticos, com o apoio da Licenciatura em Estudos Artísticos
da Faculdade de Letras da UC.

* Apoios: Diário “As Beiras”, Diário de Coimbra e “Critical Software”.

* Secretariado: Pró-Reitor para a Cultura (239-859-814/23 /
prcultura@ci.uc.pt ).

* Entrada livre.

domingo, novembro 12, 2006

II SEMINÁRIO INTERNACIONAL MEDIA, JORNALISMO E DEMOCRACIA

JORNALISMO E ACTOS DA DEMOCRACIA –
Organização: Centro de Investigação Media e Jornalismo
13 e 14 de Novembro de 2006
Escola Superior de Comunicação Social, Lisboa

II SEMINÁRIO INTERNACIONAL MEDIA, JORNALISMO E DEMOCRACIA
«Jornalismo e Actos de Democracia»
Organizado pelo Centro de Investigação Media & Jornalismo
13 e 14 de Novembro de 2006
Escola Superior de Comunicação Social - Instituto Politécnico de Lisboa

PROGRAMA
13 de Novembro
9h00 - Sessão Inaugural
Presidente da Mesa: Jorge Pedro Sousa (CIMJ/UFP)
:. António Belo, Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Comunicação
Social (ESCS)
:. Nelson Traquina, Presidente do CIMJ
9h30 - Conferências de Abertura:
Presidente da Mesa: Nelson Traquina, Presidente do CIMJ e da Comissão Organizadora
Moderador: José Rodrigues dos Santos: (UNL-RTP-CIMJ)
Intervenções:
:. Doris Graber, Universidade Illinois
:. Kees Brants, Universidade de Amesterdão
:. João Pissarra Esteves (UNL)
Comentário:
:. J. Pacheco Pereira (Historiador)

11h00 – Intervalo
11h15 – 1ª. Sessão – Tema: Cobertura jornalística de eleições
Presidente da Mesa: José Manuel Paquete de Oliveira (ISCTE/CIMJ)
Oradores:
:. Estrela Serrano (CIMJ/ESCS/ERC)
:. Fermim Galindo (Univ. Santiago de Compostela)
Comentários:
:. André Freire (ICS)
:. José Manuel Fernandes (Público)

13h15 – Intervalo para almoço

15h00 - 2ª. Sessão - Tema: Cobertura jornalística de congressos partidários
Presidente da Mesa: Fernando Correia (CIMJ/ULHT)
Oradores:
:. Rogério Santos, (CIMJ/UCP)
:. James Stanyer (Universidade de Loughborough)
Comentários:
:. Ricardo Jorge Pinto (UFP e Expresso)
:. António José Teixeira (Diário de Notícias)

16h35 – Intervalo
16h45– Comunicações: tema livre
Coordenação: Cristina Ponte (CIMJ-UNL)
Comentário: João Carlos Correia (UBI)
18h30 – Fim da sessão

14 de Novembro
10h00 – 3ª. Sessão - Tema: Cobertura jornalística de finais de mandato
Presidente da Mesa: Ana Maria Cabrera (CIMJ)
Oradores:
:. Isabel Ferin, (CIMJ/UC)
:. Albino Rubin (UFBA)
Comentários:
:. António Costa Pinto (ICS)
:. Adelino Gomes (Público)
11h45 – Lançamento de publicações do CIMJ Revista Media & Jornalismo (nº.s 8
e 9) e Livros
12h15 - Intervalo para almoço
14h30 - 4ª. Sessão - Tema: Líderes de Opinião
Presidente da Mesa: Isabel Gil (UCP)
Oradores:
:. Rita Figueiras (CIMJ/UCP)
:. Fernando Martinez (PUCS)
Comentários:
:. Pedro Magalhães (ICS) *
:. Judite de Sousa (RTP)
16h00 – Intervalo
16h15 – Comunicações de tema livre
Coordenação: Jorge Pedro Sousa (CIMJ-UFP)
Comentário: Elisabete Caramelo (FCG)
18h00 – Fim da sessão
Intervalo
18h15 - 5ª Sessão – Sessão de encerramento
Presidente da Mesa: José Carlos Abrantes (CIMJ/Provedor dos Leitores do Diário de
Notícias)
Intervenções:
:. Isabel Ferin, Coordenadora do Projecto Jornalismo e Actos da Democracia
H Síntese conclusiva do Seminário
:. Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares com o pelouro da
Comunicação Social
* Presença por confirmar



Programa das Comunicações de Tema Livre
13 de Novembro
Sessão 1
Auditório da ESCS, 16h45 – 18h30
Coordenação: Cristina Ponte, Comentário: João Carlos Correia (CIMJ/UBI)
1. “A modernidade jornalística durante os anos 60 em Portugal”
de Carla Baptista e Fernando Correia
2. “Construção jornalística e rituais de interacção: Os partidos políticos e os media”
de Vanda Calado
3. “A estratégia de comunicação de Marcelo Caetano”
de Ana Cabrera
4. “Os sons da campanha presidencial de 2006: Uma análise do discurso jornalístico da cobertura
radiofónica”
de Luís Bonixe
5. “Presidenciais: O candidato e a sua imagem”
de Susana Salgado
6. “Contributos para o debate democrático: Os blogs políticos”
de Catarina Rodrigues
Sessão 2
Sala 2P3, 16h45 – 18h30
Coordenação: Jorge Pedro Sousa, Comentário: Maria João Silveirinha
1. “Media e democracia: O papel da imprensa e dos movimentos sociais no debate público sobre violência
sexual contra crianças e adolescentes”
de Lídia Marôpo
2. “A representação do feminino na imprensa portuguesa: Uma análise discursiva do “Correio da Manhã”
de Carla Martins
3. “O valor do atleta com deficiência: Estudo centrado na análise de um periódico português”
de Ana Luísa Pereira, Olga Pereira e Maria Adília Silva
4. “A domesticação dos cabelos via discurso da mídia impressa x contra-discursos de adolescentes negras em
eventos de letramento”
de Rogéria de Paula
5. “Apontamentos para uma discussão sobre as estratégias do MST para o agendamento midiático”
de Paula Reis Melo
Sessão 3
Sala 2P10, 16h45 – 18h30
Coordenação: Isabel Ferin, Comentário: Rogério Santos
1. “As experiências de leitura na formação de jornalistas: Um estudo comparativo entre o Brasil e Portugal”
de Adriano Gomes
2. “Reflexão sobre a necessidade de um novo paradigma para o ensino do jornalismo: O caso da
Universidade de Columbia”
de Sandra Marinho
3. “Democratização e emergência dos jornalistas intelectuais no Brasil”
de Fábio Pereira
4. “Jornalismo cidadão: Uma proposta brasileira de jornalismo cívico”
de Celina Alvetti e Zanei Barcelos
5. “Comunicação, ‘accountability’ e responsabilidade social: Portugal, Espanha e Brasil”
de Fernando Paulino
14 de Novembro
Sessão 4
Auditório da ESCS, 16h45 – 18h30
Coordenação: Jorge Pedro Sousa, Comentário: Elisabete Caramelo
1. “Quem faz a notícia no Parlamento brasileiro: Análise comparativa das rotinas dos newsmakers no
Senado Federal”
de Francisco Sant’Anna
2. “Diálogos entre mídia e acção política a partir de notícias sobre saúde pública no jornal Folha de São Paulo”
de Mônica Carvalho
3. “Imprensa partidária e enquadramentos: Alguns desafios teóricos”
de Pedro Diniz de Sousa
4. “Análise dos editoriais: A actuação dos ‘opinion makers’ em tempos de democracia no Brasil”
de Karita Francisco
5. “Guerra de editoriales en torno al estatuto de autonomia de Galicia. La construcción de marcos
informativos en los editoriales de “El País” y de la prensa galega (1977-1980)”
de Marcos Sebastián Pérez Pena
6. “Terrorismo e liberdade de imprensa: Estudo do efeito do acto terrorista em uma amostra segmentada do
clima de opinião pública brasileiro e norte-americano”
de Anelise Zanoni Cardoso
7. “O 11 de Setembro na imprensa portuguesa: A primeira semana”
de Andreia Marques Pereira
Sessão 5
Sala 2P6, 16h45 – 18h30
Coordenação: Ana Cabrera, Comentário: João Carlos Correia
1. “Capa de newsmagazine: Dispositivo comunicacional padronizado?”
de Carla Rodrigues Cardoso
2. “Por trás das lentes: O olhar de quem fotografa e reflexões sobre sua vida”
de Paulo Boni e Arieta Arruda
3. “Do fotojornalismo à irrealidade quotidiana”
de Sandra Gonçalves
4. “Do real à imagem: Crítica das charges”
de Diva Lea
5. “Do folhetim ao cartaz de rua: Técnica e arte na expansão da comunicação”
de Laura Bedran
Sessão 6
Sala 2P7, 16h45 – 18h30
Coordenação: Nelson Traquina, Comentário: Mário Mesquita
1. “A génese do jornalismo lusófono e as “Relações” de Manuel Severim de Faria”
de Jorge Pedro Sousa, Gabriel Silva, Nair Silva e Mônica Delicato
2. “Jornalismo e criatividade: Uma possibilidade de redacção criativa nos cadernos de cultura”
de Juliano de Carvalho
3. “Jornalismo de infotenimento: Informação e entretenimento para o cidadão/leitor/consumidor da
sociedade da informação”
de Fábia Dejavite
4. “El cómic periodismo como nuevo género interpretativo del periodismo impreso. La legitimidad de
Gorazde de Joe Sacco como crónica periodística”
de Marta Pérez Pereiro
5. “A ciência e a tecnologia na imprensa escrita: Um olhar sobre a produção sociológica portuguesa no
contexto internacional”
de Rui Brito Fonseca
6. “Brasil e Portugal. Uma análise comparativa de seus anúncios publicitários televisivos”
de Simone Freitas de Araújo

sexta-feira, novembro 10, 2006

ARTIGO saído hoje no Jornal de Negócios

Com a lupa na mão*
José Carlos Abrantes


A publicidade é uma manifestação dos nosso tempos. A sociedade de consumo não vive sem ela. A publicidade não vive sem imagens. Estas infiltram - se no nosso quotidiano descuidado. Por isso, é boa ideia ir buscar uma lupa para as ver com redobrada atenção. Usar uma lupa significa ir buscar um dispositivo de visão e alguns instrumentos de análise que nos ajudam a ver aumentado, a ver detalhes que, de outro modo, passariam sem reparo. Significa que queremos vestir a pele de detectives, de cientistas, de quem procura saber mais sobre as coisas além do que se vê à primeira vista. Procedimentos de interrogação, de análise, de comparação, de interpretação estão ligados a este dispositivo, que, baseado numa lente, nos modifica o olhar e torna o pensamento mais ágil e diversificado.
Foi isso que o Eduardo Cintra Torres fez nas crónicas de publicidade agora editadas na Bizâncio. A publicidade não era objecto de estudo e de análise até que Roland Barthes escreveu sobre o significado de um anúncio de massas italianas e mostrou, como nesse anúncio, diferentes elementos foram organizados para dar a sensação de Itália e de frescura dos produtos publicitados. O semiólogo abriu caminho mostrando como nas imagens há a coisa vista e a coisa interpretada. Ora, neste livro o leitor pode ver como os objectos (as denotações) são associados aos mais diferentes significados (as conotações). Um exemplo lido na página 58 do livro agora editado: “para que não haja dúvidas dos “poderes especiais” que os óculos escuros conferem ao utilizador, o indivíduo do anúncio é um esforçado montanhista de tronco nu e com uma poderosa tatuagem nas costas. Todos pressentimos que sem os óculos escuros ele cairia da montanha abaixo.” O leitor pode perceber que a força das imagens vem do também do reconhecimento imediato que estas permitem (os rostos conhecidos), da sua dimensão artística (o anúncio da ETIC), do seu potencial transformador (a campanha do Ministério das Finanças sobre a exigência de factura), da sua capacidade de envolvimento (as reticências da Martini sugerindo uma aventura a viver após o aperitivo).
O autor mostra também como são raras as imagens sem texto. De facto, as imagens tendo um potencial de sentido muito variado, precisam, na mensagem publicitária, de algo que chame a atenção para alguns elementos pertinentes estruturantes do sentido. As palavras servem para nos dar um quadro de leitura mais intencional, desejado por quem cria e planifica a mensagem publicitária. Palavra e imagem são dois universos que se completam aqui como na vida quotidiana.
Há outro aspecto interessante no livro. Trata-se dos assuntos objecto das crónicas. Há-as ligadas a actos de cidadania, como é o caso da exigência da factura, há outras ligadas ao consumo dos mais variados objectos. Há crónicas que questionam a relação da publicidade como o jornalismo e outras que discutem os fundamentos da nossa relação com a televisão. E mesmo as que são sobre produtos revelam muitas vezes concepções “existenciais” mais ou menos explicitas: basta recordar como as Pedras Salgadas jogaram no equilíbrio e na estabilidade, ou no “segue as emoções” de uma campanha da Optimus, para percebermos como a publicidade encena e transmite valores e actos essenciais para todos.
Este livro ajuda-nos a ler as imagens, a ler a publicidade. As imagens são entidades complexas pois, pela semelhança com os objectos que retratam, fazem-nos crer que estamos perante as próprias coisas. Um dos méritos deste livro é o de nos recordar constantemente que as imagens se lêem, ou seja que as imagens são construídas, não são a realidade. As imagens representam os objectos e o além dos objectos, usando processos narrativos muito diferenciados. Há jovens e pessoas maduras, bebés, rostos conhecidos e outros de de homens e mulheres comuns, pares romanticamente amorosos ou mesmo outros a sugerirem cenas ousadas. A forma é variada: ora se usa a técnica da fotonovela, se privilegia o grande plano, se escolhe uma sequência de imagens, se usa a potencialidade gráfica da escrita, se acentua a dimensão artísticas das imagens. O livro lembra-nos que existem processos de fabrico entre nós e as imagens, complexos e fruto de investimentos elevados. Por isso a publicidade é um bom estudo de caso. Porque sendo o espaço de difusão caro, necessita de ser muito eficaz, construindo mensagens curtas, mas de significados complexos. E há uma razão individual para nos precavermos. Se é verdade que a publicidade nos dá algumas características dos produtos (e outras do domínio do sonho, das conotações), também nos pode levar a tirar uma fatia do nosso orçamento para comprar mais um perfume, uma viagem, um carro, ou sugerir a utilização dos serviços de um novo banco. Ou seja, as imagens de publicidade procuram levar-nos a uma acção , não apenas a uma contemplação. Por isso, na publicidade, vale a pena criar alguma distância, como faz o livro do Eduardo Cintra Torres: a distância do pensamento crítico entre nós, os objectos e as narrativas que sobre eles se constroem.


* o texto saíu com o título Da Cátedra

segunda-feira, novembro 06, 2006

Estatuto do Provedor dos Leitores do Diário de Notícias

O estatuto do provedor dos leitores do Diário de Notícias, aprovado por unanimidade pelo Conselho de Redacção, tem o seguinte teor:

Preâmbulo

O Conselho de Administração e a Direcção do Diário de Notícias decidiram institucionalizar o cargo de provedor dos leitores por entenderem que, perante a complexidade dos problemas éticos e deontológicos do jornalismo, as empresas mediáticas têm o dever de promover formas de diálogo institucionalizado com os leitores. O provedor dos leitores – também designado por ombudsman ou defensor dos leitores – constitui uma forma de auto-regulação e uma instância de crítica regular com provas dadas, na imprensa americana e europeia, ao longo de mais de 30 anos.
A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.
A intervenção do provedor dos leitores processa-se sempre a posteriori, pelo que este não integra qualquer órgão da empresa ou do jornal com funções executivas nem participa em reuniões que se destinem a planificar edições ou iniciativas do jornal. O presente estatuto visa garantir a independência do provedor perante a Administração, a Direcção e a Redacção do jornal, indispensável ao bom exercício da sua missão.
À semelhança do que sucede em experiências análogas, a impossibilidade de renovação do contrato e a circunstância de não pertencer ao quadro de pessoal da empresa proprietária do Diário de Notícias destinam-se a garantir a autonomia do provedor dos leitores.

Estatuto

1. O provedor dos leitores do Diário de Notícias (adiante designado apenas por provedor) é uma entidade independente que tem por missão assegurar a defesa dos direitos dos leitores.
2. Compete ao provedor dos leitores:
2.1 Analisar as reclamações dúvidas e sugestões formuladas por escrito pelos leitores.
2.2 Proceder à crítica regular do jornal, com base nas regras éticas e deontológicas do jornalismo.
2.3 Analisar e criticar aspectos do funcionamento e do discurso dos media que se possam repercutir nas reclamações com os respectivos destinatários.
3. O provedor dos leitores exerce a sua função crítica através da secção semanal que publica no Diário de Notícias, da inserção pontual de textos (sempre que a importância do assunto o justifique) e de recomendações internas dirigidas à Direcção e ao Conselho de Redacção.
4. No exercício das suas funções, o provedor dos leitores pode solicitar à Administração, à Direcção, aos editores, aos jornalistas e ao Conselho de Redacção esclarecimentos sobre questões com incidência ética e deontológica, os quais devem ser prestadas, por escrito, no prazo de 72 horas.
4.1 As tomadas de posição do provedor dos leitores sobre textos assinados por jornalistas devem, sempre que possível, ser precedidas de esclarecimento prévio do respectivo autor ou, na ausência deste, do editor da secção.
5. O director do Diário de Notícias indigitará e nomeará provedor dos leitores uma personalidade de reconhecido prestígio, credibilidade e honestidade.
5.1 A nomeação depende de parecer favorável do Conselho de Redacção, que deve pronunciar-se sobre a personalidade indigitada, através de parecer fundamentado, no prazo máximo de dez dias, sob pena de aceitação.
6. A nomeação do provedor dos leitores vigora por um período de 3 (três) anos, não prorrogáveis.
6.1.1 As funções do provedor dos leitores cessam:
6.2.2 Por iniciativa do próprio provedor dos leitores.
6.3.3 Pelo não exercício do cargo durante um período superior a dois meses em cada ano.
7. Será celebrado um contrato entre o titular do cargo de provedor dos leitores e a empresa jornalística proprietária do Diário de Notícias, com vista a garantir o cumprimento deste estatuto e especificar as condições de exercício do cargo.
8. O código deontológico do Jornalista, o Estatuto Editorial e o Livro de Estilo do Diário de Notícias, do qual este estatuto constitui parte integrante, são referências obrigatórias do provedor dos leitores.