terça-feira, maio 29, 2007

Hoje, às 18h

As Edições MinervaCoimbra, o Director da Colecção Comunicação, a Autora e a Bulhosa Livreiros convidam para o lançamento do livro

OS JORNALISTAS PORTUGUESES
Dos problemas de inserção aos novos dilemas profissionais

de Sara Meireles Graça.

A apresentação será feita por Adelino Gomes (Jornalista) e pelos Profs. Drs. Cristina Ponte e José Luís Garcia.

A sessão realiza-se AMANHÃ dia 29 de Maio, pelas 18h00, na Livraria Bulhosa de Entrecampos (Campo Grande, 10B), em Lisboa.


Este livro centra a sua atenção na relação entre os problemas do acesso ao jornalismo e as transformações tecnológicas e económicas que incidem, de forma penetrante, nas práticas e perfis profissionais dos jornalistas portugueses, com ênfase particular desde os anos 1990. O período estudado reporta-se a essa altura e até aos nossos dias. A principal hipótese explorada pela autora é a de que se tem assistido, neste intervalo, a modificações de grande alcance, quer na concepção e práticas do jornalismo, quer no contexto mais próximo em que o seu exercício profissional se actualiza.
A hipótese avançada tem subjacente a ideia de que o jornalismo está situado e condicionado, de uma forma nevrálgica, nas enormes mudanças que as sociedades contemporâneas têm vindo a conhecer, como produto do dinamismo técnico-económico e da orientação globalizante neoliberal. A autora refere-se à conjugação dos movimentos de inovação tecnológica com as realidades da esfera comercial, numa fase em que o mercado é imposto como único mecanismo de regulação da economia.
Como se processa a entrada na profissão de jornalista em Portugal? Obedece a algum modelo? Existem critérios universais de qualificação? Verifica-se algum padrão de atributos necessários ao exercício do ofício e que tenham relevância para a entrada na profissão? O enquadramento legal é respeitado? Qual o papel da escolaridade no ingresso e exercício da profissão? E o do estágio? Qual a relação entre as orientações empresariais para a entrada na profissão e as situações de precariedade? Até que ponto a presença – ou ausência – de uma delimitação precisa e reconhecida do que é ser jornalista, contribui – ou não – para a própria independência do jornalismo? Para onde apontam, a este respeito, os principais dilemas que envolvem a profissão, no actual quadro de mutação tecnológica e de aguda competição empresarial?
Sara Meireles Graça tenta obter respostas às interrogações formuladas, a partir da observação sociológica de diversas fontes: dados provenientes da última inquirição nacional realizada aos jornalistas portugueses , elementos estatísticos do Sindicato de Jornalistas e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, artigos e pequenos estudos que têm vindo a ser produzidos nesta área, assim como análises feitas noutros países europeus com problemas que apresentam algum grau de similitude com o caso português.


«Enquadrado por uma perspectiva crítica, este livro de Sara Meireles Graça examina algumas das principais linhas de força da realidade dos mass media que têm estado, desde os anos 1980 e sempre com maior intensidade, a concorrer para a obsolescência dos ideais do jornalismo como actividade profissional orientada por uma intenção cultural e cívica.
Ancorando-se no estudo sociológico dos jornalistas portugueses, um âmbito que a autora explora com conhecimento e detalhe, esta investigação ilumina os problemas relativos à quase ausência de especificidade das formas de ingresso no jornalismo profissional, sem descuidar a correspondência deste problema com as dinâmicas de concentração económica, a conexão com outros sectores ou negócios e as transformações tecnológicas de largo espectro que constrangem radicalmente a estrutura informativa e comunicacional nas últimas duas décadas. No interior deste panorama, os jornalistas deparam-se crescentemente com sérias dificuldades para escapar aos embaraços e coacções da rentabilidade mediática».

José Luís Garcia
Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa


SARA MEIRELES GRAÇA nasceu em Guimarães a 20 de Setembro de 1974. Vive actualmente em Coimbra.
Obteve a Licenciatura em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra (ESEC-IPC) em 1999. É Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) desde 2003.
Foi jornalista profissional entre 1996 e 2000 em publicações diárias (Público, As Beiras, 24 horas).
É docente da área de Ciências da Comunicação, das Organizações e dos Media na ESEC desde 1999, onde tem leccionado diversas disciplinas na Licenciatura em Comunicação Social, entre as quais Direito e Deontologia da Comunicação Social, Géneros Jornalísticos, Discurso dos Media e Sociologia da Comunicação. Tem sido responsável pela colocação e acompanhamento dos estágios curriculares em Imprensa desta Instituição.
Realiza o doutoramento em Ciências Sociais, variante de Sociologia, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL).
Interessa-se pelo estudo das transformações no jornalismo e nos jornalistas no novo ambiente económico e tecnológico da indústria dos media. Tem ainda colaborado no ICS-UL na realização de eventos na área científica de Ciência, Tecnologia e Sociedade, sob orientação de Hermínio Martins e José Luís Garcia.

http://minervacoimbra.blogspot.com

recebido da Edições MinervaCoimbra
Rua de Macau, 52
3030-059 Coimbra

Contactos:
Telm.: 917640027
Tel: 239 701117 / 239 716204

sexta-feira, maio 18, 2007

ANTÓNIO BROTAS

17 de Maio de 2007

Caro Mário Lino,

Acho que deviamos enterrar o machado da guerra durante 6 meses.

O Mario Lino pode estabelecer um protocolo com o seu colega da Defesa com vista à utilização das bases militares por voos low cost. Se alguns voos, mesmo que muito poucos, aterrassem no Montijo ou em Sintra já neste verão, seria óptimo. Todos ficariam contentes.

Eu enviarei um texto aos candidatos à Câmara de Lisboa ( na realidade já quase escrito) em que direi que o trânsito em Lisboa está mau e irá piorar enquanto não houver uma coordenação (um espaço de encontro e diálogo) entre a Câmara e a empresa do metro. Em particular, analisarei as extensões (a meu ver erradas) da rede vermelha do metro para o Aeroporto e para Campolide (bairro) . Lamentarei que tenha sido posta de lado a saida prevista para o lado de Sacavem que evitaria a entrada diária de dezenas de milhares de carros na cidade. Direi que a ligação da gare do Oriente ao Aeroporto podia ser feita com um investimento incomparavelmente menor (e mais cómodo para os utentes) por 6 autocarros que, intervalados de 3 em 3 minutos nas horas de ponta, fizessem uma navete pela Avenida de Berlim. Referirei os benefícios para a cidade trazidos pela ida do metro até Telheiras e Odivelas e poderei lembrar que esta extensão da rede foi atrasada pela doutrina do engenheiro Ferreira do Amaral, que disse que, enquanto fosse ministro, o metro não sairia da cidade. Direi que, do outro lado, o metro devia ir à estação de Campolide e não ao bairro de Campolide e que devia depois descer a Av. de Ceuta porque, transportados à superfície, os futuros moradores nesta avenida (que alguns pensam urbanizar com torres) irão inevitavelmente engarrafar o táfego vindo pela Autoestrada e pela Marginal. No que diz respeito a Campo de Ourique, o acesso às traseiras do bairro pode ser feito por escadas rolantes a partir de uma estação na Av. de Ceuta. É o processo de dignificar toda aquela zona. Uma linha vermelha do metro de Sacavém a Belém seria fabulosa! Enfim, são questões de simples bom senso de quem pensa um bocado e conhece o local, e que podem, talvez , sensibilizar os candidatos.

O Mário Lino pode sondar os espanhois sobre a possibilidade dos dois paises acordarem na construção, com grande prioridade, da linha de Badajoz ao Pinhal Novo. As empresas portuguesas podem começar a estabelecer contacto com as empresas espanholas que estão a construir a linha de Madrid a Badajoz, em particular, com as que ganharam agora a construção do troço do Montijo (em Espanha) a Badajoz. Se tudo resultar bem, os contratos poderão ser assinados antes das legislativas de 2009 e a inauguração da linha antes das de 20013.

Eu escreverei um artigo (com pouca projecção ) em que chamarei a atenção da Secretária de Estado Ana Vitorino para o facto de ser errada a prioridade da linha de Sines a Évora para chegar directamente a Badajóz. A prioridade é a da linha de Sines à plataforma Logística do Poceirão e ao Pinhal Novo, donde seguirá para Badajoz pela linha mista TGV (para passageiros e mercadorias). A linha para Sines será, obviamente, quase exclusivamente destinada a mercadorias e quando muito, a uma automotora.

O Mário Lino, numa primeira ocasião (numa visita à Beira) dirá que mandou estudar a linha de Aveiro a Vilar Formoso.

Eu escreverei um artigo (que tentarei publicar nos jornais regionais) em que apoiarei calorosamente a notícia e em que aproveitarei para fazer um apelo aos autarcas de Viseu (de todos os partidos) para se deixarem da fantasia do ramal ( de bitola ibérica) de Alcafache a Viseu e se concentrarem no problema de saber se o futuro TGV irá passar a Norte ou a Sul de Viseu. Continuarei, naturalmente, a fazer um apelo aos candidatos à Câmara de Lisboa para se interessem pelo problema da travessia do Tejo, que deve anteceder a definição do trajecto da futura linha TGV para o Porto e a localização do NAL.



O Mário Lino (que sabe ser impossivel estar pronto nos tempos mais próximos um projecto do aeroporto da Ota apresentavel para efeito de avaliação do impacto ambiental - que obriga, segundo as normas europeias, a um periodo de consulta pública não inferior a um mês) pode recomendar à NAER que envie para apreciação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil o projecto da Parsons para consolidação dos terrenos argilosos do leito das ribeiras (que prevê a necessidade das 230 mil estacas de brita com 90 cm de diâmetro) dando-lhe o prazo de 6 meses para emitir um parecer. Os engenheiros portugueses, a quem será reconhecida alguma importância neste processo, ficam todos agradados.

Eu escrevo um carta ao Reitor da Universidade Nova pedindo-lhe para organizar um seminário (em que eu seja um dos participantes) em que seja analisado o trabalho dos docentes desta Universidade sobre o choque de aeronaves com aves, referido pela Ministra Elisa Ferreira na sua intervenção televisiva de 1999 em que "chumbou"o aeroporto do Rio Frio e, ainda, a critica que, na mesma altura, enviei à referida Ministra. Sugerirei também, que a mesma Universidade e/ou ou LNEC, organizem um encontro com especialistas portugueses e eventualmente alguns estrangeiros convidados, para estudarem o duplo problema da conservação dos aquíferos da margem Sul e do impacto que sobre eles pode ter a construção de um aeroporto e de outras estruturas, e ecreverei artigos para sensibilizar a opinião pública para a necessidade de fazer estes estudos.

O MOPTC, inicialmente não muito particularmente interessado, pode aceitar aos poucos a realização, eventualmente com a colaboração do Ministro Mariano Gago, destes estudos fundamentais para uma tomada de decisão sobre a localização do NAL.

O importante é serem mantidas durante estes 6 meses as possibilidades de entendimento. Se me for possivel entragar-lhe hoje esta carta de mão própria entrego-lhe-ei também um exemplar do livro " O Erro da Ota", lançado ontem no Porto.

Com as melhores saudações

António Brotas

(Carta entregue por mão própria a 17 de Maio)

quinta-feira, maio 17, 2007

2007 IPA Freedom Prize

Special Award goes to Dink and Politkovskaya


Geneva, 16/05/2007

Publisher Ncube of Zimbabwe receives 2007 IPA Freedom Prize for his exemplary courage in upholding freedom of expression. IPA also awards a special posthumous prize to Hrant Dink of Turkey and Anna Politkovskaya of Russia.


During the opening ceremony of the 2nd Cape Town Book Fair on 15 June 2007, Zimbabwean publisher Trevor Ncube will be receiving the 2007 IPA Freedom Prize in recognition for exemplary courage in upholding freedom of expression and freedom to publish in his country and internationally.



enviado por The board of the International Publishers’ Association (IPA) selected Trevor Ncube as Prize-winner from among many highly commendable candidates, nominated by IPA members, individual publishers and human rights’ organisations.

Ana Maria Cabanellas, President of IPA, declares: “Trevor Ncube’s work as a publisher and his wholehearted support of freedom of expression have often brought him into conflict with Zimbabwean authorities and endangered his personal safety. Despite repeated threats of violence and attempts to strip him of his Zimbabwean citizenship, Trevor Ncube’s newspapers have persistently continued to expose corruption and human rights abuses in Zimbabwe, thus encouraging healthy dissent and criticism both in the public and private sectors.
We award this Prize to Trevor Ncube in deep respect for his courage as a publisher and as a salute to the passion, the integrity, and the steadfastness that he so marvellously demonstrates”.



On the same occasion, IPA will be awarding the “2007 IPA Freedom Prize—Special Award” to Hrant Dink and Anna Politkovskaya. Hrant Dink, a Turk of Armenian descent, was the editor-in-chief of the Armenian-Turkish weekly newspaper Agos, which sought to provide a voice for the Armenian community and create a dialogue between Turks and Armenians. In October 2006, he was convicted and given a six-month suspended sentence for the crime of “insulting Turkishness” under Article 301 of the Turkish Penal Code. On 19 January 2007, he was shot dead on the street in front of his Istanbul office at the age of 52.



Anna Politkovskaya was the special correspondent for the Russian newspaper, Novaya Gazeta, who documented the horrific crimes committed in the war in Chechnya. She was also an outspoken critic of Vladimir Putin and of the Kremlin’s role in Chechnya. She was shot and killed in her apartment building in Moscow on 7, October 2006, the apparent victim of a contract killing. She was 48.



Bjørn Smith-Simonsen, Chair of IPA’s Freedom to Publish Committee, says: “The murders of Dink and Politkovskaya were vile. In giving them the ‘2007 IPA Freedom Prize—Special Award’, we rise to celebrate their courage, their humanity, and their witness. We rise to celebrate the free word in the face of oppressive regimes. We also hope that this special award will remind the Russian and Turkish authorities that full light must be shed on all the aspects of these two cases”.


More about Trevor Ncube, recipient of the 2007 IPA Freedom Prize:
Born and educated in and outside Zimbabwe, Trevor Ncube became Lecturer in Political Science at the University of Zimbabwe. He left to become Deputy Editor of the financial weekly, 'Financial Gazette' before joining 'The Zimbabwe Independent' as Editor. He later bought the paper as well as its sister weekly, 'The Standard'. After a few years he also acquired the South African based regional weekly, 'The Mail and Guardian'. Ncube is currently the Chief Executive of the three independent weeklies, the only private and critical newspapers still published in Zimbabwe.

More about the IPA Freedom Prize and the Cape Town Book Fair:
Created in 2005, the IPA Freedom Prize is awarded for exemplary courage in upholding freedom of expression and freedom to publish. It is intended to honour, normally each year, a person, organisation or institution that has made a notable contribution to the defence and/ promotion of freedom to publish anywhere in the world. The prize-winner receives the sum of 5’000 CHF (approximately 3’000 EUR or 4’000 USD).

The IPA Publishers’ Freedom Prize will be presented during the opening ceremony of the 2nd Cape Town Book Fair on 15 June 2007 by IPA President Ana Maria Cabanellas. For more on this event, whose theme for 2007 is “More than Black on White”, please see: www.capetownbookfair.com



More about IPA:
The International Publishers Association is the global non-governmental organisation representing all aspects of book and journal publishing worldwide. Established in 1896, IPA's mission is to promote and protect publishing and to raise awareness for publishing as a force for cultural and political advancement worldwide. It is an industry association with a human rights mandate. IPA promotes intellectual property, fights against censorship and



IPA currently has 65 member associations in 53 countries.



For further information, please contact:
Alexis Krikorian

Director, Freedom to Publish

International Publishers Association

3, avenue de Miremont

CH - 1206 Geneva

Tel: +41 22 346 3018

Fax: +41 22 347 5717

E-mail: krikorian@ipa-uie.org


enviado por Yavuz BAYDAR

PROVEDORIAS, no DN

MUDANÇAS...

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt


Os leitores têm dado opiniões muito diversas sobre as mudanças ocorridas recentemente no DN.

Uma leitora, Maria Augusta Oliveira (28/04), escreveu: "Se eu tivesse de assumir a direcção de um jornal, o modelo actual do Diário de Notícias não me traria a tentativa da influência em que sempre se vai beber quando se quer empreender.

De um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos. Certo, tal como nas gravuras que acompanham um texto complicado, as imagens podem servir de apoio ou de guia à inteligência, mas a sobriedade na sua utilização dá distinção à imagem de um jornal cuja preocupação seja transformar a sensação em consciência.

Palavras, torrentes de palavras de excelentes colaboradores como o DN sempre teve para o prazer de ler um jornal! - assim é, por exemplo, o Le Monde.

O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural, uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também.

Assim, também, os assuntos que são chamados à 1.ª pág. se têm manifestado pouco apelativos, sendo a escolha, de entre as realidades, as 'suas realidades'."

O recurso à simulação "Se eu fosse director do DN", apesar de ser um exercício interessante, não tem efeitos práticos: cada director imprime o seu cunho ao jornal, sendo provável que outra pessoa, no seu lugar, fizesse escolhas diferentes. Este e-mail revela também aspirações a que o DN dificilmente pode corresponder: tal como Portugal não é a França, o DN não é o Le Monde.

Já mais complexa é a consideração feita pela leitora de que "de um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos." O papel das imagens é um terreno de oposições muito marcadas. O jornal citado, o Le Monde, é aliás disso um bom exemplo. O formato em que as imagens estavam ausentes foi considerado ultrapassado e pouco apto a responder aos desafios do mercado francês, sendo portanto abandonado. Na altura, esta mudança deu origem a abundante correio ao provedor (médiateur) do Le Monde. Hoje, o jornal usa as imagens com frequência e, por vezes, em grande destaque. O argumento da leitora faz crer que as imagens são elementos de segunda ordem, comparados com a palavra escrita, excelsa e inultrapassável. Ora muitos leitores e pensadores estão longe de validar tal visão das coisas, considerando que a imagem tem uma dignidade própria e um papel decisivo na imprensa de hoje. Podemos lembrar, com José Pacheco Pereira, que as imagens ocupam mais espaço de um disco duro do que o texto, e que isso se deve também à sua grande complexidade informativa.

"O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também." Ainda bem que a leitora usou o termo cautela, matizando o juízo mais definitivo que depois adianta. De facto, a prudência exige que não se reproduzam chavões e juízos automáticos. Agrilhoar as pessoas ao passado, sem lhes deixar margem de manobra e autonomia, é, claro, mais fácil do que avaliar os resultados das suas acções. Evitar estes atalhos tem benefícios. É complicado reformar uma instituição, sobretudo com uma história tão antiga como tem o DN. Os leitores criaram hábitos. Uma das dificuldades das novas direcções tem sido a corrida contra o tempo, que se insere no quadro do declínio gradual do número de leitores de jornais. O DN necessita de manter os leitores tradicionais e tentar simultaneamente alargar o seu público, o que é obviamente difícil e nem sempre foi conseguido nestes três últimos anos.

O leitor Jorge Galvão Videira (05--05-2007) sintetizou de outra forma as mudanças recentes no DN: "Na minha opinião houve algumas alterações que melhoraram o DN, como sejam:

- Organização do jornal, que facilita a leitura;

- Criação das faixas - o que vai acontecer hoje e amanhã

- Suplementos melhores, sendo de realçar o de Economia, com melhor organização e apresentação.

Também há aspectos, e alguns importantes, que pioraram, a saber:

- Sensacionalismos na 1.ª pág., o que não se coaduna com um "jornal de referência"; hoje há três Correio da Manhã (o próprio, o Público e o DN). O destaque, na 1.ª pág. dado a notícias como a operação do Eusébio ou a derrota de Mourinho é superior ao dado no jornal A Bola.

- Viragem à direita em termos políticos, visível pela cessação de colaboração de alguns, bons, jornalistas (não compensada pelo fim do pesadelo que eram os artigos de Luís Delgado).

- Suplemento Gente, sem qualquer interesse."

Já me referi, em anterior crónica, ao relativo equilíbrio de algumas soluções gráficas, que introduziram roturas mas respeitaram, em geral, a tendência gráfica do jornal. A criação de "faixas" [na gravura do Bloco--Notas] é, de facto, uma mais-valia para os leitores, um verdadeiro ovo de Colombo que, presumo, vai ter muitos seguidores na imprensa. Estas "faixas" permitiram aos leitores situar-se, no dia-a-dia, nas inúmeras actividades que hoje atravessam a parte do País que pode estar atenta. No domínio das Artes, da Política, dos Media, da Economia. Os leitores sabem hoje mais facilmente onde podem aplicar algum tempo livre ou profissional com proveito. Neste domínio da divulgação da agenda dos acontecimentos, o DN está a fazer um excelente trabalho para o leitor.

Irei, em próximas crónicas, analisar a acusação de sensacionalismo, a mudança de cronistas, a intitulada "viragem à direita", a primeira e última página e a página do Editorial. Pena que restem tantos assuntos para as poucas crónicas agendadas.

BLOCO NOTAS

DN na ONO

A ONO (Organization of News Ombudsman) vai realizar a sua próxima conferência anual de 20 a 23 de Maio. Em Boston, nos EUA, vão reunir-se provedores de órgãos de comunicação de todo o mundo. Estarão representados 13 países. Até ao momento, dos órgão de comunicação social portugueses, estará representado apenas o DN. O tema da conferência é “ Provedores (Ombudsman) num tempo de transição”, mostrando que o mundo é composto de mudança, como escreveria Camões. A sessão onde irei falar “Is There a shared Watchdog Role for the Public, the Blogs and Ombudsman?” será moderada por Geneva Overholser, da Missouri School of Journalism e terá a intervenção de Jeff Jarvis, Blogger, autor de um blogue intitulado Buzzflash. Entre outros, intervirão Dan Ockrent, primeiro provedor dos leitores do New York Times. Ian Mayes, presidente da ONO e jornalista do The Guardian, dialogará com Bill Kovach, fundador do Committee of Concerned Journalists, que esteve recentemente entre nós. (ver o programa da Conferência e outras informações em http://sotextosmesmo.blogspot.com/)

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN


DRAFT PROGRAM: ONO Conference 2007

“Ombudsmen in a Time of Transition”

Walter Lippmann House
The Nieman Foundation
1 Francis Street
Cambridge, Massachusetts


Sunday May 20th, 2007

10 am- 4 pm
Executive Committee Meeting
Lippmann House Library

6:30 pm- 8 pm Cocktails & Reception
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

8:15 pm Dinner in Cambridge (free night)

Monday May 21st, 2007

8:30-9:30 am
Continental Breakfast
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30 am
Nieman Welcome
Bob Giles, Curator, Nieman Foundation
ONO Welcome
Ian Mayes, President of ONO, The Guardian

10 am-12 noon 1st session
“Ombudsmen in the Digital Future”
Ian Mayes, The Guardian
Alan Rusbridger, Editor, The Guardian

12-1:30 pm
Lunch at the Nieman Foundation, Courtesy of ONO

1:30- 3:30 pm
2nd session
“Russian Journalism After the Murder of Anna Politkovskaya”
Video excerpt from PBS documentary: “Democracy on Deadline: The Global Struggle for an Independent Press”
Andrei Richter, Director, Moscow Media Law & Policy Institute
“Turkish Journalism after the Murder of Hrant Dink”
Yavuz Baydar, Sabah, Istanbul

3:30- 4:00 pm Coffee break


4:00- 5:30 pm 3rd session
Shop Talk/ Ethics for Ombudsmen Discussion
Moderated by Wayne Ezell, Readers’ Advocate, Florida Times- Union
Pam Platt, Public Editor, Louisville Courier-Journal
Stephen Pritchard, Readers’ Editor, The Observer
CB Hanif, Ombudsman, Palm Beach Post


6:00 pm Bus transportation departs from The Inn at Harvard for Emerson College, 120 Boylston Street, Boston

6:30 pm Reception at Semmel Theatre, Emerson College
Courtesy of Emerson College Department of Journalism
Welcome by Ian Mayes of The Guardian

7:15 pm 5th session
“Investigative Journalism and Ombudsmen”
Moderated by Sally Begbie of SBS Corporation, Australia

Video excerpt from PBS documentary: “News War”
Louis Wiley, Executive Editor, PBS Frontline
Janne Andersson, Tittarombudsman, Swedish TV4
Michael Getler, Ombudsman, PBS

8:30 pm Dinner around Emerson College (free night)


Tuesday May 22nd, 2007

8:30-9:30 am Continental Breakfast
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30-10:45 am 6th session
“How to Bite the Hand that Feeds You”
Manning Pynn, Public Editor, Orlando Sentinel
In discussion with:
Joann Byrd, former Ombudsman, Washington Post
Richard Chacon, former Ombudsman, Boston Globe

10:45-11:00 am Coffee Break

11:00- 12 noon 7th session
“Looking Back and Looking Forward”
Moderated by Gina Lubrano, former Ombudsman, San Diego Union Tribune
Henry McNulty, first Ombudsman of the Hartford Courant
Dan Okrent, first Public Editor of The New York Times

12:00-1:30 pm Lunch
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

1:30- 3:00 pm 8th session
“Is There a Shared Watchdog Role for the Public, the Blogs & Ombudsmen?”
Moderated by Geneva Overholser, Missouri School of Journalism
José Carlos Abrantes, Provedor dos Leitores, Diario de Noticias
Jeff Jarvis, Blogger, Buzzflash

3:00- 3:15 pm Coffee Break

3:15- 5 pm 9th session
“How Can Ombudsmen Best Serve the Public?”
Ian Mayes, The Guardian
In conversation with:
Bill Kovach, founder of the Committee of Concerned Journalists

6:30 pm Dinner out in Cambridge (free night)


Wednesday, May 23, 2007

9:00- 9:30 am Continental Breakfast
Lippmann House of Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30-10:30 am 10th session
“Virtues of Fairness” (Is it fairness becoming more difficult?)
Bob Giles, Curator of Nieman Foundation

10:30- 12 noon Plenary business session
- Election of new officers and directors
- Results of the committees (funding, ethics & outreach)
- Discussion of future conferences

12 noon Adjourn




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© José Carlos Abrantes

sexta-feira, maio 11, 2007

À ESPECIAL ATENÇÂO DOS CANDIDATOS À CÂMARA DE LISBOA

"Lisboa, 11 de Maio 2007

Caro Engenheiro Pompeu,

Assisti ontem à sua conferência na Sociedade de Geografia. Não tive perguntas a fazer porque foi bastante claro no que disse. Houve, no entanto, questões de que discordei profundamente.

Assim, por exemplo, disse não comcordar de uma futura linha de Aveiro a Vilar Formoso e preferir a actual linha da Beira Alta que (no seu entender) deverá um dia mudar para a bitola europeia.

Ora, a actual linha da Beira Alta é uma linha de via única, de bitola ibérica que terá de continuar a funcionar com esta bitola durante, talvez, duas décadas., pelo menos enquanto a Espanha receber comboios esta bitola .

Os espanhois estão a rectificar as curvas e a alargar a plataforma da actual linha de via única e bitola ibérica de Salamanca a Vilar Formoso de modo a nela instalar duas vias , uma de bitola ibérica e outra de bitola europeia, para funcionarem as duas nos dois sentidos. Só prevêm mudar bastante mais tarde a bitola da via ibérica, ficando então com uma via dupla de bitola europeia.

Há cerca de dois anos vi num desenho, retirado do volumoso processo destinado à avaliação do impacto ambiental o traçado exacto destas vias. Nós estamos atrasadíssimos.

A meu ver, o projecto português só pode ser o da manutenção com bitola ibérica, por mais talvez duas décadas, da nossa linha da Beira Alta (muito vocacionada para o transporte de minério para o porto da Figueira da Foz) mas fazendo desde já e com grande urgência o estudo da futura linha de bitola europeia de Aveiro a Vilar Formoso para os dois paises, se o desejarem, darem prioridade à sua construção numa próxima Cimeira Ibérica.

Esta linha deverá ser uma linha mista para passageiros e mercadorias, e não sendo uma linha TGV deverá permitir velocidades da ordem dos 220 km/h. Como futura linha principal de ligação ao exterior deverá ser de via dupla, sendo a plataforma preparada para isso, podendo no entanto, no início, ter uma só via, de bitola europeia, naturalmente.

Referi esta proposta na minha conferência de 18 de Abril na Sociedade de Geografia e penso que pode ter uma aceitação consensual.

Os encontros que se têm realizado na Sociedade de Geografia, entre eles as suas conferência, têm sido muito uteis, mas é necessário que as opiniões apresentadas numas não sejam esquecidos nas outras.

Assim, acho importante lembrar o debate do dia 6 de Março entre a Senhora Secretária de Estado dos Transportes, Engenheira Ana Vitorin, e o Engenheiro Arménio Matias, fundador e Presidente durante muito tempo da ADFER, sobre a travessia do Tejo pelos comboios TGV.

Num esquema um pouco simplificado, os três grandes problemas que em matéria de infraestruturas de transportes (estou neste momento a excluir os portos) exigem uma decisão, na metade Sul do País, num prazo relativo curto são :

1- A travessia do Tejo a entrada dos comboios TGV em Lisboa e a escolha da sua estação terminal.

2- Definição do traçado da futura linha TGV de Lisboa para o Porto e prioridade a dar à sua construção.

3- Localização do novo aeroporto de Lisboa (NAL).

Todos estes problemas estão obviamente ligados. Mas não precisamos de chegar a uma solução simultanea para todos. Se mantivermos um diálogo e, permito-me dize-lo, algum bom senso, acho que poderemos dar progressivamente passos consensuais, que nos permitirão chegar às melhores soluções..

Foi o que defendi na minha conferência de 18 de Abril.

Hoje, para facilitar futuras discussões, vou apresentar em conjunto as respostas para os problemas citados dadas pelos os diferentes intervenientes, tal como as apreendo a partir da informação que me tem chegado.

Proposta A . ( Que julgo ter sido a proposta do MOPTC até 2005)

1-Travessia do Tejo por uma ponte para o Barreiro destinada aos TGV para Badajoz, Algarve, Porto, para um schuttle para o aeroporto da Ota e ainda para uma circular ferroviária.

2- Linha TGV para o Porto considerada prioritária a passar na Ota e, depois, entre as serras dos Candeeiros e de Montejunto.

3- Novo aeroporto na Ota.

Proposta A’ . ( Que julgo ser a proposta do MOPTC depois de 2005)

Semelhante à anterior mas com a variante da ponte para o Barreiro não servir para os trajectos para o Porto e para a Ota. Para este fim é prevista uma entrada para os TGV a Norte de Lisboa pelo Lumiar.

No final de Março foi precisado que a estação terminal seria nas Olaias.

Proposta A" . ( Proposta do Engenheiro Pompeu Santos)

1- Semelhante à proposta A com a estação terminal em Chelas.

2- Não sei exactamente qual é o traçado que propõe para o TGV para o Porto.

3- Novo aeroporto na margem Sul.

Proposta B. ( Proposta do Engenheiro Arménio Matias)

1-Travessia do Tejo por um tunel para o Montijo destinada aos TGV para Badajoz, Algarve, Porto, e ainda para uma circular ferroviária. Estação terminal em Lisboa nas Olaias.

2- Linha TGV para o Porto a utilizar o tunel para o Montijo e por um trajecto possivelmente ainda a estudar..

3- Novo aeroporto na margem Sul.



Proposta B’. ( Proposta do Arquiteto José Tudela)

Semelhante ao do Engenheiro Arménio Matias, mas com a variante dos TGV partirem de Santa Apolónia paralelamente ao Tejo entrando num tunel de modo a ganharem profundidade inflectindo depois para a direita para atravessarem o Tejo na direcção do Montijo, inicialmente por um tunel e depois por uma ponte.

Proposta C ( A proposta que a meu ver teria sido a melhor)

1- Entrada dos TGV em Lisboa pela actual ponte Vaso da Gama que teria sido rodo-feroviária, com a estação terminal na antiga gare de triagem da CP de Beirolas vendida à EXPO que construiu lá uma urbanização.

2- Linha TGV para o Porto seguiria pela margem Sul até perto da Chamusca atravessando aí o Tejo e passando perto do Entroncamento que guardaria as suas características de centro ferroviário.

3- Novo aeroporto na margem Sul.

Proposta C’ ( Proposta que julgo ser neste momento a preferivel)

1- Saida dos TGV de Lisboa por Sacavém, seguindo paralelamente ao Tejo (possivelmente entre o IC2 e o rio) até perto de Alhanda, para aí, depois de ganhar altura, passar num viaduto diante da vila de modo a não perturbar a sua vida ribeirinha para, depois inflectir à direita e atravessar o Tejo na direcção do Porto Alto sem passar sobre a Reserva Ecológica do Tejo.

1’- Estação de partida na Gare do Oriente, o que é possivel desde que se reserve uma zona de manobra a Sudoente.

2- Linha TGV para o Porto pela margem Sul até perto da Chamusca.

3- Novo aeroporto na margem Sul.



Proposta C’’ ( Variante da anterior)

1-Passagem dos comboios por um tunel com cerca de 8 km em Alhandra e Vila Franca, com a passagem do Tejo depois de Vila Franca, ou utilização de algum processo para quadriplicar as vias sem prejudicar demasiado a vidad à superficie.

2- TGV para o Porto pela margem Norte ou pela margem Sul. seguindo paralelamente ao Tejo (possivelmente entre o IC2 e o rio) até perto de Alhanda, para aí, depois de ganhar altura, passar num

3- NAL na margem Norte, ou na margem Sul.



Proposta D ( Proposta apresentada no PROTAML elaborado pela CCRLCT, creio que em 2004)

1- Os TGV vindos de Badajoz a meio do Alentejo inflectem para ir passar o Tejo acima da Azambuja, para passarem na Ota para depois virem até Lisboa entrando pela margem Norte não sei bem por onde.

2- Também não conheço o trajecto propsto para TGV para o Porto.

3- Novo aeroporto na Ota. (O trajecto referido em 1, permitiria aos passageiros vindos de Madrid por TGV irem ver o aeroporto onde tinham decidido não aterrar).

Proposta D’ ( Variante da anterior proposta pelo Professor Manuel Porto há uns anos atrás )

1- Os TGV vindos de Badajoz iriam ao Entroncamento receber os passageiros vindos do Centro vindo depois para Lisboa indiferentemente pela margem Norte ou pela margem Sul.

Nesta apresentação cometi certamente alguns erros. Disponho-me a corrigi-los logo que mos assinalarem. Haverá, eventualmente, outras propostas. Se for o caso peço que mas assinalem.

Penso que embora esquemática esta apresentação será util para discutir-mos as vantagens e inconvenientes das diferentes soluções.

Espero que este debate tenha continuidade em encontros na Sociedade de Geografia e noutras ocasiões, como é o caso do encontro organizado pela ADFER no na Gare Marítima de Alcântara no dia 25 de Maio.

Com as minhas melhores saudações

António Brotas

PS- Espero que os candidatos à Câmara de Lisboa nestas próximas eleições se interessem por estes assuntos, muito em especial pelos problemas da estrada dosd >TGV em Lisboa e escolha da estação central.

Faço notar que a solução actualmente proposta das duas entradas, ponte para o Barreiro e da entrada pelo Lumiar, obriga a cerca de 10 km de vias de bitola europeia para os comboios TGV no interior de Lisboa não se sabendo ainda onde serão em tunel, em viaduto ou à superfície.

A apresentação pública deste projecto para avaliação do seu impacto ambiental, não está, certamente, prevista para breve, mas dadas o seu impacto impacto sobre a cidade convém que nos comecemos, e muito em especial os eleitos, a interessar por ela."

Carta enviada por António Brotas

domingo, maio 06, 2007

A OTA e ...António Brotas

"----- Original Message -----
Sent: domingo, 6 de Maio de 2007 11:13
Subject: Fw: Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGRO SOBRE O AEROPORTO DA OTA

6 de Maio
Exmo. Senhor Bastonário,
Congratulo-me por ver a Ordem dos Engenheiros promover um encontro sobre a problemática do aeroporto da Ota, como é o caso do jantar-debate do próximo dia 9 com o Prof. Augusto Mateus, para que já me inscrevi.
Acontece que em Março enviei ao Prof. Augusto Mateus o texto que se segue que foi publicado no passado dia 4 no jornal "Badaladas" de Torres Vedras.
Gostaria assim que, no caso de ser possivel, este texto fosse conhecido no decorrer ou depois deste debate.
Vou amanhâ, por fax e/ou correio azul, enviar à Ordem a fotocópia do artigo publicado no jornal "Badaladas".
Com as minhas melhoes saudações
António Brotas
----- Original Message -----
Sent: quarta-feira, 14 de Março de 2007 13:08
Subject: Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGROSOBRE O AEROPORTO DA OTA

15 de Março
Para a Associação de Municípios do Oeste,
Ex.mos Senhores,
Envio-vos directamente este texto que foca de perto questões relacionadas com o Oeste.
Estarei sempre à vossa disposição para esclarecer e abordar mais aprofundadamente estes problemas.
Agradecia-vos que transmitissem este email ao Prof. Augusto Mateus de quem não tenho neste momento o endereço.
Com os meus melhores cumprimentos
António Brotas

Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGRO SOBRE O AEROPORTO DA OTA

13 de Março de 2007

Caro Augusto Mateus,

Leio na página 10 do jornal METRO de hoje uma notícia com o título: "Aeroporto da Ota vai desenvolver o Oeste" que começa com as palavras: "ANÁLISE. As actividades económicas que se venham a desenvolver à volta do aeroporto da Ota, em Alenquer, serão uma oportunidade para o Oeste ser mais competitivo, defende Augusto Mateus, especialista que está a desenvolver estudos sobre a região".

Peço-lhe para se debruçar sobre um mapa actualizado das estradas e notar o seguinte: com a nova autoestrada A10, cuja travessia do Tejo vai ser em breve inaugurada, vai ser mais facil aos passageiros provenientes de Torres Vedras e de todo ao Oeste, chegarem a Benavente, ou a Samora Correia, do que ao aeroporto da Ota. E, mesmo para as pessoas de Alenquer, será provavelmente mais facil chegarem à margem esquerda do Tejo do que a este aeroporto.

O mapa com os futuros acessos a este aeroporto, publicado na página 3 do DN de 5 de Março, é muito claro sobre esta questão, havendo, no entanto, que notar que se trata de um mero esboço, diferente do publicado dois dias antes no Expresso e muito diferente do incluido na página 28 da versão escrita do documento "Orientações estratégicas – Sector ferroviário", divulgada pelo MOPTC, em 28 de Outubro.

Em qualquer caso, com a construção da A10, parece-me perfeitamente claro que o Oeste não é em nada prejudicado com a construção do NAL (novo aeroporto de Lisboa) não na Ota, mas num local convenientemente escolhido na Margem Sul. A impressão que tenho é a de que, devido a uma insuficiente informação e, sobretudo, a uma falta de debate e de confronto de ideias , a população do Oeste tem sido, nalguma medida, induzida em erro sobre este assunto.

Mas há mais. Aos gigantescos danos ambientais na próximidade de Alenquer e da Ota provenientes da construção do aeroporto, há que acrescentar os danos provenientes dos acessos, que estão ainda muito longe de estar avaliados. Aparentemente, estes danos não atingiriam o Oeste, mas não é bem assim.

A opção da Ota induziu, de um modo primário a meu ver, porque uma coisa não obrigava à outra, a que se considerasse que o TGV teria de passar na Ota. Esta obrigatoriedade, que ainda não se sabe bem como poderá ser cumprida, e que tem provocado constantes alterações nos projectos do aeroporto, até agora meros esboços, fez com que a RAVE mandasse estudar o troço, de Pombal a Alenquer, de uma futura linha TGV de Lisboa ao Porto, com passagem na Ota.

Este projecto entregue no Instituto do Ambiente, em Setembro, para avaliação do seu impacto ambiental, o que obriga a um periodo de consulta pública não inferior a um mês, foi depois retirado, talvez provisóriamente, para ser melhorado. Uma coisa no entanto sabemos: este troço da linha TGV de Lisboa ao Porto, que passaria entre as serras de Montejunto e dos Candeeiros, teria declives excessivos para ser uma linha adequada para comboios de mercadorias.

Assim, a obrigatoriedade de passar na Ota implica ser imprópria para o transporte de mercadorias a futura linha de bitola europeia de Lisboa ao Porto. Penso que compreenderá o grave inconveniente desta limitação, com um efeito a longo prazo para a ecomomia de todo o centro do país. Mais imediatamente, alguns autarcas do Oeste, nomeadamente da Batalha, já se aperceberam dos inconvenientes de uma linha TGV que lhes divide o concelho e cujos comboios nele não param.

Se bem percebi a curta notícia do METRO, o Augusto Mateus , a quem a Associação de Municipios do Oeste (AMO) adjudicou a realização de ""um plano de acção"que aponte soluções de acordo com o novo quadro comunitário de apoio", reconhece "não caber na Ota uma cidade aeroportuaria moderna ….como todo o mundo faz quando faz um aeroporto", mas espera que os benefícios do aeroporto da Ota induzam o desenvolvimento do Oeste. Em particular, pede a melhoria da linha do Oeste.

O país ficaria assim sem a cidade aeroportuaria possivel, quando tem amplos espaços na margem Sul para ela poder surgir a prazo. Duvido que o Oeste tenha nisso qualquer benefício. Com respeito à linha do Oeste, a sua melhoria é uma exigência que se justifica plenamente e considero urgente, mas parece-me errado defender simultaneamente esta melhoria e o actual trajecto previsto para o TGV de Lisboa da Porto, que não me parece nada urgente. Com respeito a aeroportos que contribuam para o desenvolvimento do Turismo, parece-me que o grande grande interesse da região Oeste esta em conseguir rapidamente a abertura da base de Sintra e do aeroporto de Tires a voos low cost.

Penso que a Associação dos Municípios do Oeste tem todo o interesse em promover debates sobre estes assuntos com pessoas algumas das quais têm defendido pontos de vista que não são exactamente os seus. Consigo, terei sempre gosto em falar sobre estas questões se o desejar.

Com as minhas melhores saudações

António Brotas"

sábado, maio 05, 2007

ESCRITAS MUTANTES

"...é verdade: e poderá sempre colocar uma «ligação» para a secção sobre «Ludologia» das minhas «Escritas Mutantes» onde, os interessados, poderão encontrar muito material de apoio a uma reflexão sobre a Cultura Ludológica;


ou, começando pela «Apresentação» "

citado de Luís Filipe Teixeira
em ligação com pdn

Não se combate a corrupção com um livrinho, mas combater o livrinho …

"Cumplicidades

Se ouvir o vizinho do apartamento ao seu lado dar porrada na mulher, o que faz ? Cala-se e consente ? Vai lá e tenta interromper a sessão de violência doméstica ? Telefona para a polícia e denuncia o que se está a passar ?
Se vir a criança, filha de uns vizinhos, sistematicamente com nódoas negras suspeitas e um ar infeliz, o que faz ? Cala-se e consente ? Pocura saber o que se estará a passar com aquela criança ? Telefona para a polícia e dá conta das suas suspeitas ?
Se vir, do alto da sua varanda, dois indivíduos a tentarem rebentar a porta de um automóvel , o que faz ? Regressa para dentro de casa ? Tenta afuguentá-los e mostrar-lhes que não estão sós ? Telefona imediatamente para a polícia e relata o que está a passar em frente aos seus olhos ?
Se , ainda do alto da sua varanda, vir uns vultos a partirem os vidros de um qualquer equipamento municipal e a aí penetrarem a coberto da noite, o que faz ? Fica, por curiosidade, à espera de os ver sair ou telefona para a polícia e denuncia o crime que se está a cometer debaixo dos seus olhos ?
Se souber de uma qualquer empresa que sistematicamente despeja, secretamente, produtos poluentes num qualquer local público, o que faz ? Olha para o lado ? Denuncia a situação ?
Se trabalhar numa qualquer câmara municipal do nosso país e lhe passarem pelas mão documentos que mostram que há sobrefacturação a um empreiteiro amigo do presidente da Cãmara, o que faz ? Deixa-os passar ? Denuncia à polícia ?
Estas ligeiras interrogações surgem a propósito da publicação pelo Ministério da Justiça de um pequeno opuscúlo com o ambicioso título “Prevenir a Corrupção – Um guia explicativo sobre a corrupção e crimes conexos” e das reacções que o mesmo tem provocado. O chamado “guia explicativo” é, sem dúvida, uma inciativa louvável nos propósitos embora seja modesta na concretização.
Peca pelas inevitáveis introduções do ministro e do responsável do serviço, absolutamente evitáveis e seguramente destinadas a ficar para a história. Peca por, embora seja um trabalho honesto e irrepreensível na informação prestada, não provocar nem envolver na “problemática” quem o tentar ler. Peca sobretudo por ser seguramente inócuo, apesar de cumprir o objectivo de publicação de um guia de boas práticas contra a corrupção como a Europa nos exigia,
Mas não foram estes pecados que mais lhe foram apontados na esfera pública. No entender de várias pessoas e organizações com qualidades e responsabilidades no nosso país, o guia peca sobretudo, por ter uma páginazinha em que sob o título “Denúncia de situações de corrupção”, consta o seguinte:
“A corrupção é um crime público, logo as autoridades estão obrigadas a investigar a partir do momento em que adquirem a notícia do crime, seja através da denúncia ou de qualquer outra forma. Ajude a prevenir e a combater esta realidade. Denuncie qualquer situação de corrupção de que tenha conhecimento às autoridades competentes”. E, na mesma página, explica-se como proceder para efectivar a denúncia e quais as medidas de protecção que, enquanto testemunha, pode beneficiar no caso de ter denunciado uma situação de corrupção.
Tanto bastou para que sindicatos da função pública lamentassem a inoportunidade da publicação de tal livrinho, afirmando-se, por exemplo, que a sua publicação era para “ pura e simplesmente aproveitar o momento para bater, ao que parece, de novo nos trabalhadores da Administração Públicos como se eles é que fossem os responsáveis pelo novelo de corrupção que grassa no país» ou ainda, que não havia necessidade de se incitar o combate à corrupção “como se incita uma matilha de cães”.
Numa coluna de opinião sob o título “Socialismo da delação” chegou-se a afirmar quanto a este guia que “a democracia deve suscitar inquietações éticas nos cidadãos, nunca inspirá-los para cometimentos repugnantes. Com base no princípio da decência, a recusa à delação configura o mais nobre direito à desobediência. E o delator não passa de um vulgar canalha. Assim como quem o fomenta e exalta”.
Isto é, a denúncia da prática de um crime que põe em causa o cerne da democracia como é a corrupção, passa a estar ao nível de um acto repugnante de delação como se estivéssemos num regime ditatorial e a denúncia fosse feita por motivos políticos ou para obter vantagens pessoais. Um acto que exige coragem e uma atitude cívica rara no nosso país – povoado de pessoas habituadas a ver, comer e calar - é descrito como uma acção abjecta e própria da canalha: o corrupto será um herói, o denunciante, provavelmente, um porco fascista!
Curiosamente, nos fóruns europeus são os representantes dos países que viveram em ditadura e com elevaos indíces de corrupção, como os dos “ex-países do leste”, que mais “preocupações éticas” apresentam quanto à valorização pela sociedade da denúncia da corrupção enquanto nos países com tradições democráticas e baixos indíces de corrupção, como os países nórdicos, a população, em geral, tem como evidente dever cívico a denúncia desse tipo de criminalidade.
Por outras palavras: alguém que, muitas vezes com graves riscos pessoais, alerta a sociedade, denunciando sérias ilegalidades em que o prejuízo económico não sendo de ninguém em concreto, é de todos nós, deverá ser apontado à opinião publica como tendo falta de coluna vertebral ou deverá ser louvado pela verticalidade da mesma ? Não tenho muitas dúvidas … "
Advogado



(publicado hoje, no Público)

sexta-feira, maio 04, 2007

DAMAS, ASES E VALETES

"Garcia Marquez disse um dia que um escritor escreve, fundamentalmente, para que gostem dele. No verão de 2005, eu e a ana sentíamos que aqueles que tinham sido nossos companheiros de luta tinham deixado de gostar de nós. sentíamo-nos traídas, esquecidas, excluídas. essa circunstância aproximou-nos tanto que um dia a ana, num daqueles ímpetos que a caracterizam, me disse : tu que já escreves, queres tentar um livro comigo? e eu disse que sim, que queria, não só porque não sei dizer que não à ana, mas porque nesse verão de há 2 anos não havia esplanadas cheias de sol, nem chegavam telexes, nem ninguém dizia “os teus ombros” – isto é, ao contrário do que escrevera um dia Eduardo Guerra Carneiro, “não era assim que se fazia a história”.
Já não sei dizer hoje se foi fácil, esse livro a meias. Sei que não teria sido possível sem a leitura atenta, ao ritmo dos capítulos, da Néné, da Margarida e do Toni. Que também não teria sido possível sem a magia dos dedos e da infinita paciência do Manel, do David e da Rita que faziam reaparecer no écran textos que desapareciam misteriosamente. Ou sem a câmara atenta e a generosa disponibilidade do Roberto Santandreu. E que teria sido impossível sem a cumplicidade do Carlos Veiga Ferreira, outrora meu editor, hoje meu querido amigo. A Inês foi a nossa primeira escolha, a única, a óbvia. Dizíamo-nos: quem compreenderá tão completamente as fragilidades e a força destas 2 mulheres?
porque de 2 mulheres trata o livro – Elisa e Isabel “mulheres parecidas e diferentes”, dizia-me a ana, naquela manhã cinzenta em que o livro se tornou projecto. Mais do que primas carnais, como diria o Marcelo, elas são as irmãs que escolheram sê-lo. Não são meras cartas de baralho, como poderia indicar o título. não têm reis, acrescentaria a ana, porque não há reis.
Há quem nos acuse de este ser um livro autobiográfico. Todos os livros o são um bocadinho, penso. há muito de mim na isabel e muito da ana na elisa. mas também há truques, piscar de olhos, porque às vezes trocávamos, e eu era a elisa e a ana a isabel, e éramos sempre um bocadinho as duas, porque nós apaixonámo-nos por aquelas personagens à medida que as íamos inventando, descobrindo, escrevendo.
Há um poema do Nuno Júdice que eu cito sempre nos meus livros e que, à força de o repetir, o julgo um bocadinho meu:”sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento”
Porque é de sentimentos que se trata. vivências, paixões, decepções, vidas desperdiçadas, desesperos, angústias, morte.
A Elisa e a isabel partilharam durante anos a vida, a política, a crença nos amanhãs que cantam. Entregaram-se numa entrega absoluta que só é possível quando se acredita profundamente. e um dia chegaram, metaforicamente, os tanques à Checoslováquia. e em Portugal instalou-se uma paz pôdre, um reinado de baralho de cartas. por isso, elas escolheram outros caminhos : para Elisa, o exílio militante em países tão difíceis como Beirute ou Timor. para isabel, a reclusão, vivendo a vida das personagens dos livros que traduz – vidas exemplarmente descritas num dos livros em que trabalha : “não és uma pessoa única e não tens uma única história, nem a tua cara, o teu ofício e as restantes circunstâncias da tua vida passada ou presente permanecem invariáveis. O passado move-se e os espelhos são imprevisíveis. Mesmo que te mantenhas imóvel, estás a todo o momento a mudar de lugar e de tempo não só pela tua imaginação mas também pela tua consciência”.

obrigada ana, obrigada inês, obrigada carlos, obrigada a todos"

Palavras de Maria Manuel Viana na apresentação do livro "Damas, Ases e Valetes de que é co-autora com Ana Benavente. A apresentação decorreu na Casa Fernando Pessoa, no dia 3 de Maio de 2007 e foi feita por Inês Pedrosa.

terça-feira, maio 01, 2007

NÓS (Wii), NINTENDO

O post colocado a seguir é o correspondente à crónica publicada hoje no DN. No entanto a correspondência não é total. O post inclui e-mails que recebi e não pude incluir na versão papel pois o espaço é limitado, ao contrário da Rede, que é elástica, maleável, disponível para os caprichos e as necessidades dos cronistas.

De assinalar também que a edição papel teve, pela primeira vez, duas páginas.
Haverá ainda outros posts ou inclusões de texto sobre este assunto.

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt


O leitor João Dias escreveu-nos um e-mail sobre o tratamento dado pelo jornal a uma notícia sobre a Nintendo.

"Na edição do DN do dia 11 de Abril do corrente ano, foi publicada uma notícia referente à opinião de um site espanhol que considerava a mais recente consola doméstica da Nintendo, a Wii, e uma personagem de bandeira do fabricante, Mario, como 'os mais gay dos jogos electrónicos'.

Como consumidor de videojogos de longa data, considero que a imprensa em geral, quer no nosso país, quer fora dele, dá um tratamento indevido à indústria dos videojogos, através de artigos e reportagens sem fundamento e falaciosos no que diz respeito aos jogos propriamente ditos e às máquinas utilizadas para os jogar (as consolas de jogos).

Posto isto, devo dizer que a referência feita pelo DN à opinião do site espanhol Chueca.com (site informativo do país vizinho no que diz respeito ao tratamento de questões relacionadas com a homossexualidade) não só manifesta uma falta de informação notória sobre a indústria dos videojogos como revela uma falta de seriedade alarmante no DN: face aos acontecimentos nacionais e globais que se revestem de enorme importância para todos os cidadãos de Portugal e do mundo, o Diário de Notícias optou por preencher o canto superior esquerdo da capa da edição do dia 11 de Abril com uma referência à opinião de um site espanhol sobre uma marca de videojogos.

Preocupante é também a falta de conhecimentos da pessoa que tratou do assunto - revela que apenas consultou os títulos que mais sobressaíam no referido site, não se preocupando com os erros que o Chueca.com deu no tratamento da questão - a começar pelo design das consolas referidas, passando pelo seu interface, pelo desconhecimento com que o site (e consequentemente o DN) trata a Nintendo, uma das empresas mais respeitadas do mundo, produtora de videojogos desde o final da década de 1970 e fabricante de consolas de jogos desde o início da década de 1980, pela ignorância demonstrada face aos conceitos dos jogos em geral e aos títulos dos jogos propriamente ditos (os jogos em particular apresentados como 'nfantis'não são desenvolvidos nem editados pela Nintendo, existem igualmente noutras consolas de outros fabricantes) -, sendo que a matéria redigida pelo site espanhol, difundida ao público português pelo DN, resulta da ignorância predominante da indústria dos videojogos na maioria das sociedades.

É lamentável que o Diário de Notícias tenha decidido fazer referência a uma opinião baseada em erros e que em nada contribui para o benefício da indústria dos videojogos - muito pelo contrário, apenas contribuirá para deteriorar a sua já manchada imagem junto dos sectores mais retrógrados da sociedade. Esta situação prejudica ainda mais o compromisso do DN para com a sociedade portuguesa ao ignorar o que representam a Nintendo e a personagem visada na indústria dos videojogos - a personagem Mário foi criada em 1981 e o seu criador, Shigeru Miyamoto, é uma das maiores personalidades nesta indústria, reconhecido e admirado mundialmente pelo seu trabalho como produtor, realizador e actual director de uma direcção de desenvolvimento de jogos da Nintendo responsável por alguns dos maiores sinónimos de qualidade da indústria. A sua obra foi distinguida com a atribuição de vários galardões, entre os quais se destaca a atribuição do grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras do Ministério da Cultura francês no ano de 2006, bem como o reconhecimento da edição asiática da revista Time ao incluí-lo na sua lista 60 Years of Asian Heroes no passado mês de Novembro.

Com base em tudo aquilo que foi exposto, o tratamento que o DN deu à opinião de um site espanhol cujo tema não é a indústria dos videojogos é inadequado e não tem lugar num jornal como o vosso."

A notícia tinha-me sido assinalada no dia da publicação por uma leitora, em conversa informal. Recebi várias outras queixas sobre este assunto, num raro volume de opiniões expressas. "Notícia sem razão de ser no DN" (o leitor João Dias), "Pedido de satisfação" ( Pedro Silva), "Desagrado" (Hugo Benevente), "Tema da capa da edição de 12 de Abril" (Pedro Aguiar) eram alguns títulos das mensagens. (1) Pedi esclarecimentos à direcção, ao editor e à jornalista. O director adjunto, Rui Hortelão, fez-me chegar a resposta da jornalista e as ligações ao site espanhol. A autora da peça publicada deu as seguintes explicações: "A propósito do artigo 'Nintendo Wii é consola associada ao público gay', que suscitou reacções várias por parte dos leitores, gostaria apenas de relevar o cuidado que foi posto na elaboração do artigo, que citava - como considero ser legítima uma análise efectuada por um site dirigido a um público específico - uma página de Internet destinada a homossexuais.

No referido artigo, nunca se afirmou que a Nintendo Wii é uma consola utilizada ou mesmo concebida apenas para homossexuais. Limitei-me, apenas, a fazer uma notícia que, no meu entender, não emite qualquer juízo de valor a propósito de uma análise feita por terceiros. Tratou-se apenas de noticiar a opinião (atribuída) a um determinado público.

Penso também que não é uma notícia preconceituosa, na medida em que só seria se se considerasse que este atributo de associar uma consola a determinado público era positiva ou negativa. No meu entender, isso não é nunca feito.

Por fim, gostaria apenas de referir que foi tentado um comentário com a Nintendo, nos Estados Unidos, não tendo sido conseguido. Assumo, no entanto, como erro o facto de não ter insistido nos telefonemas para a Nintendo, pois só o fiz uma única ocasião."

A discussão desta notícia tem um valor simbólico, dado o jornal ter um novo formato. Os leitores do DN, nos últimos meses, viram a administração substituir a anterior direcção, nomeada, cerca de um ano antes, para apostar na actual. Isto quer dizer que a administração foi muito célere, pois, como noutros casos recentes, os resultados das novas orientações mal começavam a ser visíveis e, ainda por cima, tinham sinais positivos. No entanto, o DN é um órgão privado e o seu proprietário tem toda a legitimidade para escolher quem considera poder dirigir melhor o DN. É certo que o Diário de Notícias tem leitores muito especiais, pois é um jornal que ajuda a escrever a História do País há mais de 140 anos. Apesar disso, o provedor não tem de dar seguimento automático às posições dos leitores que querem ter um jornal diferente daquele que corresponde às convicções do director escolhido. Isso não quer dizer que a análise crítica do jornal deva esmorecer. Pelo contrário: deve ganhar novo vigor, estimulando a posição crítica dos leitores e a intervenção autónoma do provedor.

Retomemos a notícia e a explicação da jornalista. "Gostaria apenas de relevar o cuidado que foi posto na elaboração do artigo", diz a jornalista. Só posso louvar o cuidado, mas tenho de afirmar que os leitores do DN exigem mais rigor. Pegar num site ou em qualquer outra informação e transcrevê-la, com recurso limitado a outras fontes, não parece ser uma prática jornalística aconselhável. Isso é raramente sinónimo de trabalho jornalístico, salvo casos especiais (2). O trabalho jornalístico contextualiza os assuntos que trata, falha evidente deste artigo. Como foi direccionado o marketing da Nintendo? A comunidade gay foi particularmente visada? Será que não se podia ter referido que esta consola aposta na socialização e quer abrir-se a novos públicos, dentro das famílias?

É louvável que a jornalista tenha tentado falar com a Nintendo. Porém, o jornalismo não vive de boas intenções. Fica a perplexidade de não ter tentado alternativas: académicos que tratam deste problema, representantes da indústria em Portugal, associações de utilizadores ou simples fãs de jogos.

O DN exige muito mais do que a simples transcrição de um site para ser fiel à tradição e incorporar inovações.

Registe-se um reparo por os editores e os directores, responsáveis pelo fecho do jornal, não terem evitado a colocação de uma notícia tão frágil em primeira página. O tema é muito actual e desperta interesse, como muitos sobre a indústria dos jogos e as questões de género. Mas o facto de haver insuficiente matéria depois deste chamariz de primeira página só pode deixar os leitores insatisfeitos.

(1) Ver outros e-mails de leitores no endereço http/sotextosmesmo. blogspot.com

(2) Por exemplo, no caso de decisão de publicação na íntegra de um discurso do Presidente da República. |

BLOCO NOTAS

Depoimento de Luís Filipe B. Teixeira
Pedi depoimento ao professor Luís Filipe B. Teixeira, especialista em videojogos e professor na Universidade Lusófona, depoimento que transcrevo. Acrescentarei na net (http://sotextosmesmo.blogspot.com/ … ) mais informação sobre este assunto. “Quanto à polémica sobre a notícia do DN que tem por referência a opinião de um sítio espanhol que considerava a mais recente consola doméstica da Nintendo, a Wii, e a personagem de um dos principais jogos do fabricante, o Mario, como «os mais gay dos jogos electrónicos», bem como ao «raro volume de opiniões expressas», oferece-me dizer o seguinte:

1) Em primeiro lugar, os videojogos (com tudo o que lhes estão associados, quer de positivo quer de negativo) e a sua indústria e o problema do «género» são, sem dúvida, dois dos temas representantes da nossa actualidade e, por isso mesmo, sensíveis, necessitando de tratamento, simultaneamente, rigoroso e crítico, até por existirem muitas ideias (mal) feitas sobre o assunto. Ora, a informação de base, «amplificada» pelo DN ao dar-lhe destaque de primeira página, demonstra um enorme desconhecimento, nomeadamente, da história da cultura e indústria ludológica.

2) Em segundo lugar, no que se refere aos «oito argumentos» enunciados pela fonte, e pela sua «evidência», uma análise rigorosa, facilmente a poderá destruir. Senão vejamos: o nome Wii foi escolhido para substituir «Nintendo Revolution» (alteração anunciada a 27/04/2006) tendo por base o «we» inglês, isto é, «nós», para designar «consola para todos».Esta ideia será reforçada pelo duplo «ii», sinalizando o seu (forte) carácter (mais) «multijogador». Quanto à questão do «rosa» e do «pink software», também há PSP dessa cor...sendo a razão mais de abertura a novos mercados (isto é, ao mercado feminino) do que propriamente outra razão qualquer; Quanto ao facto dos jogos da Wii não terem violência e promoverem a sociabilidade, não deixa de ser curioso por ser, precisamente, a crítica que usualmente se utiliza para se condenarem os jogos, ou seja, o carácter, por vezes gratuito e sanguinário, da sua violência. Mas também aqui, por exemplo, poderíamos referir a sociabilidade dos jogos produzidos para a tecnologia «Eyetoy» (PS2), anunciados usualmente, para serem jogados por toda a Família e, até, pelas nossas Avós!Quanto ao nome «Mario» (o tal canalizador de fato-macaco), o seu nome deveu-se ao facto do gerente de depósito da Nintendo, em NY, Mario Segal, ser parecido com a personagem, bem como ao facto do seu criador, Shigeru Miyamoto, com o bigode, querer acentuar o seu nariz.

3) Por fim, para se ser breve, de realçar que, por exemplo, na luta entre as três consolas da nova geração, respectivamente, Wii, XBox 360 e PS3, a Nintendo sempre disse ser a «verdadeira consola de jogos», dando primazia à «jogabilidade» em detrimento, por exemplo, da luta por «mais pixéis», melhor gráficos ou «formatos» (o HD DVD da XBOx contra o Blu-Ray da PS3); por outro lado, quanto ao «hibridismo» de género de algumas personagens de jogos, quer nas «formas» quer nas «competências» que demonstram, ele poderá ser encontrado noutros de outras consolas e, mais uma vez, tendo por razão de base a abertura ao mercado feminino, mais que qualquer outra razão.” (3)

O provedor também erra
Publiquei a semana passada uma crónica na Internet, sem que o tenha feito primeiro na edição papel. Eis a parte mais substancial do meu comentário que pode ler em http://sotextosmesmo.blogspot.com/
“Igual posição sobre as fontes tem sido tomada por outros provedores da imprensa. Os códigos deontológicos e os livros de estilo também não dão tréguas a esta prática, usada, demasiadas vezes, para ser credível.
Mas a prudência deveria ter sido maior no meu escrito tal como predicava para a jornalista. Escrevi sem ter acesso ao despacho da Lusa, acesso que faz falta e não tem estado previsto.
A minha resposta continha um erro. Considerei que o “desmentido categórico” de fonte oficial existiu , quando, na verdade, se tratou de uma afirmação de uma fonte encoberta e divulgada por uma agência de notícias. Se a utilização destas fontes já é pouco aconselhável nos jornais, o papel de uma agência de notícias é de responsabilidade ainda maior. O despacho que contém este desmentido é algo que não enobrece o trabalho da agência, nem as fontes (anónimas) de Belém. “Continuo a manter a confiança nas referidas fontes, apesar do desmentido que foi feito, também por uma "fonte" de Belém à agência Lusa“. Esta frase da jornalista passou sem o devido valor na crónica. De facto, atribuí um valor indevido ao desmentido pois as aspas postas pela jornalista advertiam para a precariedade da fonte da Lusa (“fonte de Belém à agência Lusa”).
Na ausência de um desmentido categórico oficial da Presidência da República ou de fontes claramente assumidas, é difícil saber onde está a verdade. A fonte da jornalista não pode ser considerada mais ou menos fiável do que a da agência Lusa. O provedor também erra. Ele pode relembrar que o trabalho jornalístico não deveria aumentar a capacidade de manobra dos que fazem política na sombra. A utilização generalizada de fonte anónimas é isso que encoraja. É um daqueles casos em que o todo não é igual à soma das partes.

Continuação em Maio
Dado ter estado sem escrever durante um largo período, as minhas crónicas vão prolongar-se durante o mês de Maio. Agradeço esse gesto de João Marcelino, que me permite analisar mais em detalhe o jornal depois da entrada em funções da nova direcção iniciada em Fevereiro.

Correio sobre o novo DN
O correio dos leitores sobre as mudanças recentes do DN será analisado em próxima crónica. Se ainda não deu a sua opinião, não hesite em o fazer, enviando um e-mail ou carta para o jornal dirigida ao provedor.

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt



OS E-MAIL RECEBIDOS e não publicados na versão papel
(não foi feita revisão)

1 Diário de Noticias de 11 de Abril - Mario e Nintendo Wii sendo "gays"

-----Original Message-----
From: 000 000 [mailto:cristianosequeira@msn.com]
Sent: Thu 12-04-2007 18:30
To: Provedor (DN/de)
Subject: Diário de Noticias de 11 de Abril - Mario e Nintendo Wii sendo "gays"

Na edição de 11 de Abril li para meu espanto uma noticia referente a uma página de internet espanhola que afirma que a Nintendo Wii e o Mario são "os mais gay dos jogos electrónicos".


Tenho a dizer que fiquei decepcionado e envergonhado como português que sou. Um Jornal na posição do Diário de Notícias devia de ter mais cuidado com o que escreve, sempre com a intenção de informar as pessoas com assuntos realmente relevantes e dedicar-se a novidades e noticias, não a declarações de um site do país vizinho nem dedicado à industria e aínda para cima sendo um site de um assunto completamente fora dos jogos.

Isto só vai agravar a situação da industria em solo portugues. Vai levar as pessoas a pensarem aínda pior sem realmente terem fundamentos para tal e vai manchar a imagem que o Diário de Notícias tem, com a mancha de um Jornal que divaga e que vai buscar piadinhas ou "gozos" para preencher os buracos da Primeira página.

Além de que as acusações feitas não têm qualquer fundamento. A Nintendo Faz jogos desde 1980. A Industria foi marcada pela Nintendo, tanto que as marcas da moda que dominam o nosso atrasado portugal, são as Playstations da Sony que em muito tentam copiar a Nintendo. Bons exemplos são o "Joystick", o "Rumble" integrado nos comandos, mais recentemente o "Sixaxis" para copiar as funções do "Wiimote" da Nintendo em termos de jogar movimentando o comando. O design da Consola e a sua interface são das consideradas melhores, consideradas "sleek", simples e de fácil acesso mesmo a quem não joga. A Nintendo não se dedica a fazer jogos apenas para maiores de 18 e a limitar a industria, mas a expandi-la fazendo jogos para todos, mesmo os que não se interessam tanto, e isso podia ajudar portugal, se as pessoas que lessem o Diário de Noticias lê-sem o que a Nintendo realmente é: A impresa que por aí fora domina a indústria e comanda o tom.

Dito isto estou decepcionado e vou informar via e-mail a Nintendo sobre o sucedido para tomar medidas neste país sempre atrasado e mergulhado na ignorância.

Cristiano Sequeira

2 Pedido de satisfações

-----Original Message-----
From: Pedro Silva [mailto:pedrocasilva@yahoo.com]
Sent: Thu 12-04-2007 19:13
To: Provedor (DN/de)
Subject: Pedido de satisfações

Boa tarde,

Venho por este meio expressar o meu desagrado para com a vossa noticia de capa da edição de 12 de Abril de 2007 sobre consola Nintendo Wii e Super Mario como sendo "os mais gays dos jogos electrónicos".

Que género de jornalismo é aquele que publica o que foi dito num site espanhol desconhecido, quase com contornos de blog, a opinião de um pobre diabo que acha que a consola é para homossexuais? O que esperam vocês ao generalizar todo um grupo de consumidores que efectivamente compram a consola? É quase difamatório!

E logo uma generalização pela sua preferência sexual, que roça o insulto, estamos muito habituados a sermos atacados por pessoas que nos consideram criancinhas de 5 anos que não somos, pelo que é interessante que pelos vistos agora já temos vida sexual activa e sexualidade definida... Mas... Homossexuais?

Onde ir buscar uma suposição dessas? E porquê publicá-la como uma grande relevação?

Pela ordem natural das coisas, a consola que vendeu mais a geração passada (a PS2) terá a maior quantidade de pessoas homossexuais, porque não fazer um artigo sobre isso? e metam-no na primeira capa para vermos o que os consumidores da marca vos irão dizer. (também devem ter alguns na vossa redacção)

Conteúdo deste género é algo que podemos esperar da revista oficial da concorrência (e mesmo assim não espero); é algo que podemos esperar, como quem já espera tudo, de um jornal como o 24 horas; mas não é algo que espere de um jornal como o Diário de Noticias. Como tal não acho que deva passar em branco, e espero que não volte a suceder.

De novo vos pergunto, o que é que uma opinião não fundamental dada num site espanhol de videojogos tem para aparecer na primeira pagina do Diário de Noticias? (e ser noticiado em primeiro lugar) Têm assim tão poucas noticias relevantes para dar?


Atenciosamente

Pedro Silva (20 anos, Heterossexual)


3 Desagrado

-----Original Message-----
From: Benevente [mailto:ben_nas_nuvens@yahoo.com]
Sent: Thu 12-04-2007 20:25
To: Provedor (DN/de)
Subject: Desagrado

Boa tarde,

É com muito desagrado que pude observar na edição do Diário de Notícias de 11 de Abril de 2007 uma notícia com direito a aparecer na primeira página, que não tem cabimento nenhum em surgir num jornal sério que é o DN.

A notícia em questão é sobre a consola de videojogos Nintendo Wii e da sua famosa mascote Super Mario serem considerados "os mais gay dos jogos electrónicos". Além de uma notícia destas não ser, do meu ponto de vista e certamente de muitos mais leitores do DN, merecedora de aparecer numa primeira página de um jornal supostamente sério, o seu conteúdo é totalmente disparatado.

Partindo do nome "Wii" considerado não apenas "gay" mas também como "naif", provavelmente por pessoas ignorantes já que o nome foi escolhido pela sua semelhança sonora á palavra inglesa "we" ("nós" em português, ou seja, dá a ideia que é uma consola para todos).

Seguindo-se a referência ao desenho, especialmente as cores que a consola é vendida, que por ventura é falso. Mencionam que foi a primeira a lançar uma máquina cor-de-rosa, quando já existe essa cor há alguns meses noutras consolas como a PS2 ou PSP da Sony e a DS da Nintendo, e quando ainda nem existe á venda em nenhuma parte do globo essa cor para a consola em questão (Nintendo Wii).

Seguidamente dão como outro exemplo "gay" o facto da consola não ter jogos violentos e com agressividade. Pergunto-me qual é a relação entre a homosexualidade e a não-violência? Será que os homosexuais são seres inocentes pacíficos e que não aderem á violência? Para não falar que estão previstas duas das mais violentas séries de videojogos para a Nintendo Wii (Manhunt 2 e No More Heroes).

Finalizando com a consideração de algumas personagens de jogos da Nintendo como sendo personagens homosexuais. Pergunto-me quais são as semelhanças entre personagens dirigidas para toda a família como Mario e Luigi e homosexuais. Será que os homosexuais se parecem com canalizadores de bigode farfalhudo? Ou de elfos como o Link, armados de espada e escudo? Ou ainda de dinossauros verdes como o Yoshi?

Sendo assim, não entendo como aparece uma noticia destas, vinda de uma opinião de uma pessoa ou de um pequeno grupo de pessoas insignificantes de um site espanhol que nunca se ouviu falar por cá em Portugal, e que está por ventura errada em muitos aspectos, com referência na primeira página de um jornal sério como o DN.


Atenciosamente

Hugo Benevente


4 Tema de capa da edição de 12 de Abril

-----Original Message-----
From: pedro daniel [mailto:pedrodaniel_23@hotmail.com]
Sent: Fri 13-04-2007 20:00
To: Provedor (DN/de)
Subject: Tema de capa da edição de 12 de Abril


Ex.mo Senhor provedor do Diário de Notícias.

Venho por este meio comunicar a tristeza e desagrado pelo que vi na capa do
vosso jornal na edição do dia 12 de Abril que noticia que um qualquer site
espanhol considerou a Nintendo Wii e a personagem Mario -, propriedade da
Nintendo - como os mais gays da indústria dos videojogos.

Parece-me que acontecem no mundo coisas mais relevantes e merecedoras de
honras de capa de um jornal, do que a mera opinião de um Zé-ninguém que
pouca ou nenhuma credibilidade tem, que não a que a sua insignificância lhe
confere.

Não sei de facto qual foi a intenção do jornal ao publicar esta suposta
notícia. Tentativa de massificar uma ideia errada e preconceituosa? Talvez.
A mim, como cliente da Nintendo e leitor mais ou menos assíduo do jornal,
ofende, mas mais deve ofender à comunidade gay que se vê mais uma vez
associada a um estereótipo.

Sei que no vosso último aniversário anunciaram que o jornal iria mudar para
uma abordagem mais popular, mas isto é roçar o sensacionalismo típico dos
tablóides.

Na minha opinião o que está em causa não é de todo o conteúdo do site, e a
sua natureza duvidosa, mas sim a publicidade que o DN lhe faz, mascarada de
notícia.

Esta não é certamente a primeira manifestação de desagrado para com o
sucedido que recebem, mas gostava que a tivessem em conta, e que façam o que
poderem para emendar a situação.

PS: Não sei o que é que os vossos jornalistas faziam num site gay espanhol,
mas cada um.

Com os melhores cumprimentos,
Pedro Aguiar

em ligação com pdn