sexta-feira, maio 18, 2007

ANTÓNIO BROTAS

17 de Maio de 2007

Caro Mário Lino,

Acho que deviamos enterrar o machado da guerra durante 6 meses.

O Mario Lino pode estabelecer um protocolo com o seu colega da Defesa com vista à utilização das bases militares por voos low cost. Se alguns voos, mesmo que muito poucos, aterrassem no Montijo ou em Sintra já neste verão, seria óptimo. Todos ficariam contentes.

Eu enviarei um texto aos candidatos à Câmara de Lisboa ( na realidade já quase escrito) em que direi que o trânsito em Lisboa está mau e irá piorar enquanto não houver uma coordenação (um espaço de encontro e diálogo) entre a Câmara e a empresa do metro. Em particular, analisarei as extensões (a meu ver erradas) da rede vermelha do metro para o Aeroporto e para Campolide (bairro) . Lamentarei que tenha sido posta de lado a saida prevista para o lado de Sacavem que evitaria a entrada diária de dezenas de milhares de carros na cidade. Direi que a ligação da gare do Oriente ao Aeroporto podia ser feita com um investimento incomparavelmente menor (e mais cómodo para os utentes) por 6 autocarros que, intervalados de 3 em 3 minutos nas horas de ponta, fizessem uma navete pela Avenida de Berlim. Referirei os benefícios para a cidade trazidos pela ida do metro até Telheiras e Odivelas e poderei lembrar que esta extensão da rede foi atrasada pela doutrina do engenheiro Ferreira do Amaral, que disse que, enquanto fosse ministro, o metro não sairia da cidade. Direi que, do outro lado, o metro devia ir à estação de Campolide e não ao bairro de Campolide e que devia depois descer a Av. de Ceuta porque, transportados à superfície, os futuros moradores nesta avenida (que alguns pensam urbanizar com torres) irão inevitavelmente engarrafar o táfego vindo pela Autoestrada e pela Marginal. No que diz respeito a Campo de Ourique, o acesso às traseiras do bairro pode ser feito por escadas rolantes a partir de uma estação na Av. de Ceuta. É o processo de dignificar toda aquela zona. Uma linha vermelha do metro de Sacavém a Belém seria fabulosa! Enfim, são questões de simples bom senso de quem pensa um bocado e conhece o local, e que podem, talvez , sensibilizar os candidatos.

O Mário Lino pode sondar os espanhois sobre a possibilidade dos dois paises acordarem na construção, com grande prioridade, da linha de Badajoz ao Pinhal Novo. As empresas portuguesas podem começar a estabelecer contacto com as empresas espanholas que estão a construir a linha de Madrid a Badajoz, em particular, com as que ganharam agora a construção do troço do Montijo (em Espanha) a Badajoz. Se tudo resultar bem, os contratos poderão ser assinados antes das legislativas de 2009 e a inauguração da linha antes das de 20013.

Eu escreverei um artigo (com pouca projecção ) em que chamarei a atenção da Secretária de Estado Ana Vitorino para o facto de ser errada a prioridade da linha de Sines a Évora para chegar directamente a Badajóz. A prioridade é a da linha de Sines à plataforma Logística do Poceirão e ao Pinhal Novo, donde seguirá para Badajoz pela linha mista TGV (para passageiros e mercadorias). A linha para Sines será, obviamente, quase exclusivamente destinada a mercadorias e quando muito, a uma automotora.

O Mário Lino, numa primeira ocasião (numa visita à Beira) dirá que mandou estudar a linha de Aveiro a Vilar Formoso.

Eu escreverei um artigo (que tentarei publicar nos jornais regionais) em que apoiarei calorosamente a notícia e em que aproveitarei para fazer um apelo aos autarcas de Viseu (de todos os partidos) para se deixarem da fantasia do ramal ( de bitola ibérica) de Alcafache a Viseu e se concentrarem no problema de saber se o futuro TGV irá passar a Norte ou a Sul de Viseu. Continuarei, naturalmente, a fazer um apelo aos candidatos à Câmara de Lisboa para se interessem pelo problema da travessia do Tejo, que deve anteceder a definição do trajecto da futura linha TGV para o Porto e a localização do NAL.



O Mário Lino (que sabe ser impossivel estar pronto nos tempos mais próximos um projecto do aeroporto da Ota apresentavel para efeito de avaliação do impacto ambiental - que obriga, segundo as normas europeias, a um periodo de consulta pública não inferior a um mês) pode recomendar à NAER que envie para apreciação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil o projecto da Parsons para consolidação dos terrenos argilosos do leito das ribeiras (que prevê a necessidade das 230 mil estacas de brita com 90 cm de diâmetro) dando-lhe o prazo de 6 meses para emitir um parecer. Os engenheiros portugueses, a quem será reconhecida alguma importância neste processo, ficam todos agradados.

Eu escrevo um carta ao Reitor da Universidade Nova pedindo-lhe para organizar um seminário (em que eu seja um dos participantes) em que seja analisado o trabalho dos docentes desta Universidade sobre o choque de aeronaves com aves, referido pela Ministra Elisa Ferreira na sua intervenção televisiva de 1999 em que "chumbou"o aeroporto do Rio Frio e, ainda, a critica que, na mesma altura, enviei à referida Ministra. Sugerirei também, que a mesma Universidade e/ou ou LNEC, organizem um encontro com especialistas portugueses e eventualmente alguns estrangeiros convidados, para estudarem o duplo problema da conservação dos aquíferos da margem Sul e do impacto que sobre eles pode ter a construção de um aeroporto e de outras estruturas, e ecreverei artigos para sensibilizar a opinião pública para a necessidade de fazer estes estudos.

O MOPTC, inicialmente não muito particularmente interessado, pode aceitar aos poucos a realização, eventualmente com a colaboração do Ministro Mariano Gago, destes estudos fundamentais para uma tomada de decisão sobre a localização do NAL.

O importante é serem mantidas durante estes 6 meses as possibilidades de entendimento. Se me for possivel entragar-lhe hoje esta carta de mão própria entrego-lhe-ei também um exemplar do livro " O Erro da Ota", lançado ontem no Porto.

Com as melhores saudações

António Brotas

(Carta entregue por mão própria a 17 de Maio)

1 Comments:

Blogger Albino said...

Bom, parece que continuam as discussões em torno do dois elefantes brancos do momento, o novo aeroporto e o TGV. Quer-me parecer que todos se esquecem de uma grande questão, o petróleo. Como sabemos os custos do petróleo estão a aumentar devido ao aumento do consumo do mesmo e ao esgotamento das reservas. Ignorar este facto constitui uma leviandade e no entanto é sabido que o tráfego aéreo vai começar a decair mais cedo ou mais tarde devido ao aumento do preço das tarifas. Assim parece-me pouco realista assumir um crescimento sem limite do tráfego aéreo num prazo de vinte anos sob pena de termos um episódio semelhante ao terminal de Sines nos anos 70. Mesmo assim, deveríamos olhar para alguns exemplos europeus onde os aeroportos foram construidos longe dos aglomerados populacionais e servidos por carreiras de autocarros e/ou linhas férreas.

Nas afirmações do Sr. Ministro foi referio o risco de isolamento Norte/SUl devido à existência de pontes que poderiam ser alvos. Acho que estamos a entrar numa perspectiva pouco realista, e contudo achar que se o aeroporto ficar a Norte do Tejo um problema nas pontes já não terá impacto para as populações da margem Sul constitui de facto um desprezo completo pelos mesmas, ou seja, o Sul pode ficar isolado do Norte à vontade desde que não tenham lá o aeroporto!

Quanto ao TGV, faz-me recordar aquele indivíduo que ainda não aprendeu a andar de bicicleta e quer comprar uma mota! Não haja dúvida de que o transporte ferroviário é o mais eficiente do ponto de vista energético e no entanto por cá os Km de ferrovia só têm diminuido. Argumentam falta de clientes, mas como podem existir clientes com o serviço oferecido, rigorosamente idêntico ao existente há 40 anos atrás? Somos um país pequeno, não precisamos de TGV para nada, precisamos é de modernizar tornar eficiente a rede existente e ampliá-la. Temos comboios Alfa que se arrastam a 160Km/h numa linha em remodelação há anos e sem fim á vista, quando poderiam dar 220Km/h.

Constroiem-se Km de autoestradas e despreza-se a via férrea. A linha do Oeste continua com uma via única desde há mais de 50 anos. A ferrovia ocupa pouco espaço, pouco menos que uma estrada nacional de duas faixas, poupa espaço, energia e no entanto como queremos fazer papel de ricos queremos TGVs, para servir apenas uma elite.

Enfim, consequências do capitalismo neo-liberal!

6:36 da manhã  

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