sexta-feira, maio 11, 2007

À ESPECIAL ATENÇÂO DOS CANDIDATOS À CÂMARA DE LISBOA

"Lisboa, 11 de Maio 2007

Caro Engenheiro Pompeu,

Assisti ontem à sua conferência na Sociedade de Geografia. Não tive perguntas a fazer porque foi bastante claro no que disse. Houve, no entanto, questões de que discordei profundamente.

Assim, por exemplo, disse não comcordar de uma futura linha de Aveiro a Vilar Formoso e preferir a actual linha da Beira Alta que (no seu entender) deverá um dia mudar para a bitola europeia.

Ora, a actual linha da Beira Alta é uma linha de via única, de bitola ibérica que terá de continuar a funcionar com esta bitola durante, talvez, duas décadas., pelo menos enquanto a Espanha receber comboios esta bitola .

Os espanhois estão a rectificar as curvas e a alargar a plataforma da actual linha de via única e bitola ibérica de Salamanca a Vilar Formoso de modo a nela instalar duas vias , uma de bitola ibérica e outra de bitola europeia, para funcionarem as duas nos dois sentidos. Só prevêm mudar bastante mais tarde a bitola da via ibérica, ficando então com uma via dupla de bitola europeia.

Há cerca de dois anos vi num desenho, retirado do volumoso processo destinado à avaliação do impacto ambiental o traçado exacto destas vias. Nós estamos atrasadíssimos.

A meu ver, o projecto português só pode ser o da manutenção com bitola ibérica, por mais talvez duas décadas, da nossa linha da Beira Alta (muito vocacionada para o transporte de minério para o porto da Figueira da Foz) mas fazendo desde já e com grande urgência o estudo da futura linha de bitola europeia de Aveiro a Vilar Formoso para os dois paises, se o desejarem, darem prioridade à sua construção numa próxima Cimeira Ibérica.

Esta linha deverá ser uma linha mista para passageiros e mercadorias, e não sendo uma linha TGV deverá permitir velocidades da ordem dos 220 km/h. Como futura linha principal de ligação ao exterior deverá ser de via dupla, sendo a plataforma preparada para isso, podendo no entanto, no início, ter uma só via, de bitola europeia, naturalmente.

Referi esta proposta na minha conferência de 18 de Abril na Sociedade de Geografia e penso que pode ter uma aceitação consensual.

Os encontros que se têm realizado na Sociedade de Geografia, entre eles as suas conferência, têm sido muito uteis, mas é necessário que as opiniões apresentadas numas não sejam esquecidos nas outras.

Assim, acho importante lembrar o debate do dia 6 de Março entre a Senhora Secretária de Estado dos Transportes, Engenheira Ana Vitorin, e o Engenheiro Arménio Matias, fundador e Presidente durante muito tempo da ADFER, sobre a travessia do Tejo pelos comboios TGV.

Num esquema um pouco simplificado, os três grandes problemas que em matéria de infraestruturas de transportes (estou neste momento a excluir os portos) exigem uma decisão, na metade Sul do País, num prazo relativo curto são :

1- A travessia do Tejo a entrada dos comboios TGV em Lisboa e a escolha da sua estação terminal.

2- Definição do traçado da futura linha TGV de Lisboa para o Porto e prioridade a dar à sua construção.

3- Localização do novo aeroporto de Lisboa (NAL).

Todos estes problemas estão obviamente ligados. Mas não precisamos de chegar a uma solução simultanea para todos. Se mantivermos um diálogo e, permito-me dize-lo, algum bom senso, acho que poderemos dar progressivamente passos consensuais, que nos permitirão chegar às melhores soluções..

Foi o que defendi na minha conferência de 18 de Abril.

Hoje, para facilitar futuras discussões, vou apresentar em conjunto as respostas para os problemas citados dadas pelos os diferentes intervenientes, tal como as apreendo a partir da informação que me tem chegado.

Proposta A . ( Que julgo ter sido a proposta do MOPTC até 2005)

1-Travessia do Tejo por uma ponte para o Barreiro destinada aos TGV para Badajoz, Algarve, Porto, para um schuttle para o aeroporto da Ota e ainda para uma circular ferroviária.

2- Linha TGV para o Porto considerada prioritária a passar na Ota e, depois, entre as serras dos Candeeiros e de Montejunto.

3- Novo aeroporto na Ota.

Proposta A’ . ( Que julgo ser a proposta do MOPTC depois de 2005)

Semelhante à anterior mas com a variante da ponte para o Barreiro não servir para os trajectos para o Porto e para a Ota. Para este fim é prevista uma entrada para os TGV a Norte de Lisboa pelo Lumiar.

No final de Março foi precisado que a estação terminal seria nas Olaias.

Proposta A" . ( Proposta do Engenheiro Pompeu Santos)

1- Semelhante à proposta A com a estação terminal em Chelas.

2- Não sei exactamente qual é o traçado que propõe para o TGV para o Porto.

3- Novo aeroporto na margem Sul.

Proposta B. ( Proposta do Engenheiro Arménio Matias)

1-Travessia do Tejo por um tunel para o Montijo destinada aos TGV para Badajoz, Algarve, Porto, e ainda para uma circular ferroviária. Estação terminal em Lisboa nas Olaias.

2- Linha TGV para o Porto a utilizar o tunel para o Montijo e por um trajecto possivelmente ainda a estudar..

3- Novo aeroporto na margem Sul.



Proposta B’. ( Proposta do Arquiteto José Tudela)

Semelhante ao do Engenheiro Arménio Matias, mas com a variante dos TGV partirem de Santa Apolónia paralelamente ao Tejo entrando num tunel de modo a ganharem profundidade inflectindo depois para a direita para atravessarem o Tejo na direcção do Montijo, inicialmente por um tunel e depois por uma ponte.

Proposta C ( A proposta que a meu ver teria sido a melhor)

1- Entrada dos TGV em Lisboa pela actual ponte Vaso da Gama que teria sido rodo-feroviária, com a estação terminal na antiga gare de triagem da CP de Beirolas vendida à EXPO que construiu lá uma urbanização.

2- Linha TGV para o Porto seguiria pela margem Sul até perto da Chamusca atravessando aí o Tejo e passando perto do Entroncamento que guardaria as suas características de centro ferroviário.

3- Novo aeroporto na margem Sul.

Proposta C’ ( Proposta que julgo ser neste momento a preferivel)

1- Saida dos TGV de Lisboa por Sacavém, seguindo paralelamente ao Tejo (possivelmente entre o IC2 e o rio) até perto de Alhanda, para aí, depois de ganhar altura, passar num viaduto diante da vila de modo a não perturbar a sua vida ribeirinha para, depois inflectir à direita e atravessar o Tejo na direcção do Porto Alto sem passar sobre a Reserva Ecológica do Tejo.

1’- Estação de partida na Gare do Oriente, o que é possivel desde que se reserve uma zona de manobra a Sudoente.

2- Linha TGV para o Porto pela margem Sul até perto da Chamusca.

3- Novo aeroporto na margem Sul.



Proposta C’’ ( Variante da anterior)

1-Passagem dos comboios por um tunel com cerca de 8 km em Alhandra e Vila Franca, com a passagem do Tejo depois de Vila Franca, ou utilização de algum processo para quadriplicar as vias sem prejudicar demasiado a vidad à superficie.

2- TGV para o Porto pela margem Norte ou pela margem Sul. seguindo paralelamente ao Tejo (possivelmente entre o IC2 e o rio) até perto de Alhanda, para aí, depois de ganhar altura, passar num

3- NAL na margem Norte, ou na margem Sul.



Proposta D ( Proposta apresentada no PROTAML elaborado pela CCRLCT, creio que em 2004)

1- Os TGV vindos de Badajoz a meio do Alentejo inflectem para ir passar o Tejo acima da Azambuja, para passarem na Ota para depois virem até Lisboa entrando pela margem Norte não sei bem por onde.

2- Também não conheço o trajecto propsto para TGV para o Porto.

3- Novo aeroporto na Ota. (O trajecto referido em 1, permitiria aos passageiros vindos de Madrid por TGV irem ver o aeroporto onde tinham decidido não aterrar).

Proposta D’ ( Variante da anterior proposta pelo Professor Manuel Porto há uns anos atrás )

1- Os TGV vindos de Badajoz iriam ao Entroncamento receber os passageiros vindos do Centro vindo depois para Lisboa indiferentemente pela margem Norte ou pela margem Sul.

Nesta apresentação cometi certamente alguns erros. Disponho-me a corrigi-los logo que mos assinalarem. Haverá, eventualmente, outras propostas. Se for o caso peço que mas assinalem.

Penso que embora esquemática esta apresentação será util para discutir-mos as vantagens e inconvenientes das diferentes soluções.

Espero que este debate tenha continuidade em encontros na Sociedade de Geografia e noutras ocasiões, como é o caso do encontro organizado pela ADFER no na Gare Marítima de Alcântara no dia 25 de Maio.

Com as minhas melhores saudações

António Brotas

PS- Espero que os candidatos à Câmara de Lisboa nestas próximas eleições se interessem por estes assuntos, muito em especial pelos problemas da estrada dosd >TGV em Lisboa e escolha da estação central.

Faço notar que a solução actualmente proposta das duas entradas, ponte para o Barreiro e da entrada pelo Lumiar, obriga a cerca de 10 km de vias de bitola europeia para os comboios TGV no interior de Lisboa não se sabendo ainda onde serão em tunel, em viaduto ou à superfície.

A apresentação pública deste projecto para avaliação do seu impacto ambiental, não está, certamente, prevista para breve, mas dadas o seu impacto impacto sobre a cidade convém que nos comecemos, e muito em especial os eleitos, a interessar por ela."

Carta enviada por António Brotas

1 Comments:

Blogger Fernando Pinto said...

Boa tarde!

Não conhecia este seu blogue. Gostei do que li!

Cumprimentos,
Fernando Pinto

6:28 da manhã  

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