terça-feira, maio 01, 2007

NÓS (Wii), NINTENDO

O post colocado a seguir é o correspondente à crónica publicada hoje no DN. No entanto a correspondência não é total. O post inclui e-mails que recebi e não pude incluir na versão papel pois o espaço é limitado, ao contrário da Rede, que é elástica, maleável, disponível para os caprichos e as necessidades dos cronistas.

De assinalar também que a edição papel teve, pela primeira vez, duas páginas.
Haverá ainda outros posts ou inclusões de texto sobre este assunto.

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt


O leitor João Dias escreveu-nos um e-mail sobre o tratamento dado pelo jornal a uma notícia sobre a Nintendo.

"Na edição do DN do dia 11 de Abril do corrente ano, foi publicada uma notícia referente à opinião de um site espanhol que considerava a mais recente consola doméstica da Nintendo, a Wii, e uma personagem de bandeira do fabricante, Mario, como 'os mais gay dos jogos electrónicos'.

Como consumidor de videojogos de longa data, considero que a imprensa em geral, quer no nosso país, quer fora dele, dá um tratamento indevido à indústria dos videojogos, através de artigos e reportagens sem fundamento e falaciosos no que diz respeito aos jogos propriamente ditos e às máquinas utilizadas para os jogar (as consolas de jogos).

Posto isto, devo dizer que a referência feita pelo DN à opinião do site espanhol Chueca.com (site informativo do país vizinho no que diz respeito ao tratamento de questões relacionadas com a homossexualidade) não só manifesta uma falta de informação notória sobre a indústria dos videojogos como revela uma falta de seriedade alarmante no DN: face aos acontecimentos nacionais e globais que se revestem de enorme importância para todos os cidadãos de Portugal e do mundo, o Diário de Notícias optou por preencher o canto superior esquerdo da capa da edição do dia 11 de Abril com uma referência à opinião de um site espanhol sobre uma marca de videojogos.

Preocupante é também a falta de conhecimentos da pessoa que tratou do assunto - revela que apenas consultou os títulos que mais sobressaíam no referido site, não se preocupando com os erros que o Chueca.com deu no tratamento da questão - a começar pelo design das consolas referidas, passando pelo seu interface, pelo desconhecimento com que o site (e consequentemente o DN) trata a Nintendo, uma das empresas mais respeitadas do mundo, produtora de videojogos desde o final da década de 1970 e fabricante de consolas de jogos desde o início da década de 1980, pela ignorância demonstrada face aos conceitos dos jogos em geral e aos títulos dos jogos propriamente ditos (os jogos em particular apresentados como 'nfantis'não são desenvolvidos nem editados pela Nintendo, existem igualmente noutras consolas de outros fabricantes) -, sendo que a matéria redigida pelo site espanhol, difundida ao público português pelo DN, resulta da ignorância predominante da indústria dos videojogos na maioria das sociedades.

É lamentável que o Diário de Notícias tenha decidido fazer referência a uma opinião baseada em erros e que em nada contribui para o benefício da indústria dos videojogos - muito pelo contrário, apenas contribuirá para deteriorar a sua já manchada imagem junto dos sectores mais retrógrados da sociedade. Esta situação prejudica ainda mais o compromisso do DN para com a sociedade portuguesa ao ignorar o que representam a Nintendo e a personagem visada na indústria dos videojogos - a personagem Mário foi criada em 1981 e o seu criador, Shigeru Miyamoto, é uma das maiores personalidades nesta indústria, reconhecido e admirado mundialmente pelo seu trabalho como produtor, realizador e actual director de uma direcção de desenvolvimento de jogos da Nintendo responsável por alguns dos maiores sinónimos de qualidade da indústria. A sua obra foi distinguida com a atribuição de vários galardões, entre os quais se destaca a atribuição do grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras do Ministério da Cultura francês no ano de 2006, bem como o reconhecimento da edição asiática da revista Time ao incluí-lo na sua lista 60 Years of Asian Heroes no passado mês de Novembro.

Com base em tudo aquilo que foi exposto, o tratamento que o DN deu à opinião de um site espanhol cujo tema não é a indústria dos videojogos é inadequado e não tem lugar num jornal como o vosso."

A notícia tinha-me sido assinalada no dia da publicação por uma leitora, em conversa informal. Recebi várias outras queixas sobre este assunto, num raro volume de opiniões expressas. "Notícia sem razão de ser no DN" (o leitor João Dias), "Pedido de satisfação" ( Pedro Silva), "Desagrado" (Hugo Benevente), "Tema da capa da edição de 12 de Abril" (Pedro Aguiar) eram alguns títulos das mensagens. (1) Pedi esclarecimentos à direcção, ao editor e à jornalista. O director adjunto, Rui Hortelão, fez-me chegar a resposta da jornalista e as ligações ao site espanhol. A autora da peça publicada deu as seguintes explicações: "A propósito do artigo 'Nintendo Wii é consola associada ao público gay', que suscitou reacções várias por parte dos leitores, gostaria apenas de relevar o cuidado que foi posto na elaboração do artigo, que citava - como considero ser legítima uma análise efectuada por um site dirigido a um público específico - uma página de Internet destinada a homossexuais.

No referido artigo, nunca se afirmou que a Nintendo Wii é uma consola utilizada ou mesmo concebida apenas para homossexuais. Limitei-me, apenas, a fazer uma notícia que, no meu entender, não emite qualquer juízo de valor a propósito de uma análise feita por terceiros. Tratou-se apenas de noticiar a opinião (atribuída) a um determinado público.

Penso também que não é uma notícia preconceituosa, na medida em que só seria se se considerasse que este atributo de associar uma consola a determinado público era positiva ou negativa. No meu entender, isso não é nunca feito.

Por fim, gostaria apenas de referir que foi tentado um comentário com a Nintendo, nos Estados Unidos, não tendo sido conseguido. Assumo, no entanto, como erro o facto de não ter insistido nos telefonemas para a Nintendo, pois só o fiz uma única ocasião."

A discussão desta notícia tem um valor simbólico, dado o jornal ter um novo formato. Os leitores do DN, nos últimos meses, viram a administração substituir a anterior direcção, nomeada, cerca de um ano antes, para apostar na actual. Isto quer dizer que a administração foi muito célere, pois, como noutros casos recentes, os resultados das novas orientações mal começavam a ser visíveis e, ainda por cima, tinham sinais positivos. No entanto, o DN é um órgão privado e o seu proprietário tem toda a legitimidade para escolher quem considera poder dirigir melhor o DN. É certo que o Diário de Notícias tem leitores muito especiais, pois é um jornal que ajuda a escrever a História do País há mais de 140 anos. Apesar disso, o provedor não tem de dar seguimento automático às posições dos leitores que querem ter um jornal diferente daquele que corresponde às convicções do director escolhido. Isso não quer dizer que a análise crítica do jornal deva esmorecer. Pelo contrário: deve ganhar novo vigor, estimulando a posição crítica dos leitores e a intervenção autónoma do provedor.

Retomemos a notícia e a explicação da jornalista. "Gostaria apenas de relevar o cuidado que foi posto na elaboração do artigo", diz a jornalista. Só posso louvar o cuidado, mas tenho de afirmar que os leitores do DN exigem mais rigor. Pegar num site ou em qualquer outra informação e transcrevê-la, com recurso limitado a outras fontes, não parece ser uma prática jornalística aconselhável. Isso é raramente sinónimo de trabalho jornalístico, salvo casos especiais (2). O trabalho jornalístico contextualiza os assuntos que trata, falha evidente deste artigo. Como foi direccionado o marketing da Nintendo? A comunidade gay foi particularmente visada? Será que não se podia ter referido que esta consola aposta na socialização e quer abrir-se a novos públicos, dentro das famílias?

É louvável que a jornalista tenha tentado falar com a Nintendo. Porém, o jornalismo não vive de boas intenções. Fica a perplexidade de não ter tentado alternativas: académicos que tratam deste problema, representantes da indústria em Portugal, associações de utilizadores ou simples fãs de jogos.

O DN exige muito mais do que a simples transcrição de um site para ser fiel à tradição e incorporar inovações.

Registe-se um reparo por os editores e os directores, responsáveis pelo fecho do jornal, não terem evitado a colocação de uma notícia tão frágil em primeira página. O tema é muito actual e desperta interesse, como muitos sobre a indústria dos jogos e as questões de género. Mas o facto de haver insuficiente matéria depois deste chamariz de primeira página só pode deixar os leitores insatisfeitos.

(1) Ver outros e-mails de leitores no endereço http/sotextosmesmo. blogspot.com

(2) Por exemplo, no caso de decisão de publicação na íntegra de um discurso do Presidente da República. |

BLOCO NOTAS

Depoimento de Luís Filipe B. Teixeira
Pedi depoimento ao professor Luís Filipe B. Teixeira, especialista em videojogos e professor na Universidade Lusófona, depoimento que transcrevo. Acrescentarei na net (http://sotextosmesmo.blogspot.com/ … ) mais informação sobre este assunto. “Quanto à polémica sobre a notícia do DN que tem por referência a opinião de um sítio espanhol que considerava a mais recente consola doméstica da Nintendo, a Wii, e a personagem de um dos principais jogos do fabricante, o Mario, como «os mais gay dos jogos electrónicos», bem como ao «raro volume de opiniões expressas», oferece-me dizer o seguinte:

1) Em primeiro lugar, os videojogos (com tudo o que lhes estão associados, quer de positivo quer de negativo) e a sua indústria e o problema do «género» são, sem dúvida, dois dos temas representantes da nossa actualidade e, por isso mesmo, sensíveis, necessitando de tratamento, simultaneamente, rigoroso e crítico, até por existirem muitas ideias (mal) feitas sobre o assunto. Ora, a informação de base, «amplificada» pelo DN ao dar-lhe destaque de primeira página, demonstra um enorme desconhecimento, nomeadamente, da história da cultura e indústria ludológica.

2) Em segundo lugar, no que se refere aos «oito argumentos» enunciados pela fonte, e pela sua «evidência», uma análise rigorosa, facilmente a poderá destruir. Senão vejamos: o nome Wii foi escolhido para substituir «Nintendo Revolution» (alteração anunciada a 27/04/2006) tendo por base o «we» inglês, isto é, «nós», para designar «consola para todos».Esta ideia será reforçada pelo duplo «ii», sinalizando o seu (forte) carácter (mais) «multijogador». Quanto à questão do «rosa» e do «pink software», também há PSP dessa cor...sendo a razão mais de abertura a novos mercados (isto é, ao mercado feminino) do que propriamente outra razão qualquer; Quanto ao facto dos jogos da Wii não terem violência e promoverem a sociabilidade, não deixa de ser curioso por ser, precisamente, a crítica que usualmente se utiliza para se condenarem os jogos, ou seja, o carácter, por vezes gratuito e sanguinário, da sua violência. Mas também aqui, por exemplo, poderíamos referir a sociabilidade dos jogos produzidos para a tecnologia «Eyetoy» (PS2), anunciados usualmente, para serem jogados por toda a Família e, até, pelas nossas Avós!Quanto ao nome «Mario» (o tal canalizador de fato-macaco), o seu nome deveu-se ao facto do gerente de depósito da Nintendo, em NY, Mario Segal, ser parecido com a personagem, bem como ao facto do seu criador, Shigeru Miyamoto, com o bigode, querer acentuar o seu nariz.

3) Por fim, para se ser breve, de realçar que, por exemplo, na luta entre as três consolas da nova geração, respectivamente, Wii, XBox 360 e PS3, a Nintendo sempre disse ser a «verdadeira consola de jogos», dando primazia à «jogabilidade» em detrimento, por exemplo, da luta por «mais pixéis», melhor gráficos ou «formatos» (o HD DVD da XBOx contra o Blu-Ray da PS3); por outro lado, quanto ao «hibridismo» de género de algumas personagens de jogos, quer nas «formas» quer nas «competências» que demonstram, ele poderá ser encontrado noutros de outras consolas e, mais uma vez, tendo por razão de base a abertura ao mercado feminino, mais que qualquer outra razão.” (3)

O provedor também erra
Publiquei a semana passada uma crónica na Internet, sem que o tenha feito primeiro na edição papel. Eis a parte mais substancial do meu comentário que pode ler em http://sotextosmesmo.blogspot.com/
“Igual posição sobre as fontes tem sido tomada por outros provedores da imprensa. Os códigos deontológicos e os livros de estilo também não dão tréguas a esta prática, usada, demasiadas vezes, para ser credível.
Mas a prudência deveria ter sido maior no meu escrito tal como predicava para a jornalista. Escrevi sem ter acesso ao despacho da Lusa, acesso que faz falta e não tem estado previsto.
A minha resposta continha um erro. Considerei que o “desmentido categórico” de fonte oficial existiu , quando, na verdade, se tratou de uma afirmação de uma fonte encoberta e divulgada por uma agência de notícias. Se a utilização destas fontes já é pouco aconselhável nos jornais, o papel de uma agência de notícias é de responsabilidade ainda maior. O despacho que contém este desmentido é algo que não enobrece o trabalho da agência, nem as fontes (anónimas) de Belém. “Continuo a manter a confiança nas referidas fontes, apesar do desmentido que foi feito, também por uma "fonte" de Belém à agência Lusa“. Esta frase da jornalista passou sem o devido valor na crónica. De facto, atribuí um valor indevido ao desmentido pois as aspas postas pela jornalista advertiam para a precariedade da fonte da Lusa (“fonte de Belém à agência Lusa”).
Na ausência de um desmentido categórico oficial da Presidência da República ou de fontes claramente assumidas, é difícil saber onde está a verdade. A fonte da jornalista não pode ser considerada mais ou menos fiável do que a da agência Lusa. O provedor também erra. Ele pode relembrar que o trabalho jornalístico não deveria aumentar a capacidade de manobra dos que fazem política na sombra. A utilização generalizada de fonte anónimas é isso que encoraja. É um daqueles casos em que o todo não é igual à soma das partes.

Continuação em Maio
Dado ter estado sem escrever durante um largo período, as minhas crónicas vão prolongar-se durante o mês de Maio. Agradeço esse gesto de João Marcelino, que me permite analisar mais em detalhe o jornal depois da entrada em funções da nova direcção iniciada em Fevereiro.

Correio sobre o novo DN
O correio dos leitores sobre as mudanças recentes do DN será analisado em próxima crónica. Se ainda não deu a sua opinião, não hesite em o fazer, enviando um e-mail ou carta para o jornal dirigida ao provedor.

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt



OS E-MAIL RECEBIDOS e não publicados na versão papel
(não foi feita revisão)

1 Diário de Noticias de 11 de Abril - Mario e Nintendo Wii sendo "gays"

-----Original Message-----
From: 000 000 [mailto:cristianosequeira@msn.com]
Sent: Thu 12-04-2007 18:30
To: Provedor (DN/de)
Subject: Diário de Noticias de 11 de Abril - Mario e Nintendo Wii sendo "gays"

Na edição de 11 de Abril li para meu espanto uma noticia referente a uma página de internet espanhola que afirma que a Nintendo Wii e o Mario são "os mais gay dos jogos electrónicos".


Tenho a dizer que fiquei decepcionado e envergonhado como português que sou. Um Jornal na posição do Diário de Notícias devia de ter mais cuidado com o que escreve, sempre com a intenção de informar as pessoas com assuntos realmente relevantes e dedicar-se a novidades e noticias, não a declarações de um site do país vizinho nem dedicado à industria e aínda para cima sendo um site de um assunto completamente fora dos jogos.

Isto só vai agravar a situação da industria em solo portugues. Vai levar as pessoas a pensarem aínda pior sem realmente terem fundamentos para tal e vai manchar a imagem que o Diário de Notícias tem, com a mancha de um Jornal que divaga e que vai buscar piadinhas ou "gozos" para preencher os buracos da Primeira página.

Além de que as acusações feitas não têm qualquer fundamento. A Nintendo Faz jogos desde 1980. A Industria foi marcada pela Nintendo, tanto que as marcas da moda que dominam o nosso atrasado portugal, são as Playstations da Sony que em muito tentam copiar a Nintendo. Bons exemplos são o "Joystick", o "Rumble" integrado nos comandos, mais recentemente o "Sixaxis" para copiar as funções do "Wiimote" da Nintendo em termos de jogar movimentando o comando. O design da Consola e a sua interface são das consideradas melhores, consideradas "sleek", simples e de fácil acesso mesmo a quem não joga. A Nintendo não se dedica a fazer jogos apenas para maiores de 18 e a limitar a industria, mas a expandi-la fazendo jogos para todos, mesmo os que não se interessam tanto, e isso podia ajudar portugal, se as pessoas que lessem o Diário de Noticias lê-sem o que a Nintendo realmente é: A impresa que por aí fora domina a indústria e comanda o tom.

Dito isto estou decepcionado e vou informar via e-mail a Nintendo sobre o sucedido para tomar medidas neste país sempre atrasado e mergulhado na ignorância.

Cristiano Sequeira

2 Pedido de satisfações

-----Original Message-----
From: Pedro Silva [mailto:pedrocasilva@yahoo.com]
Sent: Thu 12-04-2007 19:13
To: Provedor (DN/de)
Subject: Pedido de satisfações

Boa tarde,

Venho por este meio expressar o meu desagrado para com a vossa noticia de capa da edição de 12 de Abril de 2007 sobre consola Nintendo Wii e Super Mario como sendo "os mais gays dos jogos electrónicos".

Que género de jornalismo é aquele que publica o que foi dito num site espanhol desconhecido, quase com contornos de blog, a opinião de um pobre diabo que acha que a consola é para homossexuais? O que esperam vocês ao generalizar todo um grupo de consumidores que efectivamente compram a consola? É quase difamatório!

E logo uma generalização pela sua preferência sexual, que roça o insulto, estamos muito habituados a sermos atacados por pessoas que nos consideram criancinhas de 5 anos que não somos, pelo que é interessante que pelos vistos agora já temos vida sexual activa e sexualidade definida... Mas... Homossexuais?

Onde ir buscar uma suposição dessas? E porquê publicá-la como uma grande relevação?

Pela ordem natural das coisas, a consola que vendeu mais a geração passada (a PS2) terá a maior quantidade de pessoas homossexuais, porque não fazer um artigo sobre isso? e metam-no na primeira capa para vermos o que os consumidores da marca vos irão dizer. (também devem ter alguns na vossa redacção)

Conteúdo deste género é algo que podemos esperar da revista oficial da concorrência (e mesmo assim não espero); é algo que podemos esperar, como quem já espera tudo, de um jornal como o 24 horas; mas não é algo que espere de um jornal como o Diário de Noticias. Como tal não acho que deva passar em branco, e espero que não volte a suceder.

De novo vos pergunto, o que é que uma opinião não fundamental dada num site espanhol de videojogos tem para aparecer na primeira pagina do Diário de Noticias? (e ser noticiado em primeiro lugar) Têm assim tão poucas noticias relevantes para dar?


Atenciosamente

Pedro Silva (20 anos, Heterossexual)


3 Desagrado

-----Original Message-----
From: Benevente [mailto:ben_nas_nuvens@yahoo.com]
Sent: Thu 12-04-2007 20:25
To: Provedor (DN/de)
Subject: Desagrado

Boa tarde,

É com muito desagrado que pude observar na edição do Diário de Notícias de 11 de Abril de 2007 uma notícia com direito a aparecer na primeira página, que não tem cabimento nenhum em surgir num jornal sério que é o DN.

A notícia em questão é sobre a consola de videojogos Nintendo Wii e da sua famosa mascote Super Mario serem considerados "os mais gay dos jogos electrónicos". Além de uma notícia destas não ser, do meu ponto de vista e certamente de muitos mais leitores do DN, merecedora de aparecer numa primeira página de um jornal supostamente sério, o seu conteúdo é totalmente disparatado.

Partindo do nome "Wii" considerado não apenas "gay" mas também como "naif", provavelmente por pessoas ignorantes já que o nome foi escolhido pela sua semelhança sonora á palavra inglesa "we" ("nós" em português, ou seja, dá a ideia que é uma consola para todos).

Seguindo-se a referência ao desenho, especialmente as cores que a consola é vendida, que por ventura é falso. Mencionam que foi a primeira a lançar uma máquina cor-de-rosa, quando já existe essa cor há alguns meses noutras consolas como a PS2 ou PSP da Sony e a DS da Nintendo, e quando ainda nem existe á venda em nenhuma parte do globo essa cor para a consola em questão (Nintendo Wii).

Seguidamente dão como outro exemplo "gay" o facto da consola não ter jogos violentos e com agressividade. Pergunto-me qual é a relação entre a homosexualidade e a não-violência? Será que os homosexuais são seres inocentes pacíficos e que não aderem á violência? Para não falar que estão previstas duas das mais violentas séries de videojogos para a Nintendo Wii (Manhunt 2 e No More Heroes).

Finalizando com a consideração de algumas personagens de jogos da Nintendo como sendo personagens homosexuais. Pergunto-me quais são as semelhanças entre personagens dirigidas para toda a família como Mario e Luigi e homosexuais. Será que os homosexuais se parecem com canalizadores de bigode farfalhudo? Ou de elfos como o Link, armados de espada e escudo? Ou ainda de dinossauros verdes como o Yoshi?

Sendo assim, não entendo como aparece uma noticia destas, vinda de uma opinião de uma pessoa ou de um pequeno grupo de pessoas insignificantes de um site espanhol que nunca se ouviu falar por cá em Portugal, e que está por ventura errada em muitos aspectos, com referência na primeira página de um jornal sério como o DN.


Atenciosamente

Hugo Benevente


4 Tema de capa da edição de 12 de Abril

-----Original Message-----
From: pedro daniel [mailto:pedrodaniel_23@hotmail.com]
Sent: Fri 13-04-2007 20:00
To: Provedor (DN/de)
Subject: Tema de capa da edição de 12 de Abril


Ex.mo Senhor provedor do Diário de Notícias.

Venho por este meio comunicar a tristeza e desagrado pelo que vi na capa do
vosso jornal na edição do dia 12 de Abril que noticia que um qualquer site
espanhol considerou a Nintendo Wii e a personagem Mario -, propriedade da
Nintendo - como os mais gays da indústria dos videojogos.

Parece-me que acontecem no mundo coisas mais relevantes e merecedoras de
honras de capa de um jornal, do que a mera opinião de um Zé-ninguém que
pouca ou nenhuma credibilidade tem, que não a que a sua insignificância lhe
confere.

Não sei de facto qual foi a intenção do jornal ao publicar esta suposta
notícia. Tentativa de massificar uma ideia errada e preconceituosa? Talvez.
A mim, como cliente da Nintendo e leitor mais ou menos assíduo do jornal,
ofende, mas mais deve ofender à comunidade gay que se vê mais uma vez
associada a um estereótipo.

Sei que no vosso último aniversário anunciaram que o jornal iria mudar para
uma abordagem mais popular, mas isto é roçar o sensacionalismo típico dos
tablóides.

Na minha opinião o que está em causa não é de todo o conteúdo do site, e a
sua natureza duvidosa, mas sim a publicidade que o DN lhe faz, mascarada de
notícia.

Esta não é certamente a primeira manifestação de desagrado para com o
sucedido que recebem, mas gostava que a tivessem em conta, e que façam o que
poderem para emendar a situação.

PS: Não sei o que é que os vossos jornalistas faziam num site gay espanhol,
mas cada um.

Com os melhores cumprimentos,
Pedro Aguiar

em ligação com pdn