domingo, maio 06, 2007

A OTA e ...António Brotas

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Sent: domingo, 6 de Maio de 2007 11:13
Subject: Fw: Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGRO SOBRE O AEROPORTO DA OTA

6 de Maio
Exmo. Senhor Bastonário,
Congratulo-me por ver a Ordem dos Engenheiros promover um encontro sobre a problemática do aeroporto da Ota, como é o caso do jantar-debate do próximo dia 9 com o Prof. Augusto Mateus, para que já me inscrevi.
Acontece que em Março enviei ao Prof. Augusto Mateus o texto que se segue que foi publicado no passado dia 4 no jornal "Badaladas" de Torres Vedras.
Gostaria assim que, no caso de ser possivel, este texto fosse conhecido no decorrer ou depois deste debate.
Vou amanhâ, por fax e/ou correio azul, enviar à Ordem a fotocópia do artigo publicado no jornal "Badaladas".
Com as minhas melhoes saudações
António Brotas
----- Original Message -----
Sent: quarta-feira, 14 de Março de 2007 13:08
Subject: Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGROSOBRE O AEROPORTO DA OTA

15 de Março
Para a Associação de Municípios do Oeste,
Ex.mos Senhores,
Envio-vos directamente este texto que foca de perto questões relacionadas com o Oeste.
Estarei sempre à vossa disposição para esclarecer e abordar mais aprofundadamente estes problemas.
Agradecia-vos que transmitissem este email ao Prof. Augusto Mateus de quem não tenho neste momento o endereço.
Com os meus melhores cumprimentos
António Brotas

Carta a Augusto Mateus para integrar no LIVRO NEGRO SOBRE O AEROPORTO DA OTA

13 de Março de 2007

Caro Augusto Mateus,

Leio na página 10 do jornal METRO de hoje uma notícia com o título: "Aeroporto da Ota vai desenvolver o Oeste" que começa com as palavras: "ANÁLISE. As actividades económicas que se venham a desenvolver à volta do aeroporto da Ota, em Alenquer, serão uma oportunidade para o Oeste ser mais competitivo, defende Augusto Mateus, especialista que está a desenvolver estudos sobre a região".

Peço-lhe para se debruçar sobre um mapa actualizado das estradas e notar o seguinte: com a nova autoestrada A10, cuja travessia do Tejo vai ser em breve inaugurada, vai ser mais facil aos passageiros provenientes de Torres Vedras e de todo ao Oeste, chegarem a Benavente, ou a Samora Correia, do que ao aeroporto da Ota. E, mesmo para as pessoas de Alenquer, será provavelmente mais facil chegarem à margem esquerda do Tejo do que a este aeroporto.

O mapa com os futuros acessos a este aeroporto, publicado na página 3 do DN de 5 de Março, é muito claro sobre esta questão, havendo, no entanto, que notar que se trata de um mero esboço, diferente do publicado dois dias antes no Expresso e muito diferente do incluido na página 28 da versão escrita do documento "Orientações estratégicas – Sector ferroviário", divulgada pelo MOPTC, em 28 de Outubro.

Em qualquer caso, com a construção da A10, parece-me perfeitamente claro que o Oeste não é em nada prejudicado com a construção do NAL (novo aeroporto de Lisboa) não na Ota, mas num local convenientemente escolhido na Margem Sul. A impressão que tenho é a de que, devido a uma insuficiente informação e, sobretudo, a uma falta de debate e de confronto de ideias , a população do Oeste tem sido, nalguma medida, induzida em erro sobre este assunto.

Mas há mais. Aos gigantescos danos ambientais na próximidade de Alenquer e da Ota provenientes da construção do aeroporto, há que acrescentar os danos provenientes dos acessos, que estão ainda muito longe de estar avaliados. Aparentemente, estes danos não atingiriam o Oeste, mas não é bem assim.

A opção da Ota induziu, de um modo primário a meu ver, porque uma coisa não obrigava à outra, a que se considerasse que o TGV teria de passar na Ota. Esta obrigatoriedade, que ainda não se sabe bem como poderá ser cumprida, e que tem provocado constantes alterações nos projectos do aeroporto, até agora meros esboços, fez com que a RAVE mandasse estudar o troço, de Pombal a Alenquer, de uma futura linha TGV de Lisboa ao Porto, com passagem na Ota.

Este projecto entregue no Instituto do Ambiente, em Setembro, para avaliação do seu impacto ambiental, o que obriga a um periodo de consulta pública não inferior a um mês, foi depois retirado, talvez provisóriamente, para ser melhorado. Uma coisa no entanto sabemos: este troço da linha TGV de Lisboa ao Porto, que passaria entre as serras de Montejunto e dos Candeeiros, teria declives excessivos para ser uma linha adequada para comboios de mercadorias.

Assim, a obrigatoriedade de passar na Ota implica ser imprópria para o transporte de mercadorias a futura linha de bitola europeia de Lisboa ao Porto. Penso que compreenderá o grave inconveniente desta limitação, com um efeito a longo prazo para a ecomomia de todo o centro do país. Mais imediatamente, alguns autarcas do Oeste, nomeadamente da Batalha, já se aperceberam dos inconvenientes de uma linha TGV que lhes divide o concelho e cujos comboios nele não param.

Se bem percebi a curta notícia do METRO, o Augusto Mateus , a quem a Associação de Municipios do Oeste (AMO) adjudicou a realização de ""um plano de acção"que aponte soluções de acordo com o novo quadro comunitário de apoio", reconhece "não caber na Ota uma cidade aeroportuaria moderna ….como todo o mundo faz quando faz um aeroporto", mas espera que os benefícios do aeroporto da Ota induzam o desenvolvimento do Oeste. Em particular, pede a melhoria da linha do Oeste.

O país ficaria assim sem a cidade aeroportuaria possivel, quando tem amplos espaços na margem Sul para ela poder surgir a prazo. Duvido que o Oeste tenha nisso qualquer benefício. Com respeito à linha do Oeste, a sua melhoria é uma exigência que se justifica plenamente e considero urgente, mas parece-me errado defender simultaneamente esta melhoria e o actual trajecto previsto para o TGV de Lisboa da Porto, que não me parece nada urgente. Com respeito a aeroportos que contribuam para o desenvolvimento do Turismo, parece-me que o grande grande interesse da região Oeste esta em conseguir rapidamente a abertura da base de Sintra e do aeroporto de Tires a voos low cost.

Penso que a Associação dos Municípios do Oeste tem todo o interesse em promover debates sobre estes assuntos com pessoas algumas das quais têm defendido pontos de vista que não são exactamente os seus. Consigo, terei sempre gosto em falar sobre estas questões se o desejar.

Com as minhas melhores saudações

António Brotas"