quinta-feira, maio 17, 2007

PROVEDORIAS, no DN

MUDANÇAS...

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt


Os leitores têm dado opiniões muito diversas sobre as mudanças ocorridas recentemente no DN.

Uma leitora, Maria Augusta Oliveira (28/04), escreveu: "Se eu tivesse de assumir a direcção de um jornal, o modelo actual do Diário de Notícias não me traria a tentativa da influência em que sempre se vai beber quando se quer empreender.

De um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos. Certo, tal como nas gravuras que acompanham um texto complicado, as imagens podem servir de apoio ou de guia à inteligência, mas a sobriedade na sua utilização dá distinção à imagem de um jornal cuja preocupação seja transformar a sensação em consciência.

Palavras, torrentes de palavras de excelentes colaboradores como o DN sempre teve para o prazer de ler um jornal! - assim é, por exemplo, o Le Monde.

O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural, uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também.

Assim, também, os assuntos que são chamados à 1.ª pág. se têm manifestado pouco apelativos, sendo a escolha, de entre as realidades, as 'suas realidades'."

O recurso à simulação "Se eu fosse director do DN", apesar de ser um exercício interessante, não tem efeitos práticos: cada director imprime o seu cunho ao jornal, sendo provável que outra pessoa, no seu lugar, fizesse escolhas diferentes. Este e-mail revela também aspirações a que o DN dificilmente pode corresponder: tal como Portugal não é a França, o DN não é o Le Monde.

Já mais complexa é a consideração feita pela leitora de que "de um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos." O papel das imagens é um terreno de oposições muito marcadas. O jornal citado, o Le Monde, é aliás disso um bom exemplo. O formato em que as imagens estavam ausentes foi considerado ultrapassado e pouco apto a responder aos desafios do mercado francês, sendo portanto abandonado. Na altura, esta mudança deu origem a abundante correio ao provedor (médiateur) do Le Monde. Hoje, o jornal usa as imagens com frequência e, por vezes, em grande destaque. O argumento da leitora faz crer que as imagens são elementos de segunda ordem, comparados com a palavra escrita, excelsa e inultrapassável. Ora muitos leitores e pensadores estão longe de validar tal visão das coisas, considerando que a imagem tem uma dignidade própria e um papel decisivo na imprensa de hoje. Podemos lembrar, com José Pacheco Pereira, que as imagens ocupam mais espaço de um disco duro do que o texto, e que isso se deve também à sua grande complexidade informativa.

"O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também." Ainda bem que a leitora usou o termo cautela, matizando o juízo mais definitivo que depois adianta. De facto, a prudência exige que não se reproduzam chavões e juízos automáticos. Agrilhoar as pessoas ao passado, sem lhes deixar margem de manobra e autonomia, é, claro, mais fácil do que avaliar os resultados das suas acções. Evitar estes atalhos tem benefícios. É complicado reformar uma instituição, sobretudo com uma história tão antiga como tem o DN. Os leitores criaram hábitos. Uma das dificuldades das novas direcções tem sido a corrida contra o tempo, que se insere no quadro do declínio gradual do número de leitores de jornais. O DN necessita de manter os leitores tradicionais e tentar simultaneamente alargar o seu público, o que é obviamente difícil e nem sempre foi conseguido nestes três últimos anos.

O leitor Jorge Galvão Videira (05--05-2007) sintetizou de outra forma as mudanças recentes no DN: "Na minha opinião houve algumas alterações que melhoraram o DN, como sejam:

- Organização do jornal, que facilita a leitura;

- Criação das faixas - o que vai acontecer hoje e amanhã

- Suplementos melhores, sendo de realçar o de Economia, com melhor organização e apresentação.

Também há aspectos, e alguns importantes, que pioraram, a saber:

- Sensacionalismos na 1.ª pág., o que não se coaduna com um "jornal de referência"; hoje há três Correio da Manhã (o próprio, o Público e o DN). O destaque, na 1.ª pág. dado a notícias como a operação do Eusébio ou a derrota de Mourinho é superior ao dado no jornal A Bola.

- Viragem à direita em termos políticos, visível pela cessação de colaboração de alguns, bons, jornalistas (não compensada pelo fim do pesadelo que eram os artigos de Luís Delgado).

- Suplemento Gente, sem qualquer interesse."

Já me referi, em anterior crónica, ao relativo equilíbrio de algumas soluções gráficas, que introduziram roturas mas respeitaram, em geral, a tendência gráfica do jornal. A criação de "faixas" [na gravura do Bloco--Notas] é, de facto, uma mais-valia para os leitores, um verdadeiro ovo de Colombo que, presumo, vai ter muitos seguidores na imprensa. Estas "faixas" permitiram aos leitores situar-se, no dia-a-dia, nas inúmeras actividades que hoje atravessam a parte do País que pode estar atenta. No domínio das Artes, da Política, dos Media, da Economia. Os leitores sabem hoje mais facilmente onde podem aplicar algum tempo livre ou profissional com proveito. Neste domínio da divulgação da agenda dos acontecimentos, o DN está a fazer um excelente trabalho para o leitor.

Irei, em próximas crónicas, analisar a acusação de sensacionalismo, a mudança de cronistas, a intitulada "viragem à direita", a primeira e última página e a página do Editorial. Pena que restem tantos assuntos para as poucas crónicas agendadas.

BLOCO NOTAS

DN na ONO

A ONO (Organization of News Ombudsman) vai realizar a sua próxima conferência anual de 20 a 23 de Maio. Em Boston, nos EUA, vão reunir-se provedores de órgãos de comunicação de todo o mundo. Estarão representados 13 países. Até ao momento, dos órgão de comunicação social portugueses, estará representado apenas o DN. O tema da conferência é “ Provedores (Ombudsman) num tempo de transição”, mostrando que o mundo é composto de mudança, como escreveria Camões. A sessão onde irei falar “Is There a shared Watchdog Role for the Public, the Blogs and Ombudsman?” será moderada por Geneva Overholser, da Missouri School of Journalism e terá a intervenção de Jeff Jarvis, Blogger, autor de um blogue intitulado Buzzflash. Entre outros, intervirão Dan Ockrent, primeiro provedor dos leitores do New York Times. Ian Mayes, presidente da ONO e jornalista do The Guardian, dialogará com Bill Kovach, fundador do Committee of Concerned Journalists, que esteve recentemente entre nós. (ver o programa da Conferência e outras informações em http://sotextosmesmo.blogspot.com/)

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN


DRAFT PROGRAM: ONO Conference 2007

“Ombudsmen in a Time of Transition”

Walter Lippmann House
The Nieman Foundation
1 Francis Street
Cambridge, Massachusetts


Sunday May 20th, 2007

10 am- 4 pm
Executive Committee Meeting
Lippmann House Library

6:30 pm- 8 pm Cocktails & Reception
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

8:15 pm Dinner in Cambridge (free night)

Monday May 21st, 2007

8:30-9:30 am
Continental Breakfast
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30 am
Nieman Welcome
Bob Giles, Curator, Nieman Foundation
ONO Welcome
Ian Mayes, President of ONO, The Guardian

10 am-12 noon 1st session
“Ombudsmen in the Digital Future”
Ian Mayes, The Guardian
Alan Rusbridger, Editor, The Guardian

12-1:30 pm
Lunch at the Nieman Foundation, Courtesy of ONO

1:30- 3:30 pm
2nd session
“Russian Journalism After the Murder of Anna Politkovskaya”
Video excerpt from PBS documentary: “Democracy on Deadline: The Global Struggle for an Independent Press”
Andrei Richter, Director, Moscow Media Law & Policy Institute
“Turkish Journalism after the Murder of Hrant Dink”
Yavuz Baydar, Sabah, Istanbul

3:30- 4:00 pm Coffee break


4:00- 5:30 pm 3rd session
Shop Talk/ Ethics for Ombudsmen Discussion
Moderated by Wayne Ezell, Readers’ Advocate, Florida Times- Union
Pam Platt, Public Editor, Louisville Courier-Journal
Stephen Pritchard, Readers’ Editor, The Observer
CB Hanif, Ombudsman, Palm Beach Post


6:00 pm Bus transportation departs from The Inn at Harvard for Emerson College, 120 Boylston Street, Boston

6:30 pm Reception at Semmel Theatre, Emerson College
Courtesy of Emerson College Department of Journalism
Welcome by Ian Mayes of The Guardian

7:15 pm 5th session
“Investigative Journalism and Ombudsmen”
Moderated by Sally Begbie of SBS Corporation, Australia

Video excerpt from PBS documentary: “News War”
Louis Wiley, Executive Editor, PBS Frontline
Janne Andersson, Tittarombudsman, Swedish TV4
Michael Getler, Ombudsman, PBS

8:30 pm Dinner around Emerson College (free night)


Tuesday May 22nd, 2007

8:30-9:30 am Continental Breakfast
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30-10:45 am 6th session
“How to Bite the Hand that Feeds You”
Manning Pynn, Public Editor, Orlando Sentinel
In discussion with:
Joann Byrd, former Ombudsman, Washington Post
Richard Chacon, former Ombudsman, Boston Globe

10:45-11:00 am Coffee Break

11:00- 12 noon 7th session
“Looking Back and Looking Forward”
Moderated by Gina Lubrano, former Ombudsman, San Diego Union Tribune
Henry McNulty, first Ombudsman of the Hartford Courant
Dan Okrent, first Public Editor of The New York Times

12:00-1:30 pm Lunch
Lippmann House of the Nieman Foundation
Courtesy of ONO

1:30- 3:00 pm 8th session
“Is There a Shared Watchdog Role for the Public, the Blogs & Ombudsmen?”
Moderated by Geneva Overholser, Missouri School of Journalism
José Carlos Abrantes, Provedor dos Leitores, Diario de Noticias
Jeff Jarvis, Blogger, Buzzflash

3:00- 3:15 pm Coffee Break

3:15- 5 pm 9th session
“How Can Ombudsmen Best Serve the Public?”
Ian Mayes, The Guardian
In conversation with:
Bill Kovach, founder of the Committee of Concerned Journalists

6:30 pm Dinner out in Cambridge (free night)


Wednesday, May 23, 2007

9:00- 9:30 am Continental Breakfast
Lippmann House of Nieman Foundation
Courtesy of ONO

9:30-10:30 am 10th session
“Virtues of Fairness” (Is it fairness becoming more difficult?)
Bob Giles, Curator of Nieman Foundation

10:30- 12 noon Plenary business session
- Election of new officers and directors
- Results of the committees (funding, ethics & outreach)
- Discussion of future conferences

12 noon Adjourn




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