terça-feira, setembro 30, 2008

Anúncio de atribuição de Bolsas de Integração na Investigação

Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens

(Compromisso com a Ciência 2008)

Cargo e número de lugares: bolsa / atribuição de 5 bolsas individuais
Referência: BII (bolsa de integração na investigação)
Área científica: Ciências da Comunicação
Resumo do anúncio:
O Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens, no âmbito do programa Ciência 2008, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, promove um concurso para atribuição de 5 (cinco) Bolsas de Integração na Investigação (BII), na área das Ciências da Comunicação. As bolsas terão início a 1 de Dezembro de 2008.

Este concurso obedece ao regulamento fixado pela FCT, disponível para consulta no endereço electrónico: http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/bolsas/regulamento2008
Objectivos e Destinatários
Os objectivos destas bolsas são a plena integração das actividades a desenvolver na formação académica dos alunos, através da sua posterior creditação no plano de estudos do curso que frequentam, conferindo à investigação desenvolvida no decurso dessas actividades uma vertente formativa significativa e a prestação de serviços no âmbito das actividades de investigação em curso no CECL.

Os bolseiros serão integrados em projectos de investigação, tendo um doutorado da instituição como supervisor. Os projectos em curso no CECL podem ser consultados no nosso site: www.cecl.com.pt

Os destinatários são alunos do 1º ciclo do curso de Ciências da Comunicação de qualquer instituição de ensino superior nacional. Serão considerados alunos inscritos pela primeira vez no ensino superior em 2008/2009.
Início e duração: Início a 1 de Dezembro; Duração de um ano (não renovável).
Publicação dos resultados: Os resultados da avaliação são divulgados até 15 dias úteis após encerramento do concurso.
Avaliação das candidaturas: a avaliação será feita pelo Conselho Científico do CECL, com base no mérito e percurso escolar e profissional dos candidatos.
Documentos a apresentar: carta de apresentação, curriculum vitae, certificado de habilitações, fotocópia do B.I. e do cartão de contribuinte.
Remuneração: O valor mensal da bolsa será de 140,00 euros (cento e quarenta euros), de acordo com os valores estabelecidos pela FCT. A bolsa terá como complemento um seguro de acidentes pessoais.
Número de horas de trabalho e horário de trabalho: o nº de horas de trabalho semanal será de 10 horas, em horário a acordar com os bolseiros.
Prazo de recepção de candidaturas: As candidaturas deverão ser efectuadas entre 15 e 30 de Outubro de 2008. Não serão aceites candidaturas sem os documentos necessários ou entregues fora do prazo. A documentação pode ser entregue em papel ˆ pessoalmente ou por correio (em carta registada e com aviso de recepção) ou por e-mail (info@cecl.com.pt).
Informações e contactos:
Pedidos de informação: info@cecl.com.pt / 21 795 08 91

Morada para envio de candidatura: Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) ˆ Universidade Nova de Lisboa, Departamento de Ciências da Comunicação, Av. Berna, 26-C, 5º, sala 506, 1069-061 Lisboa


Esta oferta está publicada no site de emprego científico da FCT, em : www.eracareers.pt
Encontram-se em curso outros concursos promovidos pelo CECL, no âmbito do projecto de investigação "Comunicação Pública da Arte", os quais também podem ser consultados no site EraCareers.

Com o apoio da FCT

IV ENCONTRO DE BLOGUES - CALL FOR PAPERS


Nos próximos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, realizar-se-á o IV Encontro de Blogues, em instalações da Universidade Católica Portuguesa, sob o título Blogues e cultura. O encontro é promovido pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC).

Os temas em discussão em três painéis sucessivos serão: blogues e segmentação da blogosfera, blogues culturais e educação, e blogues e negócio.

Convidamos todos os interessados a apresentar comunicações para o email encontrodeblogues@fch.lisboa.ucp.pt , até 15 de Outubro, dentro dos temas acima referidos. Os candidatos serão notificados até 25 de Outubro da sua aceitação ou não.

O tipo de letra a utilizar na comunicação é Times New Roman, corpo 12, com espaço e meio de intervalo entre linhas e título das secções em bold. O texto da comunicação proposta deve incluir título, nome do autor e instituição a que o autor pertence, não ultrapassando 10 páginas A4.

Com os meus cumprimentos,
Rogério Santos
(da Comissão Organizadora do Encontro)

segunda-feira, setembro 29, 2008

Bolsa de Investigação (BI)

Cargo/posição/bolsa: BI/PTDC/CCI/70893/2006/03062008

Referência: Bolsa de Investigação (BI)

Área científica genérica: Communication sciences

Área científica específica: Media studies


Resumo do anúncio:

Aceitam-se candidaturas a uma bolsa no âmbito de um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT)

Texto do anúncio

Projecto: PTDC/CCI/70893/2006 – MEDIACULT-PT – Cultura participativa e Uso dos Media.



Requisitos:

- Licenciados nas áreas de Comunicação, Multimédia, Sociologia, Antropologia ou Psicologia;

- Disponibilidade para entrada imediata.



Competências pedidas ao Bolseiro:
- Domínio em SPSS
- Apetência de trabalho de campo em contextos sociais de risco;
- Boas capacidades de relacionamento inter-pessoal.

Condições Gerais:
A bolsa rege-se pelo Estatuto do Bolseiro deInvestigação Científica (Decreto-Lei 40/2004, de 18 de Agosto). A duração da bolsa é de 6 meses.
Local de trabalho: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Campo Grande, 376, Lisboa.
Data de início: 1 de Novembro de 2008

Candidaturas
As candidaturas devem incluir uma carta de apresentação, curriculum vitae detalhado, fotocópia autenticada do certificado de habilitações e fotocópia do bilhete de identidade.

Deverão ser enviadas por correio normal para:
Prof. Doutor Manuel José Damásio
Direcção de Marketing da Universidade Lusófona,
Campo Grande, 376, 1749-024 Lisboa

LIVROS e mais coisas

domingo, setembro 28, 2008

CALL FOR PAPERS

Revista Media & Jornalismo

Tecnologias: usos sociais e individuais

A tecnologia não é neutra e a sua influência pulveriza-se em todas as áreas da actividade humana; reciprocamente, ela é incorporada no dia-a-dia de acordo com necessidades específicas que podem, eventualmente, ser distintas das que inicialmente foram pensadas como fundamento para o seu surgimento. Neste processo de tornar familiar o que é estranho, a tecnologia sofre alterações no âmbito dos usos sociais e individuais.

Como é moldado o quotidiano pela utilização de novos meios tecnológicos? Qual a relevância de escolhas individuais no universo de uma oferta massificada de objectos/gadgets? O que sustenta as resistências sociais à introdução de novas tecnologias? Quais as margens de liberdade individual na utilização de objectos técnicos? Quais as reais reconfigurações do espaço e do tempo nas sociedades contemporâneas? O que existe de realmente novo nos chamados novos media? Como problematizar a emergência do paradigma dos self media?


Estas são algumas das questões que a Revista Media & Jornalismo propõe para análise por parte dos investigadores interessados na temática acima indicada, convidando-os a submeterem artigos com vista à publicação num próximo número da revista.

As propostas devem ser enviadas para a Revista até 31 de Janeiro de 2009.


Aceder a ao site para consultar as normas de apresentação dos textos.

CALL FOR PAPERS

Centro de Investigação Media e Jornalismo

REVISTA MEDIA E JORNALISMO

Imagem e Jornalismo

Tem-se acentuado, nas últimas décadas, o relevo da componente visual da informação produzida pelo jornalismo, muito por obra das novas tecnologias da informação. Das páginas da imprensa para os ecrãs de televisão, de computador ou de algum gadget, através dos media mainstream ou de comunidades potenciadas por sítios e blogues, captadas por profissionais e especialistas ou por cidadãos anónimos, originais ou fabricadas e manipuladas, são várias as imagens a partir das quais o jornalismo "des-venda" o mundo eleito sob a forma de notícia.

Como convivemos e conhecemos com elas? Por que códigos se regem? Que influências colhem ou exercem em outras áreas, como a arte, o design, a publicidade, a economia, história, a política, etc.? Que responsabilidade comportam para quem as vê, quem as produz, quem as divulga? Que futuro para os repórteres de imagem, para o fotojornalismo? Qual a importância das imagens no sucesso económico de um determinado projecto editorial?

Estas são algumas das questões a que a Media & Jornalismo, do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) solicita resposta junto dos investigadores com interesse na matéria, convidando-os a submeterem artigos até 31 de Maio de 2009, com vista à publicação de um próximo número temático.

Consultar ao site as condições de submissão de artigos para a revista.

sábado, setembro 27, 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL NO BRASIL: 7º Colóquio Anual da Lusofonia - Bragança, 2 a 5 de Outubro

sexta-feira, setembro 26, 2008

Teatro KABOUKI

sab 27 - cadernos de viagens - orquestra + TAP JAM

a partir das 22h00

kabuki
Na Rua Newton , 10B
1170-276 Lisboa
tel: 210 994 142
( anjos )
--
myspace.com/michellisboa sapateado.org
96 444 44 88

Michel Sapateado

doclisboa 2008

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

2 de Outubro

11h00

Culturgest



A VI edição do doclisboa – Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa decorre entre 16 e 26 de Outubro, na Culturgest, nos Cinemas São Jorge e Londres e, ainda, no Museu do Oriente. Na próxima quinta-feira, dia 2 de Outubro, às 11h00 na Culturgest, acontece a Conferência de Imprensa onde será apresentada toda a programação e novidades desta edição.

O melhor da produção contemporânea de documentário nacional e internacional regressa para onze dias de projecções, este ano com novos espaços.

Contamos com a vossa presença e ajuda na divulgação deste que é o único festival de cinema documental em Portugal. O doclisboa 2008 vai mostrar ainda mais filmes, novas secções, mais convidados, debates e, também, muitas outras surpresas.


Confirmem-me, por favor, a vossa presença até dia 30 de Setembro.




Nina Ramos

direcção de produção | production coordination

doclisboa

Festival Internacional de Cinema Documental

International Documentary Film Festival

Rua dos Bacalhoeiros, 125, 4º | 1100-068 Lisboa | Portugal

Phone: +351 21 888 30 93

Fax: + 351 21 887 16 39

Mobile: + 351 93 870 16 90

www.doclisboa.org

quinta-feira, setembro 25, 2008

Abertas inscrições....

para apresentação de comunicação nas IV Jornadas Internacionais de Jornalismo
(Universidade Fernando Pessoa, Porto, sábado, 4 de Abril de 2009)


Estão abertas, até 20 de Fevereiro de 2009, inscrições para participação, com e sem comunicação, nas IV Jornadas Internacionais de Jornalismo, que se realizam na Universidade Fernando Pessoa (UFP), Porto, no sábado, dia 4 de Abril do próximo ano.

As comunicações podem versar todos os temas relacionados com jornalismo e assuntos afins e serão publicadas em CD de actas com depósito-legal e ISBN, ficando, ainda, disponíveis na Biblioteca Digital da Universidade Fernando Pessoa. Haverá um sistema de dupla arbitragem científica cega para as propostas de comunicação.

A organização das Jornadas resulta de uma parceria entre os cursos de Comunicação da UFP, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Escola Superior de Educação de Coimbra, Escola Superior de Educação de Leiria e Instituto Politécnico de Portalegre. O evento pretende ser um património da comunidade lusófona (incluindo a Galiza) e hispano-falante dos pesquisadores em Jornalismo.

Nas edições anteriores das Jornadas, apresentaram-se, em média, cerca de 130 trabalhos por evento, pretendendo-se, este ano, superar esse número.

Informações detalhadas estão disponíveis no site das IV Jornadas Internacionais de Jornalismo: http://4jornadasdejornalismo.ufp.pt

O endereço de correio electrónico para submissão de comunicações e pedidos de informações é: jornadasdejornalismo@hotmail.com

Jorge Pedro Sousa

segunda-feira, setembro 22, 2008

CIMJ abre concurso

para recrutar investigador doutorado em Ciências da Comunicação/Iniciativa Ciência 2008 da FCT


A todos os investigadores interessados, informamos que o Centro de Investigação Media Jornalismo (CIMJ) tem aberto, até ao próximo dia 30, concurso para uma bolsa de investigador doutorado no campo das Ciência da Comunicação e experiência científica relevante nas áreas da História dos Media e do Jornalismo. A bolsa inscreve-se no âmbito da iniciativa Ciência 2008, da FCT, e a ela podem concorrer doutorados em Ciências da Comunicação ou áreas afins com pelo menos três anos de investigação pós-doutoramento e um excelente currículo nas áreas específicas indicadas e nas quais se espera venha a desenvolver a sua pesquisa.

Mais informação acerca da candidatura encontra-se aqui

sábado, setembro 20, 2008

PROVEDORIAS NO PÚBLICO

Uma entrevista que não é normal
Joaquim Vieira Provedor do leitor

Cavaco recorreu ao PÚBLICO para reforçar os seus argumentos num conflito político. Deveria o jornal aceitar? Entrevistar uma figura como o Presidente da República (PR) ou o primeiro-ministro, que raramente falam aos órgãos de informação, é ocasião aproveitada para os jornalistas passarem em revista com o interlocutor os mais relevantes temas da agenda pública. Não deixou por isso de surpreender que as duas páginas da entrevista com Aníbal Cavaco Silva (A.C.S.) surgida na edição do PÚBLICO do passado dia 12 e conduzida pelo próprio director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), se debruçassem sobre um único tópico: o Estatuto Autonómico dos Açores. O provedor calcula que o entusiasmo dos leitores terá sido igual ao de 31 de Julho, quando A.C.S. sobressaltou um país a banhos com uma comunicação televisiva versando apenas o mesmo tema. Entusiasmo tanto maior quanto os leitores começavam por ler na primeira página uma chamada para a entrevista sem os prevenir de que a conversa não passaria daquele assunto.
Não compete naturalmente ao provedor comentar a indignação com que o inquilino de Belém encara uma diminuição dos poderes presidenciais através de lei ordinária (e não em sede de revisão constitucional, como seria legítimo), nem os recursos de A.C.S. para alertar o país e os políticos acerca do que considera uma grotesca violação da lei fundamental e para lutar contra ela - o que é um direito que lhe assiste. Mas importa saber se porventura o PÚBLICO não se terá deixado utilizar como instrumento dessa manobra, o que contrariaria as normas de independência política consagradas no seu Estatuto Editorial.
Pelo menos um leitor exprimiu preocupações com a questão. José Carlos Gomes (J.C.G.), também jornalista, escreveu ao provedor, considerando: "Fico com uma sensação: esta entrevista interessa bem mais ao PR do que ao jornal ou aos leitores. Além disso, surge numa altura em que as fricções entre o Governo e a Presidência da República estão no ponto máximo. (...) A entrevista centra-se quase exclusivamente na famigerada comunicação ao país do PR, transpirando do texto uma retórica de justificação desse acto institucional de algum peso e servindo a entrevista para que A.C.S. faça pressão pública e política sobre o assunto que motivou a tal comunicação ao país: o Estatuto Autonómico dos Açores."
As suspeitas de J.C.G. assentam em quatro dúvidas: "Por que motivo a entrevista é apenas sobre um assunto? Foi o jornal que solicitou a entrevista ou foi a Presidência que sugeriu que o PR estava interessado em dar uma entrevista sobre o tema em causa? A entrevista foi presencial ou efectuou-se por escrito (...)? O entrevistador pôde colocar as perguntas que entendeu ou as questões foram limitadas pela Presidência?" E fundamenta: "Se a iniciativa não partiu do jornal, se o jornalista não pôde colocar livremente as perguntas que bem entendesse e/ou se as respostas foram dadas por escrito a partir de Belém, os leitores deveriam ter sido [disso] informados pelo jornal. A diferença entre um trabalho jornalístico e uma peça de comunicação de um político pode ser ténue, e os leitores de um jornal devem saber se compram gato por lebre ou não."
Bastará ler o diálogo encetado na entrevista para perceber que não foi dada por escrito. É aliás o que afirma J.M.F. no esclarecimento solicitado pelo provedor: "A entrevista foi presencial. Todas as entrevistas não presenciais são devidamente assinaladas pelo PÚBLICO. Teve lugar no Palácio de Belém, na sala onde costuma reunir-se o Conselho de Estado. O som digital da entrevista está guardado nos nossos arquivos."
Quanto ao solitário tema da conversa, explica o director: "O PÚBLICO tem vindo a solicitar à Presidência da República a realização de uma entrevista sem temática limitada desde que o actual PR tomou posse. (...) O PR manifestou disponibilidade para falar sobre um tema concreto, actual e controverso: o Estatuto dos Açores. O PÚBLICO considerou que, sem prejuízo de manter o seu pedido para uma entrevista sem temática limitada, o tema era importante e polémico e justificava uma entrevista. Como se pode verificar lendo a última pergunta ('Não houve nenhuma relação causal entre as várias decisões de promulgação ou veto que teve de tomar durante este Verão - e foram muitas?') e a última resposta ('Não. Este é um assunto muito específico e com uma importância particular, único no seu alcance político-institucional'), o PÚBLICO tentou, mesmo assim, alargar o âmbito da entrevista a outras decisões recentes do PR, mas este não quis falar sobre qualquer outro tema. Pense-se o que se pensar do Estatuto dos Açores, as opiniões do PR são importantes e são notícia. Assim o comprovou o impacto que a entrevista teve."
Esclarece ainda J.M.F.: "Nenhuma questão foi combinada previamente. Sobre o tema da entrevista, o jornalista pôde colocar todas as questões que desejou e o PR não se recusou a responder a nenhuma." E, por último, uma resposta a um rumor: "O PÚBLICO tem conhecimento de que círculos governamentais e do PS puseram a correr o boato de que a entrevista teria sido dada por escrito, até porque isso foi perguntado a jornalistas da nossa equipa. Como todos sabem, não só nada se pode fazer contra os boatos, como estes são a forma mais cobarde de tentar descredibilizar quem não se consegue atingir por outros meios."
Julga o provedor que, no balanço final, os leitores do PÚBLICO poderão sair prejudicados, já que esta peça deverá diminuir as hipóteses de A.C.S. vir a conceder (pelo menos a curto prazo) a tal grande entrevista sem restrições (pedida não só por este mas, provavelmente, por todos os órgãos de informação de âmbito nacional), para não fazer passar a ideia de que privilegia este jornal em particular (o qual - recorde-se - já anunciara em exclusivo a comunicação do PR de 31 de Julho).
Não obstante, o provedor considera que J.M.F. tem razão ao acentuar o interesse noticioso das declarações de A.C.S. sobre o estatuto açoriano, pelo que se justifica, em termos meramente jornalísticos, a oportunidade da entrevista exclusiva ao PR, mesmo que restringida a esse assunto e por ele solicitada. Tratou-se de uma opção legítima, tal como, aliás, dentro da sua autonomia editorial, e feitas as devidas ponderações, seria também legítimo que o jornal decidisse o contrário.
Existe porém um problema de forma, não de conteúdo. Para garantir a transparência do processo, faltou informar na ocasião os leitores daquilo que J.M.F. faz no esclarecimento de hoje: que A.C.S. havia sugerido a entrevista e imposto a abordagem de um único tema e que o PÚBLICO resolvera, mesmo assim, aceitar. Seria a forma de o jornal se distanciar e explicar ao seu público: "Esta não é a entrevista que gostaríamos de fazer ao PR, mas ele só quer falar sobre isto - é melhor que nada." Assim, apresentando a entrevista como coisa normal, é que não parece normal.

a No perfil de "Dragan Dabic" (D.D.), a personagem em que Radovan Karadzic (R.K.) se metamorfoseou enquanto viveu clandestino em Belgrado, publicado nas págs. 5-6 do P2 de 4 de Agosto, a jornalista Isabel Gorjão Santos (I.G.S.) assumiu que o homem mantinha até uma página na Internet: "O site é modesto, é certo, mas Dabic não se esquece de avisar que podem consultá-lo para conferências, consultas ou programas de televisão." Contestou porém um leitor não identificado: "Todo o artigo parte do pressuposto de que o site era mais uma forma de R.K. construir a sua 'personagem'(...). Na verdade, verificando a informação sobre o domínio dragandabic.com, verifica-se que o mesmo foi criado em 22 de Julho passado [um dia após a notícia da detenção de R.K., por alegados crime de guerra no conflito da Bósnia]. O que provavelmente aconteceu é que, quando surgiram as notícias da prisão de R.K., alguém se apressou a registar o domínio e a 'inventar' uma suposta página pessoal de D.D. (...) Na peça jornalística em causa, esse facto foi aparentemente ignorado, sendo o site apresentado como genuíno. Aliás, se fosse feita uma análise mais atenta ao site, verificar-se-ia que o tom do mesmo é quase cómico, mencionando o que o 'Dr. Dabic' gosta de comer e principalmente pelo 'provérbio chinês' que aparece em último lugar: 'A wise man thinks with his own head - while an ignorant one follows the mainstream mass media news and reports' ['Um sábio pensa pela sua cabeça, enquanto um ignorante segue as notícias e reportagens dos media de referência']."

Submetida a questão à jornalista, I.G.S. anunciou um artigo para esclarecer o assunto, cuja publicação está prometida há mais de um mês e tem vindo a ser adiada - será para amanhã, segunda-feira, segundo a sua última comunicação. Mas entretanto enviou uma explicação, reconhecendo que "as observações do leitor são pertinentes" e adiantando: "Houve sobretudo dois motivos que me levaram a atribuir o site à personagem criada por R.K. Antes de mais, o facto de agências noticiosas como a AFP e órgãos de informação internacionais como Le Monde ou a BBC terem referido a página como o site de D.D. Para além disso, as informações que se encontravam naquela página coincidiam com os relatos de pessoas que privaram com a personagem que R.K. criou. Pareceu-me então muito plausível que um médico que dá consultas e palestras tivesse um site, e acabei por não investigar a hipótese de alguém ter criado, num par de horas, uma página com fotografias e a biografia de D.D. No entanto, era exactamente isso que tinha acontecido. The New York Times ou o Corriere della Sera publicaram, dias depois, a história do site e do seu autor, que não revela a verdadeira identidade mas respondeu às questões enviadas pelo PÚBLICO. Explica como fez aquela página e que pretendeu ajudar a criar um mito em volta de D.D. Ficou então claro que (...) as citações feitas a partir do site não são verdadeiras e que aquela página que se apresentava como oficial era afinal, como disse o Corriere della Sera, 'a piada do ano' na Internet."
Como é costume avisar nas travessias de ferrovias, um comboio pode esconder outro. E os jornalistas precisam de muitas cautelas para não serem atropelados por comboios.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Bolsa para Investigador doutorado

No CECS da Universidade do Minho

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho tem aberto, até ao próximo dia 30, concurso para uma bolsa de investigador doutorado no campo das Ciência da Comunicação (com incidência nas políticas dos media e regulação).

A bolsa inscreve-se no âmbito da iniciativa Ciência 2008, da FCT, e a ela podem concorrer doutorados em Ciências da Comunicação ou áreas afins com pelo menos três anos de investigação pós-doutoramento e um excelente currículo, nomeadamente nas áreas específicas em que se espera que venha a desenvolver a sua pesquisa.

As condições contratuais e outros requisitos e informações relacionados com a candidatura podem ser consultados neste site.




Manuel Pinto
ICS - Departamento de Ciências da Comunicação
Universidade do Minho - Campus de Gualtar
4710-057 Braga - Portugal
Tel. +351 253 604214 Fax +351 253 604 697
Weblogue

quinta-feira, setembro 18, 2008

ENCONTRO EUROPEAN ANIMATION NETWORK

21 SETEMBRO 2008
SESSÃO PÚBLICA DE APRESENTAÇÃO DO ENCONTRO EUROPEAN ANIMATION NETWORK


CONTEXTUALIZAÇÃO
Entre 20 e 24 de Setembro de 2008 decorre em Portugal um encontro entre agentes europeus que desenvolvem as suas acções na área do cinema de animação, vertente socio-educativa - com a tónica na formação e sensibilização de públicos, com vista a activar e potenciar canais de comunicação e cooperação entre organizações e profissionais desta área de actuação.

Uma iniciativa conduzida pela Agência Piaget para o Desenvolvimento - APDES e que conta com o apoio de alguns organismos nacionais para a sua concretização no terreno.

A APDES é uma associação sem fins lucrativos fundada em 2004 e tem como principal objectivo promover o desenvolvimento humano, social, económico, educativo e cultural das comunidades em que se insere, através de actividades de formação, investigação, pesquisa e desenvolvimento, em colaboração com entidades públicas e privadas, de carácter associativo e cooperativo. Em termos operacionais o seu trabalho desenvolve-se por projectos, entre os quais se destaca a Sétima Dimensão, que visa motivar a aprendizagem ao longo da vida e desenvolver competências de comunicação através da formação em cinema de animação junto de jovens considerados de risco.

São objectivos deste encontro:
- Mostrar boas práticas no âmbito do serviço educativo associado ao cinema de animação;
- Promover a adesão a lógicas de parceria criando condições para um trabalho em rede.
- Partilha de ideias, experiências e projectos;
- Estabelecimento de parcerias;
- Operacionalização de uma rede de recursos;
- Planeamento de uma acção de formação para técnicos, com o apoio do programa JUVENTUDE;
- Concepção de um seminário de boas práticas, com o apoio do programa JUVENTUDE;
- Equacionar a possibilidade de promover intercâmbios de jovens e voluntários, com o apoio do programa JUVENTUDE.

Contam-se entre os participantes a APDES, a Casa da Animação, o Cineclube de Viseu, a ANILUPA, a Caméra etc (Bélgica), a AVISCO (Itália) e a Obcanska Inspirace (República Checa).

O reforço na identidade colectiva enquanto produtores de filmes de animação com crianças e jovens, com fins socioculturais e educativos, favorece um funcionamento articulado suplantando o espaço e articulando uma rede de recursos.


PROGRAMA DE 21 DE SETEMBRO (Domingo)

No dia 21 de Setembro, pelas 14h30, a Casa da Animação abre as portas ao público para uma apresentação breve deste encontro. Destacando um painel de boas praticas e uma mostra de filmes produzidos por diferentes instituições europeias e nacionais neste contexto particular da animação enquanto ferramenta de inserção socio-educativa.


FILMES EM DESTAQUE:


APDES apresenta:

Projecto do filme alternativo “Tirem-me deste filme!!!”
7’35, Maio 2007
Participantes: Carla, Cátia, Cláudia, Diana, Filipe, Hugo, Leonor, Mário, Marta, Martinha, Paulo, Tiago e Vera
Professora responsável: Ana Abreu Santos
Monitoras: Tânia Duarte, Lígia Parodi, Filipa Rocha
Realização: Lígia Parodi e Tânia Duarte
Montagem: Tânia Duarte
Produção: APDES

Uma turma que contesta os preceitos básicos da escola é desafiada a entrar na 7ª dimensão. Em torno do tema “família”, criam quatro personagens – Tony, Quinhas, Rosa e Joãozinho - que compõem uma família disfuncional, à semelhança da realidade conhecida… Todos participam na realização das tarefas subjacentes e concluem que fazer um filme em animação dá muito trabalho. E afinal, os protagonistas não são as personagens criadas mas sim os seus criadores.

AVISCO apresenta:

Trabalhos da investigação "Pincéis electrónicos"
Produção do Município de Rezzato: Pinacoteca Internazionale dell’età evolutiva Aldo Cibaldi

De todas as cores
9’ 2003
Realização: Vinz Beschi
Coordenação: Elena Pasetti
Consultoria didáctica: Rosalba Zannantoni
Secretariado: Maria Grazia Morandi

Realizado com crianças de 5 anos do Jardim Infantil “Alberti” de Rezzato.
Este é um documento sobre a criatividade infantil que destaca um percurso de investigação / acção artística-expressiva, liderada por Vinz Beschi – realizador e videoartista da equipa da PinAC - que experimentou com cerca de trinta crianças de cinco anos, as possibilidades concedidas pelo sistema televisivo à elaboração infantil, que mais não são que oportunidades expressivas dadas pela experiência senso-perceptiva mediada pelo meio específico da televisão.

Papel Branco
10’ 50, 2006
Realização: Vinz Beschi
Com a colaboração de Irene Tedeschi, Mariateresa Capranica e Sandra Cimaschi
Produção: Elena Pasetti
Secretariado: Mariagrazia Morandi

Realizado com os alunos da turma 2C da Escola Secundária do 1º grau “Per lasca” de Rezzato

O silêncio pode ser uma folha de papel branco?
Papel Branco é a história de uma folha de papel, sem sentido mas cheia de "sentidos" onde no início o êxito estava indefinido, onde não se conta nada, ou talvez micro histórias: sem começo e sem fim. Histórias desenvolvidos ao redor do silêncio, da respiração, da escuta, do caos, da acção. Uma cadeia de sons e imagens que se seguem uns aos outros numa ordem indeterminada próxima do aleatório.
Uma experiência activa, concreta, sensual em que os participantes eram lançados, sem medo, surpreendidos pelos seus próprios resultados, agradavelmente arrastados a partir das imagens e sons, de gestos por si produzidos.
E porque não uma pequena homenagem a Lucio Fontana... aos seus cortes e seus buracos...

Sobre o Fio dos Direitos
7’, 2007/2008
Laboratório Pelos fios e sinais de Vinz Beschi e Irene Tedeschi

Filme de animação realizado com os alunos e alunas da turma 3E da Escola Secundária do 1º grau “Perlasca” de Rezzato

Dos fios do pensamento e das ideias partem fios materiais que ganham vida e formas sempre em mudança. Com um fio conta-se uma história de regras e direitos, criando um fio condutor, um fio lógico, um fio de esperança…
Por ocasião do 60º aniversário da declaração universal dos direitos do homem.

Camera etc. apresenta:

Leila
3’45, 2007
Argumento, personagens, cenários, animação, banda Sonora: 16 crianças no FESPACO 2007 (Burkina Faso)
Realização e montagem: Louise-Marie Colon
Técnica: silhuetas, sombras
Produção: Jean-Luc Slock, Camera-etc

Fim ao trabalho infantil! Uma breve história em animação que foi feita por crianças durante o Festival de Cinema Panafricano Ouagadougou 2007 (FESPACO).

Era uma vez uma menina chamada Leila. Ela vivia numa aldeia com os seus sete irmãos e os seus pais que eram agricultores pobres. A família de Leila já não tinha nada para comer e, no mercado, o milho-miúdo era muito caro. Seu pai decidiu trocar Leila por um saco de milho...

O envelope amarelo
9’, 2008
Argumento e realização: Delphine Hermans
Música original: Garrett List
Animação: Delphine Hermans, Louise-Marie Colon, Ludovic Berardo
Técnica: desenho
Banda sonora: Grégory Beaufays
Produtor: Jean-Luc Slock
Produção: Camera-etc; em parceria com Marc et Serge Umé (Digital Graphics)

Anna vive sozinha com o seu cão. Todas as manhãs, ela escrutina o conteúdo da sua caixa de correio. Um dia, entre os anúncios, recebe um grande envelope amarelo com um ofício no interior, sugerindo a encomenda do seu homem ideal por catálogo. Anna responde à carta e sonha com o fim da sua solidão. No dia seguinte, Anna recebe um minúsculo pacote na sua caixa de correio contendo um boneco de plástico insuflável. Dá início a uma vida bastante particular com Paul, o boneco insuflável...

A minha vizinha e eu
8’, 2006
Argumento, personagens, cenários, animação e som: Patricia, Naima, Gerda, Marie-Claire, Yvette and Viviane com o apoio de de Louise-Marie Colon
Realização e montagem: Louise-Marie Colon
Técnica: barro
Música: Fernand Troncoso
Produtor: Jean-Luc Slock
Produção Caméra Etc

Uma cigarra e uma formiga vivem no mesmo prédio. Enquanto que a formiga é muito atenta para não desperdiçar água, aquecimento e electricidade, a cigarra não está preocupado com o seu consumo de energia. Uma manhã a cigarra deixa de ter água, nem electricidade, mas tem um monte de facturas na caixa do correio...

Casa da Animação apresenta:


A família
2007
Argumento, Animação e Realização
Maria Carolina Lopes, Maria Inês Lopes, António Ferreirinha, Ana Cláudia Prata, Maria Inês Prata, Maria Miguel Prata, Tomas Blauchamp, Daniel Martins, Faustino, Pedro Martins, Dóris Teixeira, Nuno Martins, Pedro Martins, Maria Macana
Banda Sonora: Nuno Martins, Pedro Martins
Formadores: Paulo D'Alva, Tânia Duarte
Produção: Casa da Animação, Casa do Bosque, Serviço Educativo da Câmara Municipal de Matosinhos

Um dia o pintor Augusto Gomes decidiu pintar um quadro, em homenagem a um naufrágio no mar, que vitimou inúmeros pescadores. Representou uma família triste! Mas o que ele não sabia é que ao fim de muito tempo, a família decide questionar-se sobre esta triste condição, e sai do quadro à procura de respostas...

Making of do filme a Família

Metamorfoses
2007
Coordenação e Edição: Tânia Duarte
Argumento e Animação: Bruno Silva, Carlos Fontes, Celestino Fonseca, Maria Ferraz, Mariana Castro, Marta Oliveira, Nuno Cunha
Música: “Gymnopedia” Eric Satie
Produção: Casa da Animação

Interpretação livre de um tema musical, aludindo às potencialidades das metamorfoses na animação.



Mais vale tarde que nunca...
4'40'', 2008

Argumento. Cenários, Swom e Animação: Afonso Castro, Catarina Prata, Diogo Pereira, Diogo Moreno, Gerson Campos, Guilherme Cardoso, Inês Teixeira, Inês Rodrigues, Luís Ângelo, Miguel Braga, Pedro Cachim, Pedro Rocha, Ricardo Morais, Sofia Cachim
Orientação: Marta Monteiro e Tânia Duarte
Montagem e Edição: Tânia Duarte
Música. Scheming weasel fast, Comic Plodding
Produção: Casa da Juventude de Matosinhos, Câmara Municipal de Matosinhos, Casa da Animação

Cine Clube de Viseu apresenta:

A Catarina e a Alexandra
Viseu, 2001
EB1 de Travanca de S. Tomé – Carregal do Sal
Alunos do 1º ao 4º ano de escolaridade

A Catarina e a Alexandra estavam a conversar na estrada. Uma mota apareceu e teve que travar com muita força. Entretanto, atrás vinha um carro que também travou. Poderia ter acontecido um grande acidente porque elas não tiveram cuidado. O filme termina com algumas regras para se andar a pé em estradas sem passeio.

Transparente, uma gotinha aventureira
Viseu, 2005
EB1 de Sever do Vouga
Alunos do 4º ano de escolaridade

A gotinha Transparente conversava com o peixe do tanque do senhor Manuel, contando-lhe as suas aventuras, quando de repente escorregou pela torneira e foi parar ao jardim da brincadeira. Conheceu o Quentinho e começou uma nova viagem até às nuvens, onde encontrou as suas irmãs gotinhas.

O Tonito vai ser um grande pastor
Viseu, 2007
Escola Profissional de Carvalhais – S. Pedro do Sul
Alunos do 10º ano de escolaridade

É o primeiro dia do Tonito no monte, a guardar as cabritas com o pai. Juntos fazem a subida do monte até aos pastos, mas o caminho ainda é longo e o menino vai lidar pela primeira vez com a severidade e rudeza da vida no campo. O dia decorre ao ritmo da natureza e ao anoitecer os pais mostram-se muito orgulhosos do seu menino.

CLIA apresenta:

A olaria de Bisalhães
8’ 05, 2001
Argumento, realização e animação: jovens dos 10 aos 13 anos da turma do 5º B da Escola EB2,3 Diogo Cão de Vila Real
Técnica: Animação de marionetas de plasticina, objectos e recortes
Produção: Associação de Ludotecas do Porto / ANILUPA

A olaria de Bisalhães é uma actividade tradicional e artesanal muito antiga desta localidade e é caracterizada pela sua loiça de barro preto.
Este filme, partindo da pesquisa realizada pelos alunos da escola EB2,3 Diogo Cão de Vila Real, procura demonstrar todos os percursos necessários ao desenvolvimento deste trabalho, desde o processo de preparação do barro até à cozedura final das peças.

Apresentação de um documentário sobre o trabalho desenvolvido. (8’ 38)

Obcanska Inspirace apresenta:

O Homem da Poupança
7’ 25, 2008
Realização e montagem: Pavel Kout
Produção: AAAD - Academy of Arts, Arch. and Design in Prague, Dept. of film and TV graphism Música: Jiri Machacek
Técnica: animação de marionetas

Este filme satírico de marionetas fantoche é sobre um homem que não gosta de pagar as contas da electricidade, por isso ele tenta encontrar uma maneira para fazer com que a electricidade seja gratuita - e tem finalmente uma ideia…

O Autómato
8’ 10, 2005
Realização: Lucie Stamfestova
Produção: AAAD - Academy of Arts, Arch. and Design in Prague, Dept. of film and TV graphism
Montagem: Lucie Stamfestova e Jirina Pecova
Música: Michal Vasica
Técnica: animação de marionetas

Se quer viver os seus sonhos vá ao Autómato, compre um bilhete e será feliz para sempre…
Uma visão pessimista do nosso mundo, feito com marionetas, porque também somos marionetas...

Jazz Americano
5’ 10, 2008
Realização e montagem: Josef Jelinek
Produção: AAAD - Academy of Arts, Arch. and Design in Prague, Dept. of film and TV graphism Técnica: animação de marionetas

Este filme parece uma história de detectives, mas é acerca de 3 músicos negros que conseguem fugir de um porto americano, e o proprietário do bar de música tem que encontrar outra solução para fazer um concerto de jazz... mas sem sucesso.


recebido da Casa da Animação

quarta-feira, setembro 17, 2008

Comunidade de Leitores Almedina

SETEMBRO – DEZEMBRO 2008

Organização: Filipa Melo e Almedina


valter hugo mãe
o apocalipse dos trabalhadores
24 de Setembro, às 19H00
LEITURA PARALELA:
O Triunfo dos Porcos, George Orwell

Teolinda Gersão
A Mulher Que Prendeu a Chuva e Outras Histórias
1 e 29 de Outubro, às 19H00
LEITURA PARALELA:
O Primeiro Homem, Albert Camus

José Riço Direitinho
Breviário das Más Inclinações
5 e 26 de Novembro, às 19H00
LEITURA PARALELA:
Gente Independente, Halldór Laxness

Mário Cláudio
Boa Noite, Senhor Soares
3 e 17 de Dezembro, às 19H00
LEITURA PARALELA:

Livro do Desassossego, Bernardo Soares


A literatura é o essencial, ou não é nada.
Georges Bataille

Um romance não é senão, parece-me, uma longa busca de algumas definições fugidias.
Milan Kundera

Sou mais eu quando sou tu.
Paul Celan

Porque ler é uma forma de resistência...
Porque ler é uma forma de partilha...
Porque cada leitor tem direito à comunhão com outros leitores e com os autores...

Desde Março de 2006, a Livraria Almedina-Atrium Saldanha abre a todos os que gostam de ler a possibilidade de participarem numa comunidade de leitores.
Composta por um grupo heterogéneo de pessoas, a COMUNIDADE DE LEITORES ALMEDINA reúne-se, NA PRIMEIRA E NA ÚLTIMA QUARTAS-FEIRAS DE CADA MÊS, para, num ambiente informal, partilhar a experiência de leitura prévia de um livro de ficção portuguesa contemporânea. Para, em conjunto, o reler em voz alta, analisar, discutir e relacionar com outras leituras paralelas e com a experiência de vida de cada um.
Na última sessão de cada mês, ESTARÁ PRESENTE O AUTOR PORTUGUÊS EM DESTAQUE.

Todas as sessões são abertas ao público em geral.

Orientadora: Filipa Melo

INSCRIÇÕES:
Livraria Almedina
Atrium Saldanha
Pç. Duque de Saldanha, 1
Loja 71 – 2º Piso
Tel: 213 570 428
Contacto: Duarte Martinho

CONSULTE:
a Almedina na Net>



Contar histórias

Contar histórias não deve ser uma tarefa dolorosa para os pais, no fim de mais um dia de trabalho. Técnicas e sugestões para que essa “obrigação” seja um prazer é o que se pode encontrar na “Oficina de sobrevivência para pais contadores de histórias”.

Esta Oficina, da responsabilidade do Grupo O Contador de Histórias vai ter próximas edições em Penela (4 de Outubro), Vila Nova de Cerveira (15 de Novembro) e Póvoa de Varzim (22 de Novembro).

Durante três horas os pais e outros interessados podem descobrir livros que agradam não só às crianças como também aos adultos, formas de captar a atenção dos mais pequenos e até algumas dicas para se fazer ouvir melhor. Assente sobretudo na parte prática, a Oficina é dinâmica e interactiva, sem o peso de uma formação tradicional. Falar de coisas sérias de uma forma divertida é uma das características desta abordagem, com muitas gargalhadas durante as quase duas centenas de sessões realizadas desde Abril de 2004.

“Oficina de sobrevivência para pais contadores de histórias” é o resultado de mais de uma década de trabalho d’O Contador de Histórias no campo da promoção do livro e da leitura. Está incluída no Programa de Itinerâncias Culturais da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.

A participação nestas acções é gratuita, mediante inscrição. Os interessados devem contactar as Bibliotecas Municipais respectivas, onde decorrerão estas acções.

Pode ler uma reportagem sobre esta acção aqui

Para outras informações contacte-nos pelo email oficina@ocontadordehistórias.com.



O Contador de Histórias

Morada: Apartado 139
2304-909 Tomar
Telefones: 91 8569662 e 91 2568944
Correio electrónico: mail@ocontadordehistorias.com
Internet: www.ocontadordehistorias.com
Blog: historiasdocontador.blogspot.com

quinta-feira, setembro 11, 2008

O que é mesmo difícil fazer para mudar Portugal

José Manuel Fernandes

"Descemos no ranking dos países com mais capacidade de atrair investimentos. O que mostra que não chega legislar, é necessário mudar de hábitos, de processos e de cultura administrativaHá dois anos que um dos muitos relatórios elaborados pelo Banco Mundial, o que analisa a capacidade dos diferentes países de atraírem negócios, coloca os mesmos oito países nos primeiros oito lugares. Pela seguinte ordem: Singapura, Nova Zelândia, Estados Unidos, Hong-Kong, Dinamarca, Reino Unido, Irlanda e Canadá. E há quatro anos que a posição de Portugal vem caindo neste ranking: 40.º em 2006, 42.º em 2007, 43.º em 2008 e 48.º em 2009 (o relatório antecipa o ambiente para os negócios, daí a inclusão do próximo ano). Portugal está agora um lugar à frente da Espanha, o ranking referente a 2008 colocava-nos três lugares à frente.Todos estes relatórios valem o que valem - isto é, todos podem ser contestados nos critérios que aplicam -, mas têm sempre um valor: permitem perceber a evolução relativa dos países e como é que cada país é visto pelos analistas internacionais. Ora há pelo menos três aspectos que merecem ser destacados para breves reflexões: o primeiro é o facto de sete dos oito países que encabeçam a lista (a excepção é a Dinamarca) terem uma matriz anglo-saxónica, pois todos integraram no passado o Império Britânico; o segundo é verificarmos que um índice que valoriza as reformas consideradas amigáveis para o investimento privado não valoriza tanto as que foram concretizadas em Portugal como as que estão em curso noutros países; o terceiro é percebermos por que motivos Portugal não surge melhor colocado no ranking. A vantagem dos países (ou territórios) onde o Império Britânico deixou a sua marca, de Hong-Kong à Irlanda, pode ser explicada por múltiplas razões e não falta literatura recente sobre o tema. Contudo, se quiséssemos debater o segredo de nações tão diferentes teríamos decerto de o procurar no tipo de instituições que são seculares no Reino Unido e muito mais recentes noutras regiões do mundo. A separação entre o poder judicial e o poder executivo (que remonta à Magna Carta, isto é, ao século XIII), o princípio da confiança nos negócios (e não o da desconfiança permanente entre os parceiros), a estabilidade política, institucional e legislativa, a aversão a um Estado demasiado intrusivo e dirigista e, por fim, uma cultura de liberdade competitiva que gosta do risco e estimula a inovação encontram-se entre o que permite a esses países, mesmo quando neles se paga muito bem aos trabalhadores e estes têm os seus direitos protegidos, serem mais atractivos para os investidores.Portugal padece do mal de a maior parte destes valores e práticas ser estranha à nossa cultura ou demasiado recente nas nossas práticas institucionais. O relatório destaca, de forma positiva e elogiosa, alguns programas reformistas que têm vindo a ser concretizados, desde o Simplex à "empresa na hora". Contudo, a verdade é que, de acordo com a análise dos especialistas do Banco Mundial, o facto de Portugal estar a fazer muitas reformas (este relatório, em anos anteriores, até já nos colocou à frente do ranking dos países que estão a fazer mais reformas) não impede que outros estejam a ser mais eficazes e mais rápidos no processo de evolução para um ambiente mais favorável ao investimento e ao empreendedorismo. Por outras palavras: estamos a correr, mas há outros a correr mais depressa. Importa pois saber porquê.Chegamos assim ao terceiro ponto a merecer uma breve nota: Portugal tem vindo a ser ultrapassado porque uma coisa é legislar com o objectivo de facilitar a vida aos cidadãos e às empresas, outra coisa é reformar o país. Por outras palavras: mesmo tendo boas leis, ou leis melhores do que as que tínhamos anteriormente, a verdade é que ninguém muda um país por decreto. Sobretudo quando se pensa que mudar a lei é suficiente para mudar o que tem gerações, ou mesmo séculos, de entranhada "forma de ser".Por exemplo: se a confiança é a base de uma relação sã em que se investe mais tempo nos projectos do que nos contratos, Portugal padece do mal de empresários (com raras excepções), instituições e governos preferirem proteger-se contra a fraude e os enganos, o que consome milhões de horas a todos. Mais: num país onde a justiça é lenta e pouco eficaz, os contenciosos arrastam-se e desencorajam um investimento que preferiria lidar com sistemas mais céleres e previsíveis. A "alma burocrática" que presidiu à construção das nossas instituições públicas é um vírus que não se elimina com um abanão, pois impregna todos os processos de decisão da administração pública, algo que nenhum milagre informático consegue ultrapassar.Aí, e na arqueológica legislação laboral, continuam a residir alguns dos "calcanhares de Aquiles" de um país que, mesmo formado por cidadãos com poucas qualificações, tem gente empreendedora, esforçada e muito trabalhadora. Mas que esbarra naquilo que as muitas leis e "reformas" anunciadas não fizeram: a simplificação radical do calvário de autorizações e da romaria por inúmeras capelinhas que qualquer "empresa na hora" tem de percorrer para transformar, de forma leal e transparente, um ideia num projecto e este numa obra capaz de produzir riqueza. Quem vive em Portugal sabe como as coisas continuam a funcionar. O Banco Mundial apenas confirmou que a nossa percepção não estava errada."

in Público, de hoje

Bruno devia ter jogado três minutos

11.09.2008, Bruno Prata

"1. Não se pode exigir que Carlos Queiroz resolva de um dia para o outro a costumeira ineficácia goleadora dos jogadores portuguesas. Mesmo assim, o seleccionador nacional deve ter dormido a última noite com muito peso na consciência. A três minutos do fim, Portugal vencia por 2-1 e era previsível que a Dinamarca ia gastar os últimos cartuchos em lances aéreos, ou não tivesse, em média, uma vantagem de seis centímetros. O que fez Queiroz? Trocou Nani por João Moutinho. Os adeptos aplaudiram, sem perceberem o tiro no pé. Como foi possível apostar num jogador de 1,70m num momento daqueles quando, no "banco", estavam não só os 1,90m de Bruno Alves, mas também a agressividade e o portentoso jogo aéreo do central?

2. O problema da diferença de estatura assaltou-me pela primeira vez aos 72 minutos, quando percebi que ia sair Hugo Almeida. Ele era o português claramente mais alto (1,92m) em campo e vinha sendo precioso em situações em que recuava para ajudar na área de Portugal. Acabei por dar um desconto porque Hugo Almeida parecia, de facto, esgotado e porque para o seu lugar entrou Nuno Gomes, que está longe de ser um anão. Mas até aquela diferença de 12 centímetros de estatura dos dois avançados me veio à cabeça quando a Dinamarca iniciou a última reviravolta no marcador.

3. O 2-2 surgiu de um canto em que Christian Poulsen subiu mais alto que toda a gente, não sendo também despicienda a má saída de Quim. Mas há coincidências do diabo: o reforço da Juventus mede 1,90m, exactamente a altura de Bruno Alves...

4. O mais estranho é que Queiroz até ensaiou a possibilidade de lançar no jogo Bruno Alves, passando Pepe para a posição seis. O que terá então bloqueado a aposta mais óbvia? O seleccionador deu a entender que a sua estratégia passou por apostar na posse de bola naqueles minutos finais. Uma resposta razoável, se não levássemos em conta a estatura e o jogo cada vez mais directo do adversário. Por isso, estou tentado a acreditar que a opção de Queiroz foi condicionada pelo receio dos adeptos. Que é como quem diz: não quis ser acusado de recorrer a um defesa para salvar o resultado. Mais valia que o tivesse feito.

5. O mais estúpido é que Portugal sofreu a sua primeira derrota em quase 12 anos de jogos de qualificação para os Mundiais e ficou numa situação muito perigosa após uma exibição muito interessante. Há muito que não se via um Portugal tão adulto, consistente e com ideias tão variadas. E não é fácil consegui-lo frente a uma Dinamarca que tanto ataca com quatro, cinco e até seis, para logo depois recuar toda para trás da linha da bola, com os alas Lovenkrands e Rommedahl e até Tomasson a ajudarem na criação de triângulos defensivas em todas as zonas em que caía o esférico.

6. Queiroz fez as duas alterações que se impunham quando deixou no "banco" Antunes e Carlos Martins. O primeiro ainda está verde para um jogo com a intensidade do de Alvalade. Paulo Ferreira foi uma solução para a esquerda há muito ensaiada por Mourinho no Chelsea e, ontem, até foi dos melhores. A entrada de Maniche deu mais cola ao miolo e garantiu maior liberdade a Deco para inventar. Não foi por aí...

7. A Dinamarca fez três golos nos únicos remates (bem) dirigidos à baliza e a única defesa de Quim foi a uma bola desviada por Raúl Meireles.

8. Deco fez uma exibição maravilhosa. Pepe também brilhou, mas alguém precisa de dizer a Bosingwa para deixar de pensar que é o super-homem.

9. Há muito que um jogo não me deixava com sentimentos tão contraditórios. Foi um grande espectáculo, uma batalha táctica de grande nível. Mas já não me lembrava de ficar tão irritado."


No Público

Health-Care Realism

By Robert J. Samuelson
Wednesday, September 10, 2008

Unless you've been living in the Himalayas, you know that huge numbers of Americans -- 46 million last year -- lack health insurance. By impressive majorities, Americans regard this as a moral stain. At the Democratic National Convention, Sen. Ted Kennedy echoed the view of many that health care is a "right" that demands universal insurance. This completely understandable view is, I think, utterly wrong. Take note, Barack Obama and John McCain.

The central health-care problem is not improving coverage. It's controlling costs. In 1960, health care accounted for $1 of every $20 spent in the U.S. economy; now that's $1 of every $6, and the Congressional Budget Office projects that it could be $1 of every $4 by 2025. Ponder that: a quarter of the U.S. economy devoted to health care. Would we be better off? Probably not. Countless studies have shown that many tests, surgeries and medical devices are either ineffective or unneeded. Greater health-care spending forfeits any superior moral claim on our wealth by slowly crowding out other national needs. For government, higher health costs threaten other programs -- schools, roads, defense, scientific research -- and put upward pressure on taxes. For workers, increasingly expensive insurance depresses take-home pay as employers funnel more compensation dollars into coverage. There's also a massive and undesirable income transfer from the young to the old, accomplished through taxes and the cross-subsidies of private insurance, because the old are the biggest users of medical care.
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It is widely assumed that health care, like most aspects of American life, shamefully shortchanges the poor. This is less true than it seems. Economist Gary Burtless of the Brookings Institution recently discovered these astonishing data: On average, annual health spending per person -- from all private and government sources -- is equal for the poorest and the richest Americans. In 2003, it was $4,477 for the poorest fifth and $4,451 for the richest (see table).

Probably in no other area, notes Burtless, is spending so equal -- not in housing, clothes, transportation or anything. Why? One reason: Government already insures more than a quarter of the population, including many poor. Medicare covers the elderly; Medicaid, many of the poor and their children; SCHIP (State Children's Health Insurance Program), more children. Another reason is the skewing of health spending toward the very sick; 10 percent of patients account for two-thirds of spending. Regardless of income, people get thrust onto a conveyor belt of costly care: long hospital stays, many tests, therapies and surgeries.

That includes the uninsured. In 2008, their care will cost about $86 billion, estimates a study for the Kaiser Family Foundation. The uninsured pay about $30 billion themselves; the rest is uncompensated. Of course, no sane person wants to be without health insurance, and the uninsured receive less care and, by some studies, suffer abnormally high death rates. But other studies suggest only minor disadvantages for the uninsured. One study compared the insured and uninsured after the onset of a chronic illness -- say, heart disease or diabetes. Outcomes differed little. After about six months, 20.4 percent of the insured and 20.9 percent of the uninsured judged themselves "better"; 32.2 percent of the insured and 35.2 percent of the uninsured rated themselves "worse." The rest saw no change.

The trouble with casting medical care as a "right" is that this ignores how open-ended the "right" should be and how fulfilling it might compromise other "rights" and needs. What makes people healthy or unhealthy are personal habits, good or bad (diet, exercise, alcohol and drug use); genetic makeup, lucky or unlucky; and age. Health care, no matter how lavishly provided, can only partly compensate for these individual differences.

There is a basic dilemma that most Americans refuse to acknowledge. What we all want for ourselves and our families -- access to unlimited care paid for by someone else -- may be ruinous for us as a society. The crying need now is not to insure all the uninsured. This would be expensive (an additional $123 billion a year, estimates the Kaiser study) and would provide modest health gains at best. Two- fifths of the uninsured are young (19 to 34) and relatively healthy.

The McCain and Obama health-care proposals, either impractical or undesirable, largely ignore the existing challenge of Medicare. By some studies, 30 percent of its spending may go to unneeded services. Medicare is so large that by altering how it operates, government can reshape the entire health-care system. This would require changes to encourage more electronic record-keeping, better case management, fewer dubious tests and procedures, and a fairer sharing of costs between the young and the old. The work would be unglamorous and probably unpopular. But if the next president can't do it, his presidency will fail in one fateful way.

segunda-feira, setembro 08, 2008

O fim da classe média?


Pedro Mexia

Somos todos classe média, é pelo menos aquilo que repetimos uns aos outros, e nesse caso talvez seja algo inquietante que nos comuniquem que essa mítica «classe única» se acabou. A tese vem em La fine del ceto medio, que saiu na Einaudi em 2006 e teve edição portuguesa pela Teorema (Low Cost – O Fim da Classe Média). Massimo Gaggi, jornalista do Corriere della Sera, e Edoardo Narduzzi., empresário, explicam um facto simples: a classe média corresponde a um modelo de produção e de consumo que já se extinguiu, um modelo industrial nacional em que a procura correspondia à oferta. Esse sistema económico foi construído por uma classe, a burguesia, que sustentou as sociedades ocidentais durante dois séculos, e que plasmou a sua hegemonia em todos os avanços políticos europeus, do constitucionalismo ao welfare state. O capitalismo, com os seus complexos mecanismos de concertação e mobilidade social, tornou a classe média essa tal classe única a que todos pertencemos ou à qual todos aspiramos. Mas o triunfo da globalização acabou com o mundo em que a classe média sempre viveu. Esse mundo supunha uma razoável estabilidade de modos de vida, e nunca como hoje a vida mudou tanto: o emprego deixou de estar garantido, o Estado social entrou em colapso, as ideologias claudicam, o conceito de família ficou mais fluido, o tempo acelerou e o espaço é imaterial. Ou seja: nas últimas décadas o «capitalismo avançado» desfez os laços de «cidadania» e de «pertença» que estavam na origem das classes médias.
Segundo Gaggi e Narduzzi, o mundo divide-se hoje entre uma ínfima minoria de «aristocratas» do capital, uma classe de tecnocratas bem remunerados, uma classe proletarizada em expansão e a nova classe low cost. Porquê a designação low cost? Porque empresas com a IKEA, a Ryanair, a Virgin ou a Zara representam um novo paradigma económico que naturalmente criou um novo paradigma social. São marcas «facilmente reprodutíveis e reconhecíveis em todo o mundo» que apostaram na tecnologia e na eliminação dos custos intermédios e que prometem uma democratização das comodidades burguesas. Se antes consumíamos aquilo que nos davam, agora queremos ter uma palavra a dizer naquilo que compramos: «Favorecidos pela transparência garantida pelos novos processos técnicos, pelo reduzido custo da aquisição e troca das informações e pela dimensão global da procura, os consumidores low cost estão numa posição de força que nem aqueles que fizeram parte da brasonada classe média alguma vez sonharam ocupar. Têm maior facilidade e familiaridade em organizar-se e obter resultados e podem orientar a oferta para satisfazer as suas exigências». Aparentemente, toda a gente ganha com isso. Uma empresa como a IKEA triplicou as vendas num decénio. E a massa dos consumidores vive experiências gratificantes e «interclassistas» como nunca tinha experimentado antes. A classe low cost, dizem Gaggi e Narduzzi, é «um estrato que, nos seus contornos e na sua psicologia, nos recorda as massas romanas da época imperial: não pede «panem et circensis», porque sabe que tem de pagar os serviços que consome, mas deseja jogos cada vez mais demorados e pão cada vez mais abundante e a preços descendentes».
É um diagnóstico fascinante, mas que peca por excesso de optimismo e de pessimismo. Julgo que os autores minimizam a conflitualidade social que renasce um pouco por todo o lado. E que não acentuam devidamente as componentes simbólicas e ideológicas de uma «classe social». Mas acima de tudo não me parece líquido que no capitalismo as mudanças sejam vividas verdadeiramente como rupturas. Têm sido sempre «crises» depois reabsorvidas pelo sistema num novo equilíbrio, mesmo quando instável. Um exemplo politológico é a dicotomia entre os valores «conservadores» e os valores «liberais» da governação thatcherista, que formou uma nova ortodoxia esquizofrénica que tem aguentado todos os embates. A «classe média» existe enquanto houver mercado e representação política. É uma classe pragmática por natureza, e embora nunca descure o pão e o circo, zela sempre pela sua sobrevivência. A classe média é darwiniana. E Darwin nunca se enganou.


in Público, dia 7 de Setembro de 2008

INATEL VAI TER IMAGEM mais moderna e novos centros


08.09.2008, Alexandra Campos

Dar "uma imagem de modernidade" à Fundação Inatel e "alargar a oferta dos bens e serviços" disponíveis para os associados são as prioridades do novo presidente da instituição, Vítor Ramalho, que é hoje empossado no cargo em Lisboa.
Desde Julho transformado numa fundação privada de utilidade pública, o Inatel (Instituto Nacional de Aproveitamento dos Tempos Livres) está agora liberto das "amarras que condicionavam a sua gestão e objectivos mais ousados e competitivos", sublinhou ao PÚBLICO o ex-deputado do PS, que pretende, durante o seu mandato de três anos, "aprofundar o intercâmbio com instituições dos países lusófonos".
Vítor Ramalho tenciona também analisar as taxas de ocupação dos centros de férias espalhados pelo país, sobretudo nas épocas baixas, e apostar na sua promoção, especialmente nos países nórdicos.
Com um orçamento de cerca de 65 milhões de euros em 2009, um valor idêntico ao deste ano, o Inatel deverá investir no próximo ano entre 7,5 a 10 milhões de euros, segundo adiantou entretanto à Lusa o presidente cessante da instituição, Alarcão Troni. O Inatel, acrescentou, está a ultimar vários projectos em parceria com municípios para a construção de dois hotéis e três novos centros de férias no continente (junto à Barragem da Aguieira, em Santa Comba Dão, na praia fluvial das Rocas, em Castanheira de Pêra, e na praia fluvial da Barragem do Azibo, Macedo de Cavaleiros), para além de 20 centros nos Açores.
Alarcão Troni revelou ainda que está "em fase de finalização um acordo" com o Refúgio Amboim Ascensão (Faro), uma organização não governamental de protecção de crianças desfavorecidas, para a criação de um centro de desporto e aventura "no melhor local de Portugal, a ilha de Faro".
Sem querer avançar com planos mais detalhados, até porque ainda está a analisar a situação da fundação, Vítor Ramalho reforça apenas que a sua prioridade é "modernizar a instituição e alargar as parcerias com autarquias e instituições culturais e desportivas, em Portugal e no estrangeiro".
Com cerca de 250 mil sócios, o Inatel é hoje o terceiro grupo hoteleiro do país. Tem um património avaliado em mais de 110 milhões de euros, incluindo prédios, terrenos e obras de arte. Fundado em 1935 como Fundação Nacional para Alegria no Trabalho (FNAT), foi transformado em instituto público depois do 25 de Abril de 1974, regressando agora à figura jurídica de fundação.
Vítor Ramalho deixa o seu lugar de deputado à Assembleia da República para se poder dedicar à presidência da Fundação Inatel


no Público, de hoje

domingo, setembro 07, 2008

A ARTE ESQUECIDA DE SIDNEY LUMET

texto de João Lopes
Crítico

Na próxima quinta-feira, será lançado nas salas de cinema Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste, uma realização do veterano Sidney Lumet (fez 84 anos no passado dia 25 de Junho), com interpretações de Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei e Albert Finney. Para não poupar nas palavras panfletárias, direi que me parece, não apenas um dos acontecimentos centrais do ano cinematográfico português, mas também um dos filmes maiores do cinema americano dos últimos anos.

Não tenhamos ilusões: Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste não só não terá as honras de telejornais oferecidas aos mais rotineiros filmes de super-heróis, como a sua presença no mercado vai ser relativamente discreta. Não que eu espere que esse mercado reflicta os meus juízos de valor... Acontece que, além de estarmos perante um vibrante drama policial, género popular por excelência, este é também um filme recheado de nomes não propriamente marginais ou esotéricos. Para nos ficarmos pelos actores citados, lembremos que todos eles já acumularam mais de uma dezena de nomeações para Óscares, com duas distinções (melhor actriz secundária para Tomei, em O Meu Primo Vinny, e melhor actor para Hoffman, em Capote). O próprio Lumet já obteve cinco nomeações, quatro para melhor realizador, uma para melhor argumento adaptado: nunca ganhou, mas possui um Óscar honorário atribuído em 2005.

Que se passa, então? As respostas não podem restringir-se ao mercado português. As suas raízes estão na indústria americana e no triunfo de um cinema dominado por critérios meramente económicos de gestão. Repare-se: não está em causa que tal gestão possa gerar filmes fabulosos (acontece todos os anos, felizmente). Só que tal triunfo tem vindo a secundarizar o valor comercial de autores como Lumet que, para todos os efeitos, representam valores nucleares da mais nobre tradição de Hollywood.

Importa, por isso, não banalizar a frondosa densidade da história. Acima de tudo, é preciso não permitir que um jornalismo sem memória reduza o passado do cinema a uma colecção de referências mais ou menos pitorescas e tendencialmente anedóticas.

Lumet pertence a esse lote de realizadores (Robert Mulligan, John Frankenheimer, etc.) que começou a trabalhar na televisão dos anos 50, revelando uma peculiar disponibilidade para integrar/discutir as grandes lições narrativas do cinema clássico. A sua primeira longa-metragem, Doze Homens em Fúria (1957) seria mesmo um hábil compromisso entre dispositivos de raiz televisiva e o tradicional drama cinematográfico de tribunal.

Nos anos 70, a importância renovadora de Lumet reflecte-se, em especial, nos dois títulos em que dirigiu Al Pacino: Serpico (1973) e Um Dia de Cão (1975). Mais do que revisões do policial clássico, são filmes marcados pelos valores da escola novaiorquina (Cassavetes, etc.), apostando num realismo à flor da pele indissociável de novos conceitos narrativos, exemplarmente reflectidos no prodigioso trabalho de montagem de Dede Allen (outra figura fundamental da mesma geração).

Agora, Lumet está "reduzido" a um nome fraco do próprio mercado. Resta saber se há espectadores realmente insatisfeitos com os clichés da época e interessados em redescobrir a excelência da sua arte esquecida.


publicado no DN, de 07/09/2008

sábado, setembro 06, 2008

IV Jornadas Internacionais de Jornalismo

Abertas inscrições para apresentação
de trabalhos de investigação
nas IV Jornadas Internacionais de Jornalismo
(UFP, Porto, Portugal, 4 de Abril de 2009)

Estão já abertas as inscrições para apresentação de trabalhos de investigação sobre jornalismo e temas afins nas IV Jornadas Internacionais de Jornalismo, a realizar na Universidade Fernando Pessoa, Porto, no dia 4 de Abril de 2009. O prazo para submissão de propostas termina a 20 de Fevereiro do próximo ano.

As IV Jornadas Internacionais de Jornalismo, organizadas pela UFP em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Escola Superior de Educação de Coimbra e Escola Superior de Educação de Leiria, têm contado com relevante participação de pesquisadores brasileiros, espanhóis, portugueses e de outros países. Nas edições anteriores do evento, foram apresentados, em média, cerca de 120 trabalhos. As actas são sempre publicadas em CD com ISBN e depósito-legal e disponibilizadas on-line na Biblioteca Digital da Universidade Fernando Pessoa.

Mais informações em IV Jornadas Internacionais de Jornalismo

Contato: jornadasdejornalismo@hotmail.com


enviado por Jorge Pedro Sousa

terça-feira, setembro 02, 2008

Opening for Applications for 6 research positions

The Centre for Social Studies, University of Coimbra, Portugal opens 6 research positions for research fellows holding a doctoral degree. The opening of these positions aims at developing the following research lines:

1. Architecture and Urbanism
2. Cities and Urban Cultures
3. Citizenship and Social Policies
4. Migration Studies
5. Labour Relations, Social Inequalities and Trade Unionism
6. Peace Studies
7. Cultural and Religious Diversity in Southern Europe

Selection Criteria:
Candidates should
- Have held a PhD in an area of the Social and Human Sciences for over three years
- Have prior research experience in the field under discussion
- Prepare a research proposal in one of the research lines under discussion
- Have a good command of the English language


Application Deadline: September 30th 2008



For further information including application procedures please check the CES website at http://www.ces.uc.pt/oportunidades/indexen.php or the Official website EraCareers at www.eracareers.pt/

recebido da SOCE, Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação

COMUNIDADE DE LEITORES, na Almedina

1

SÓ TEXTOS

1 valter hugo mãe
O Apocalipse dos Trabalhadores
3 e 24 de Setembro, às 19H00
LEITURA PARALELA:
O Triunfo dos Porcos, George Orwell

2 Teolinda Gersão

A Mulher Que Prendeu a Chuva e Outras Histórias
1 e 29 de Outubro, às 19H00

LEITURA PARALELA:
O Primeiro Homem, Albert Camus


3 José Riço Direitinho

Breviário das Más Inclinações
5 e 26 de Novembro, às 19H00

LEITURA PARALELA:
Gente Independente, Halldór Laxness


4 Mário Cláudio
Boa Noite, Senhor Soares
3 e 17 de Dezembro, às 19H00

LEITURA PARALELA:
Livro do Desassossego, Bernardo Soares



A literatura é o essencial, ou não é nada.
Georges Bataille


Um romance não é senão, parece-me, uma longa busca de algumas definições fugidias.
Milan Kundera


Sou mais eu quando sou tu.
Paul Celan



Porque ler é uma forma de resistência...
Porque ler é uma forma de partilha...
Porque cada leitor tem direito à comunhão com outros leitores e com os autores...



Desde Março de 2006, a Livraria Almedina-Atrium Saldanha abre a todos os que gostam de ler a possibilidade de participarem numa comunidade de leitores.

Composta por um grupo heterogéneo de pessoas, a COMUNIDADE DE LEITORES ALMEDINA reúne-se, NA PRIMEIRA E NA ÚLTIMA QUARTAS-FEIRAS DE CADA MÊS, para, num ambiente informal, partilhar a experiência de leitura prévia de um livro de ficção portuguesa contemporânea. Para, em conjunto, o reler em voz alta, analisar, discutir e relacionar com outras leituras paralelas e com a experiência de vida de cada um.

Na última sessão de cada mês, ESTARÁ PRESENTE O AUTOR PORTUGUÊS EM DESTAQUE.

Todas as sessões são abertas ao público em geral.
Orientadora: Filipa Melo



INSCRIÇÕES:

Livraria Almedina
Atrium Saldanha
Pç. Duque de Saldanha, 1
Loja 71 – 2º Piso
Tel: 213 570 428
Contacto: Duarte Martinho


CONSULTE:
www.almedina.net

enviado por Paula Lopes

UNIVERSIDADE DO MINHO

"Anúncio para atribuição de Bolsa de Investigação

No âmbito do projecto PTDC/CCI/64130/2006, designado "Imagens da Infância - discursos mediáticos sobre as crianças em risco", e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, encontra-se aberto concurso para atribuição de uma Bolsa de Investigação nas seguintes condições:
1. Duração e Regime de Actividade: Duração de 6 meses, com início previsto para 1 de Outubro de 2008, eventualmente renovável até 12 meses. As actividades serão desenvolvidas no Centro de Estudos da Criança, em regime de exclusividade, conforme regulamento de formação avançada de recursos humanos da FCT (http://www.fct.mces.pt/pt/apoios/formacao/ambitoprojectos ).
2. Objecto de Actividade: as actividades a desenvolver abrangerão os diversos domínios da pesquisa a efectuar no âmbito do projecto, designadamente a tradução, recolha e constituição do corpus de investigação, tratamento e análise estatística.
3. Formação Académica: Licenciatura em Psicologia, Comunicação Social ou outras formações relevantes.
4. Critérios de Avaliação: A avaliação terá em conta o mérito do candidato, considerando os parâmetros da formação académica, perfil curricular, experiência em investigação científica, bom domínio da língua inglesa, conhecimento aprofundado de SPSS e de metodologias de análise de conteúdo. No processo de análise das candidaturas, o júri poderá recorrer a entrevistas individuais.
5. Remuneração: Remuneração de acordo com a tabela de valores das Bolsas de Investigação no país atribuídas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
6. Legislação: A bolsa é atribuída ao abrigo do Estatuto do Bolseiro de Investigação designadamente a Lei nº 40/2004, de 18 de Agosto.
7. Documentos de Candidatura: Curriculum Vitae, cópia do Certificado de Habilitações e outros documentos relevantes.
8. Prazo de Recepção de Candidaturas: Todas as candidaturas deverão ser entregues ou enviadas pelo correio, entre os dias 25/08/2008 e 08/09/2008, no seguinte endereço:

Universidade do Minho
Centro de Estudos da Criança
A/c Doutora Paula Cristina Martins
Campus de Gualtar
4710-057 Braga"

Enviado por Sara Pereira